A Pet Anjo, marketplace de serviços pet que oferece aos clientes serviços como passeio educativo e hospedagem, foi recentemente adquirida pelo executivo Wagner Aguado e passou a ter como acionista a ONG Vira Lata Vira Amigo. “A ideia com isso é que, ao ter uma empresa lucrativa, haverá sempre distribuição de dividendos, portanto, a ONG terá os recursos disponíveis, independentemente de quem estará sentado na presidência da empresa”, explicou o executivo. 

A Pet Anjo foi fundada em 2014 pela mestre veterinária Carolina Rocha e pelo engenheiro Thiago Petersen. Desde então, a startup conecta seus clientes (tutores de animais de estimação como cachorros, gatos, pássaros, entre outros) a profissionais autônomos qualificados pela própria empresa através da Universidade Anjo, espaço de cursos de preparação online, obrigatório para se tornar um integrante da plataforma.

Segundo Wagner, o diferencial da startup está justamente na preparação e qualificação dos anjos – como são chamados os profissionais do marketplace. Além disso, a Pet Anjo sugere uma faixa de valores, mas quem define o preço são os próprios anjos e tutores através de negociações. Entre os serviços oferecidos estão passeio educativo, pet-sitter (babá), day care (creche) e hospedagem, que podem ser realizados tanto na residência do cliente ou do profissional.

Em 2019, a startup fechou o ano com mais de 35 mil serviços realizados e mais de 100 mil clientes atendidos. Atualmente, com mais de 120 mil clientes cadastrados na plataforma, a Pet Anjo atua em mais de 300 cidades no Brasil e possui mais de 9 mil profissionais em todo o território nacional. 

Aquisição 

Wagner acumula vasta experiência no mercado. São mais de 20 anos em posições de diretoria e presidência na indústria de meios de Pagamentos Digitais e Produtos de Crédito a Pessoas Físicas tanto em empresas corporativas tradicionais como em fintechs. Na sua trajetória, estão nomes como Bradesco, Alelo, Trigg e Wirecard.  

“As experiências nestes dois mundos, instituições tradicionais e fintechs, me ajudaram a desenvolver características como alta resiliência, adaptabilidade e liderança em cenários e públicos diversos, skills essenciais para líderes modernos”, afirma o executivo. 

Apesar de sua atuação no mundo corporativo, Wagner também atua no terceiro setor através da ONG Vira Lata Vira Amigo, entidade de proteção de cães abandonados. Oficialmente, a instituição existe há 4 anos, mas o executivo contou que o projeto se iniciou há mais de 10 anos. 

“Tudo começou com a Nina, nossa primeira cachorrinha adotada. Ela é um amor – hoje uma senhora-  e foi nossa inspiração de lá para cá. Com o crescimento da operação, eu e minha esposa Leila compramos um terreno e construímos a sede própria, o que nos deu tranquilidade para ampliar nossa atuação e a quantidade de cães resgatados. Hoje temos em média 80 cães, que recebem a atenção de uma veterinária e do Geraldo, nosso funcionário (também é ex- morador de rua de São Paulo)”, relembrou Wagner em entrevista ao Startupi.

Pet Anjo

Nina foi a primeira cachorra adotada por Wagner

Diante disso, nos últimos anos, ele procurou construir diversos relacionamentos no segmento pet a fim de encontrar oportunidades para a entidade. “Sempre tive uma preocupação quanto a perpetuidade da ONG, pois precisava encontrar alternativas para a autonomia financeira desta entidade mesmo após minha morte. Então, diante desta necessidade, passei a procurar negócios que pudessem sustentar a ONG, e, pensando nisso, surgiu a inspiração de constituir um negócio neste segmento, alinhando os interesses da empresa e da ONG”. 

Foi esse pensamento que levou Wagner à aquisição da Pet Anjo em maio deste ano, sem valores revelados. Com a transação, 25% de participação da empresa foi doado para a ONG de forma vitalícia. “Com a chegada da Vira Lata Vira Amigo, a Pet Anjo e nossos clientes ajudam os mais de 80 cachorros que resgatamos das ruas da Grande São Paulo, sendo este nosso maior propósito. Nossos sonhos para a ONG são grandes e com a ajuda da Pet Anjo poderemos expandir a atuação da ONG para outras partes do país e ajudar muito mais cães, resgatando-os das ruas, cuidando e procurando lares e famílias para elas e eles”, ressaltou Wagner. 

Com a aquisição, o executivo passou a ser investidor presidente e os fundadores não estão mais na startup. Desde então, seu trabalho na Pet Anjo tem sido alinhado às boas práticas de Capitalismo Consciente. Segundo ele, além de ser apaixonado pelo tema, também o faz acreditar que é possível dar retorno a acionistas, trazendo entretanto, retorno à sociedade, com respeito a parceiros, clientes e colaboradores. “Atuamos então visando equilibrar as relações com todos os stakeholders de nossa cadeia de relacionamentos. Sim, é possível ganhar dinheiro com respeito, equilíbrio e retorno à sociedade”, explicou. 

Além disso, o executivo pretende adicionar à Pet Anjo toda a sua expertise adquirida como C-level de grandes empresas, bem como suas experiências como investidor e conselheiro em startups. “Temos que automatizar ainda mais nossos processos e garantir que estaremos sempre prontos para escalar nossa operação por meio de crescimentos exponenciais de nosso GMV. As práticas que tenho trazido são a de respeitar os (e as) profissionais que trabalham conosco, dar autonomia e conhecimento para que possam se desenvolver em suas carreiras”, afirmou. Ele disse ainda que: “Juntar as melhores práticas destes dois mundos é uma tarefa desafiadora, onde de um lado devemos operar com controles e boa práticas de gestão administrativa, e do outro lado, trazer execução primorosa, foco e muita velocidade. Enfim, ser rápido não é ser desorganizado, e é assim que temos trabalhado na Pet Anjo”. 

Para dar ainda mais fôlego à nova liderança, a startup recebeu recentemente a proposta para a entrada de novos sócios. Sem revelar valores e nomes dos investidores, Wagner contou que o capital deve ser usado para novos produtos e serviços, escalabilidade via tecnologia, e crescimento exponencial dos negócios.

Mercado Pet

Segundo Wagner, o mercado Pet no Brasil já é um dos maiores do mundo, bem como a população de animais domésticos. “Estudos apontam que em breve teremos mais animais domésticos no país do que crianças até 14 anos, fenômeno já verificado nos Estados Unidos. Portanto, além de um mercado em pleno crescimento, com grande potencial, ainda temos muito espaço para empresas de produtos e serviços, considerando a concorrência pulverizada e ainda pouco desenvolvida apresentada até o momento”, destacou. 

Sobre o impacto da pandemia no setor e no marketplace, ele disse que o aumento de produtos via internet o fortaleceu, principalmente pela alta comercialização de rações em geral. Quando se fala em serviços, no entanto, Wagner contou que o coronavírus teve um impacto importante. Na Pet Anjo a aliada para a recuperação, segundo ele, foi a operação leve e automatizada, tornando possível assim a retomada das atividades a partir de agosto.

Sobre os próximos passos, Wagner revelou que pretende crescer mantendo o nível de qualidade e interação com os profissionais da plataforma e clientes, sendo esse um dos desafios de 2021 apontado pelo executivo. Durante essa fase de expansão, a ideia também é buscar novos investidores no próximo ano. “Como visão de médio prazo, queremos crescer, mas queremos buscar o break even em no máximo 36 meses, pois não acredito em modelos sem retorno financeiro a acionistas. Crescer com equilíbrio foi o que aprendi durante toda a minha carreira como executivo de grandes corporações e nas minhas diversas experiências no mundo de VC e de startups. Os tempos mudaram e já não há espaço para empresas que só crescem ou que não crescem por pensar só no lucro no curto prazo ao acionista. Equilíbrio é a palavra-chave”, concluiu.