A SP Ventures, uma das gestoras de venture capital reconhecidas globalmente pela especialização na cadeia do agronegócio, acaba de anunciar a criação de um fundo no valor de R$ 90 milhões, focado no investimento em empresas inovadoras e em forte crescimento, e que pode atingir o valor de aproximadamente R$ 300 milhões em novas captações.

Essa primeira captação reuniu investidores como os fundos globais de venture capital de algumas das principais multinacionais do agro, como BASF Venture Capital e a Syngenta Ventures, além de atrair investidores financeiros, como o FoF Capria, líder em venture capital nos mercados emergentes e que possui investidores âncoras como Bill Gates, Paul Allen e a Ford Foundation, e a BID Labs, braço de venture capital e inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O fundo terá a missão de investir em startups com potencial de reinventar a cadeia de agricultura e alimentos em toda a América Latina. Algumas das teses que se destacam neste mercado são as fintechs agrícolas, que ajudam a criar uma nova e mais justa indústria de serviços financeiros, os marketplaces e e-commerces, que conseguem desintermediar a cadeia do agronegócio, e as tecnologias digitais e de biotech, que aumentam a produtividade e resolvem problemas em todos os setores, seja na cadeia de proteína animal, vegetal ou de grãos.

Além do mercado brasileiro, países como Argentina, Chile, Colômbia e México também são importantes para o fundo. “Buscamos por empresas disruptivas, transformadoras e que consigam agregar valor em um mercado tão disputado como o Agfood. Queremos estabelecer parcerias com os empreendedores para construir e desenvolver grandes negócios que deixarão um legado positivo e geração de riquezas”, comenta Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures.

A captação do fundo ocorreu durante a pandemia, demonstrando a confiança dos investidores na resiliência do agronegócio da região. “Nos últimos meses, observamos muitos investidores desistirem de compromissos de longo prazo na economia real devido à incerteza causada pela pandemia. Nosso fundo tem a duração de 10 anos e demonstra uma forte confiança no futuro do nosso agronegócio”, explica Jardim.

Foco em empresas que cumpram os critérios de ESG

Além do retorno financeiro, o fundo também possui um importante objetivo de impacto ambiental. Através da disseminação de inovações tecnológicas, as empresas investidas deverão tornar a agricultura da região mais verde e sustentável, enquanto aumentam a produtividade e rentabilidade do setor.

Como característica importante do fundo está o fato que seus investimentos serão destinados às empresas que cumpram com os critérios de ESG, ou seja, que tenham as melhores práticas ambientais, sociais e de governança. Como exemplo, entram em seu radar companhias capazes de aumentar a produtividade das áreas agrícolas existentes e diminuir a pressão pelo desmatamento; que reduzam o desperdício de água e otimizem o uso de insumos, restringindo a quantidade de fertilizantes, pesticidas e outros produtos químicos; e que estabeleçam o empoderamento do produtor rural.

“Um dos grandes desafios da humanidade está em conseguir aumentar a produção sustentável de alimentos do planeta em até 80% nos próximos 30 anos. Todos os sócios e colaboradores do fundo acreditam no propósito desta missão e na importância de investir nas causas ESG, por isso, procuramos por negócios inovadores e que ajudem a fazer do campo um lugar mais sustentável e justo. O aumento pela demanda de alimentos, somada às mudanças climáticas, é um assunto que gera muita preocupação. Acreditamos que a solução seja a combinação do empreendedorismo, tecnologias e um profundo respeito ao meio-ambiente”, finaliza Jardim.