* Por Renata Zanuto

Para quem não me conhece, eu sou co-head do Cubo Itaú, o mais relevante hub de fomento ao empreendedorismo tecnológico da América Latina. Estou muito feliz em inaugurar a coluna “Mulheres ao Cubo”, um espaço que pretende extrapolar os limites desse importante movimento que temos na nossa instituição e que é dedicado à discussão do protagonismo feminino, principalmente no ambiente de empreendedorismo tecnológico.

A partir de hoje, eu e outras tantas mulheres do setor traremos nossas análises e experiências sobre liderança, em algum aspecto, para ampliar referências e contribuir para o rompimento de barreiras sociais estigmatizadas, além de possibilitar um debate mais plural e democrático, com foco na igualdade de gênero no mercado de trabalho. Mais do que nunca é importante trazer esse assunto à tona, pois estamos em um cenário longe do ideal.

Para tangibilizar e trazer para a realidade, é importante mostrar alguns dados. Segundo estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), até 2030, a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro deve crescer mais que a masculina. Mudanças culturais, a conquista de direitos e um maior investimento em educação pelas mulheres explicam a evolução, que certamente deve ser comemorada, mas se entrarmos no setor de empreendedorismo tecnológico, a realidade ainda é diferente.

De acordo com dados coletados recentemente pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o mapa de empreendedorismo no Brasil está concentrado principalmente entre o sexo masculino. Das 12 mil startups mapeadas, 84,3% são fundadas por homens, contra 15,7% criadas por nós, mulheres. E existem muitos fatores para este cenário.

Um deles é o olhar dos investidores para o feminino. O mercado de venture capital é majoritariamente representado por… homens. Segundo a International Finance Corporation, aqui na América Latina apenas 8% dos fundos de private equity ou venture capital têm mulheres na equipe de liderança.

Outro grande desafio começa muito antes dessa fase de investimento. Pesquisas mostram que um dos principais obstáculos está em nós mesmas: a maioria das mulheres não se enxerga na liderança, inclusive, ao se candidatar para oportunidades com potencial para o seu perfil. Então, fica aqui meu incentivo. Candidatem-se, mesmo que não preencham 100% dos pré-requisitos solicitados. Precisamos quebrar esse estereótipo para ocupar os lugares que queremos. Uma equipe ou empresa com mais diversidade tem resultados ainda mais positivos. Então, todos saem ganhando.

Aqui no Cubo, esse pilar é muito importante e queremos ajudar a mudar esse cenário. Nossa comunidade tem 37 mulheres founders, um total de 25%. E o desafio interno é enorme, com ações frequentes para aumentar essa realidade.

Começamos esse ano com o lançamento do Mulheres ao Cubo, site para receber aplicação de soluções desenvolvidas por empreendedoras de startups. Se você é ou conhece uma founder, aplique ou compartilhe com ela essa oportunidade. Entendemos que referência e representatividade são essenciais para motivar. Por isso, agora, aqui na coluna, também temos esse encontro com histórias diferentes, mas que podem ser iguais ou muito parecidas com a sua. Esse é um espaço para despertar a reflexão e debate entre nós e também com toda a sociedade e o mercado.

O empreendedorismo feminino deve ser encorajado, pois é um importante catalisador de mudanças e uma grande conquista social. A busca por equidade ainda parece ser longa, mas já demonstramos todo o nosso potencial e competência para desenvolver negócios inovadores, criativos e revolucionários.

Através da troca, do fortalecimento da pauta e dando voz e mais visibilidade para mulheres incríveis, estamos caminhando para onde queremos chegar. A estrada é longa, mas os passos estão sendo dados. É importante destacar que ao impulsionar uma forma diferente de pensar os negócios, as mulheres conquistam protagonismo e mais espaço, bem como reconhecimento e satisfação na vida pessoal e profissional. Adversidades não faltam, sabemos, mas acredito que essas batalhas têm ajudado a formar empreendedoras mais resilientes, experientes e confiantes.

Vamos em frente e contem comigo e com o Cubo!


Renata Zanuto, co-head do Cubo Itaú, maior hub de fomento ao empreendedorismo tecnológico da América Latina, uma organização sem fins lucrativos que acelera a conexão e a criação de negócios entre grandes empresas e startups.