O empreendedorismo vem atravessando uma das mais sérias crises econômicas das últimas décadas. Quando apontamos a lupa para o empreendedorismo feminino, os problemas se agravam. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora e pelo Instituto Locomotiva, em maio deste ano, 86% dos negócios liderados por mulheres não estão funcionando ou estão funcionando com menor movimento, por causa da covid-19, e 60% das empreendedoras esperam ter no máximo um salário mínimo como rendimento durante a pandemia.

Motivado por esse cenário, o Instituto Rede Mulher Empreendedora (Instituto RME), com apoio do Google.org, o braço filantrópico do Google, lançou este mês o Potência Feminina, programa nacional que apoiará negócios liderados por mulheres por meio de capacitação, aceleração de negócios e capital semente.

Além do apoio a negócios, a ação visa também capacitar mulheres nos temas de empreendedorismo, empregabilidade e tecnologia. O Potência Feminina contará com uma doação de aproximadamente R$ 7,5 milhões e auxiliará diretamente mais de 50 mil pessoas pelos próximos dois anos.

Segundo Ana Fontes, fundadora do Instituto RME, o programa foi idealizado para apoiar e auxiliar a sobrevivência e o crescimento de negócios em uma economia impactada pela pandemia da covid-19.

“Sabemos que a pandemia prejudica inúmeros negócios pelo país. Mas esse impacto é ainda maior dentro do universo feminino, onde o acesso a crédito e a emprego é comprovadamente limitado”, diz Ana Fontes, referindo-se a dados de um estudo realizado pelo próprio Instituto RME em 2019.

“A crise gerada pela pandemia afeta a todos, mas de modo desigual, agravando ainda mais as desigualdades presentes no Brasil. Acreditamos que, por meio da tecnologia, podemos ajudar quem está sendo mais penalizado a superar os desafios de hoje e, ao mesmo tempo, dar condições para a retomada das atividades em um futuro próximo”, completa Valdir Leme, head de Marketing do Google.

Ações e metodologia

As capacitações, previstas para desenvolver mais de 50 mil mulheres de 10 regiões periféricas do país, terão conteúdo técnico (ferramentas digitais e empreendedorismo) e prático (redação de currículo, por exemplo), além de noções básicas de programação. Para aplicar essas capacitações, o Instituto RME treinará tutoras locais, fornecerá computadores e internet a entidades locais onde serão ministrados os cursos, a distância e presenciais.

O projeto Potência Feminina prevê acelerar 6.350 negócios por meio de programas presenciais e online, cuja metodologia, desenvolvida e aplicada pela Rede Mulher Empreendedora há mais de cinco anos em mais de 20 projetos, consiste no desenvolvimento de hard skills, abordando temas como comunicação, negociação, administração do tempo, gestão financeira, autoconfiança, ferramentas digitais e vendas.

Outra iniciativa é a promoção de um capital semente a 180 pequenas empresas, que receberão até R$ 10 mil para melhorias e desenvolvimento do próprio negócio, além de orientação, mentorias e acompanhamento técnico por seis meses.

Além das ações presenciais, o Potência Feminina prevê também um programa de autodesenvolvimento com o apoio de conteúdo digital, que poderá ser acessado a distância. “O autodesenvolvimento é uma oportunidade que estende o programa a outras mulheres que também precisam reformular o negócio ou se preparar para o mercado profissional”, explica Ana Fontes.

Para a participação dos parceiros, o Instituto RME realizará uma chamada pública exclusiva para Organizações da Sociedade Civil (OSCs) sem fins lucrativos de todo o país. O edital pode ser acessado neste link.