O Startupi acompanhou o primeiro episódio do SAS Talks Live, onde Cassio Pantaleoni, country manager do SAS Brasil, bateu um papo com a empresária Luiza Helena Trajano sobre liderança em meio à pandemia da covid-19, transformação digital, o papel da tecnologia na sociedade pós-crise, responsabilidade social corporativa e muito mais.

Formada em Direito e Administração de Empresas, Luiza Helena Trajano é responsável pelo desenvolvimento do Grupo Magazine Luiza. Quando assumiu a superintendência da empresa, foi responsável pelo salto de inovação e crescimento que colocou o Magazine Luiza, nas décadas seguintes, entre as maiores varejistas do Brasil.

Sua primeira reação diante da pandemia do coronovírus foi de susto, pois ninguém sabia a proporção que a crise ia tomar. Luiza, que se considera uma “empreendedora de crise”, destaca que essa que estamos passando é diferente de todas as outras pelas quais já passou. “Isso é mundial, nunca houve nada parecido onde foi preciso fechar a Disney, Nova York, Vaticano e adiar uma Olimpíada, por exemplo”.

Apesar de tudo, o Magazine Luiza se saiu melhor do que o esperado, eles tinham dinheiro em caixa e todos os pontos físicos já estavam no digital, o que facilitou muito nesse processo com o fechamento de todas suas lojas físicas.

Em tempo recorde, a empresa lançou o programa Parceiro Magalu, uma plataforma de vendas digital gratuita para ajudar autônomos, micro e pequenos varejistas a terem uma renda durante esse período de crise. Desde então, já receberam mais de 160 mil cadastros, o que fez com que o público começasse a enxergar o Magazine Luiza como o “sistema operacional do varejo”.

Além disso, a companhia firmou uma parceria com o Sebrae para oferecer capacitação e consultoria para que o empresário possa se destacar na plataforma, conquistando novos clientes e, consequentemente, aumentando o seu faturamento. O programa de qualificação e apoio contará, especialmente, com cursos a distância e consultorias focados em temas como: estratégias para alavancar as vendas, incluindo divulgação em redes sociais, precificação, gestão de estoque, controle financeiro e logística.

“Eu sou muito apaixonada pela pequena e média empresa, eu sei o que é depender do faturamento e vender hoje para comer amanhã, pois o Magazine Luiza começou pequeno. Uma das primeiras coisas que fizemos junto com o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) foi estar com o governo para criar medidas que contribuam e ajudem as PMEs,  já que muitas destas empresas poderão fechar por não ter renda.

Cultura

Colocar as pessoas em primeiro lugar, atitudes empreendedoras, inovação e criatividade são alguns dos conceitos que sempre adotou e incentivou em sua equipe. Entre os retornos destas crenças e práticas, está a presença do Magazine Luiza, há 21 anos consecutivos, no ranking das “Melhores empresas para se trabalhar” e no GPTW Brasil.

Reconhecida por seu modelo de gestão humanitário, sendo pautado pela valorização de seus funcionários, a empresária acredita que, quando o funcionário se sente valorizado, com autonomia para criar e contribuir com a empresa, todos ganham. Dessa forma, ela encontra um terreno fértil para se desenvolver e a empresa pode contar com 100% do time para alcançar seus resultados.

O Magazine Luiza começou com uma pequena loja de presentes, localizada na cidade de Franca, interior de São Paulo e hoje possui mais de mil lojas espalhadas por todo o Brasil.

“Com todo esse crescimento eu tive receio de perder o nosso propósito, mas isso não acontece pois a nossa cultura está no osso, eu nunca coloquei nada na parede. E isso é visto nas atitudes diárias, seja com fornecedor ou presidente, todos são tratados da mesma forma”. Segundo ela, quando as pessoas se identificam com a cultura da empresa elas viram uma espécie de guardiões dessa cultura.

Hoje a companhia possui cerca de 22 mil funcionários e durante a pandemia prometeu não demitir, pelo contrário, já estão contratando e enviou assistência financeira a funcionários de baixa renda, incluindo um subsídio de creche para quase 5,5 mil funcionárias.

Transformações pós covid-19

Para Luiza, uma das principais transformações durante esse momento é o senso de coletivo da população. Ela afirma nunca ter visto tanta solidariedade e a cultura da doação em prática, com as grandes empresas se unindo e fazendo uma série de incitativas e doações para as pessoas mais necessitadas.

Além disso, a população está cada vez mais cobrando esse tipo de ações e posicionamento das empresas e marcas. “Precisamos aprender a lidar com o novo. É o consumidor quem manda e ele está mais exigente do que nunca.”

No Magazine Luiza, ela gosta de ter uma linha direta com o cliente e saber o que está acontecendo, por isso mantém os comentários das suas redes sociais ativos e sempre lê e responde os clientes. Além disso, ela ficou surpresa com a receptividade das pessoas com o Magazine Luiza por conta das ações que a varejista realizou durante a pandemia como a doação de R$ 10 milhões em equipamentos e outros itens para o tratamento das vítimas da pandemia da covid-19.

Nos negócios, Luiza diz que a pandemia acelerou muitas coisas, principalmente o digital. Ela conta que a própria gigante do varejo talvez demorasse para lançar o Parceiro Magalu e não teria essa força que a iniciativa teve com mais de 160 mil inscrições em tão pouco tempo.

Segundo a empresária, realidade diferente requer atitudes diferentes, por isso, duas coisas que farão diferença nos negócios são: atendimento e tecnologia. “Agora, mais do que nunca é hora de buscar ações diferentes, investir em tecnologia, adequar o passado ao presente e personalizar o atendimento aos clientes”.

Dicas

Luiza conta que nunca cansou tanto sua cabeça na frente do computador, mas está focada e querendo aprender coisas novas para se reinventar. Para ela, cada dia é um dia de aprendizado, por isso é importante viver o momento presente, pois se ficar pensando no futuro você vai perder a oportunidade de aprender muitas coisas que a pandemia está proporcionando.

Outra dica é lembrar do seu propósito e apostar no simples e ir direto ao ponto, pois ninguém gosta do complexo. E aproveitar as oportunidades que o digital está oferecendo como por exemplo, a agilidade. O vendedor que antes demorava meia hora para fechar a venda hoje consegue fazer em questão de minutos.

“Me lembro de uma história que sempre comentava com meu amigo: se o seu carro quebrar no meio da estrada e você ficar dentro dele só reclamando, nada vai acontecer. Se você descer do carro e começar a empurrar, as pessoas irão te ver, parar pra perguntar e com certeza, te ajudar”, finaliza.