A pandemia causada pela covid-19 trouxe consequências para diversos setores como o de saúde pública, social e econômico. Pensando no impacto direto às empresas, o investimento em projetos de inovação podem ajudá-las na busca de novas soluções, além de torná-las mais competitivas perante ao mercado.

Ainda assim, organizações têm buscado medidas que ajudem na redução de custos. Diante desse cenário, como ficam os investimentos de grandes empresas em projetos de inovação? Vale a pena fomentá-los neste momento?

Uma pesquisa feita pela consultoria Bain apontou que empresas mais experientes em inovar conseguiram aumentar o valor de mercado em 9,5% ao ano entre 2014 e 2019. Empresas menos experientes na área, cresceram só 0,5. A pesquisa ainda mostra que no Brasil, existem apenas 3,6% de empresas experientes em inovação.

Para entender melhor esse panorama de como ficam os projetos de inovação com a pandemia, o Startupi conversou com grandes empresas do setor financeiro, varejista e industrial. Confira!

A Visa, que busca através de projetos de inovação construir o futuro da indústria de tecnologia de pagamentos para buscar as soluções para as principais necessidades de seus clientes, conta que o foco da área de Soluções e Inovação da empresa para 2020 é expandir a adoção de tecnologias como pagamento por aproximação e protocolos de segurança no e-commerce para os consumidores, empresas e governos.

Percival Jatobá, vice-presidente de Inovação e Soluções da Visa, diz que entre os projetos está a expansão da tecnologia da tokenização nas compras onlines e digitais, que substitui o tradicional número do cartão por um token, ou seja, uma sequência única de caracteres é gerada a cada compra, o que dificulta a blindagem das informações durante a operação. Além disso, a empresa também trabalha na criação de um novo padrão de autenticação 3DS 2.0, protocolo de autenticação do e-commerce, para avaliar se uma operação é legítima ou fraudulenta logo no início do pagamento online com cartões de crédito e débito.

 Innovation Studio da Visa do Brasil. Foto: Divulgação.

“Entendemos que o atual cenário gera desafios, mas também enxergamos novas oportunidades. Alguns cronogramas estão sendo reavaliados e outros acelerados. Vivemos hoje, na indústria de pagamentos, o que chamo de “Revolução Silenciosa”, fase em que os visionários começam a trabalhar nos bastidores para viabilizar uma determinada mudança”, destaca Jatobá sobre o andamento dos projetos.

“No cenário atual, o pagamento eletrônico ganhou ainda mais importância. Vemos o crescimento do uso do pagamento por aproximação e o e-commerce sendo cada vez mais popular. Por isso, estamos trabalhando para que mais pessoas sejam incluídas digitalmente”, complementa. 

Percival também conta que a Visa está trabalhando em uma solução, em parceria com o Ebanx, para auxiliar negócios que estão sem fluxo de caixa durante a época de quarentena no País. Através da plataforma, pequenos estabelecimentos comerciais e profissionais autônomos conseguirão comercializar vouchers para seus clientes para que usem seus produtos ou serviços após o período de isolamento. 

Os vendedores terão acesso ao processamento de pagamentos do Ebanx Pay e a Visa oferecerá soluções de segurança e de educação financeira para uma experiência mais completa dentro da plataforma.

“Estamos trabalhando com os principais players da indústria para revisitar processos e fluxo que gerem ganhos na eficiência operacional e que traduzam melhor o novo tempo que estamos vivendo”, diz ele em relação aos próximos passos da empresa em seus projetos de inovação. “O objetivo é fazer com que nossos clientes e os consumidores estejam preparados para a nova demanda e que a experiência de compra online seja a melhor possível, visto que muitos entrarão nesse universo pela primeira vez”, completa. 

Transformação digital

Luiz Rufino, diretor de Inovação do Grupo Carrefour Brasil, conta que a empresa trabalha com cinco principais frentes da transformação digital (pagamentos, análise de dados, conteúdos para o cliente, logística e serviços de last mile) e que manterá todos os seus projetos voltados para essa área. 

Rufino revela também que o Grupo deve aportar US$ 2,8 bilhões em tecnologias digitais até 2022. “A estratégia do Grupo Carrefour Brasil busca acelerar a construção do nosso ecossistema omnicanal, que prioriza todos os formatos e suas conexões, sempre atendendo as preferências dos consumidores”, diz.

Para isso, a empresa foca em soluções de last mile, meios de pagamento, programas de fidelidade e chatbots, como é o caso de Carina, Inteligência Artificial que ajuda clientes na busca por endereços de lojas, horários de atendimento e promoções, e o Meu Carrefour, programa desenvolvido em parceria com a startup Propz, para desenvolver a oferta de produtos personalizados para os clientes. 

Escritório de inovação do Carrefour em São Paulo. Foto: Walter Craveiro.

O Grupo também inaugurou em fevereiro, em conjunto com mais três empresas francesas (BNP Paribas, Edenred e Ingênico), em São Paulo, o La Fabrique, centro de inovação com o objetivo de promover investimentos e acelerar empresas, startups e projetos de desenvolvimento e tecnologia no Brasil. 

Rufino destaca outras iniciativas voltadas à tecnologia e inovação que a empresa tem investido este ano: a parceria com a Rappi, aquisição de 49% da fintech Ewally, com foco na ampliação do ecossistema de pagamento e entrada no segmento de contas digitais; expansão do aplicativo Scan & Go, que permite o cliente fazer a compra pelo aplicativo; e a implantação de 118 self-checkouts distribuídos em hipermercados, Express e postos de combustíveis.

Além destas tecnologias acima, para ajudar seus clientes durante a pandemia, a empresa criou a opção de compra por telefone via central de atendimento e fechou uma parceria temporária com a Cornershop, empresa que também atua no mercado de delivery last mile.

Diante do atual cenário, o diretor ainda conta que o Carrefour manterá os investimentos em todas as suas frentes de negócios. “Muitos dos projetos já desenvolvidos continuam em andamento, como o aprimoramento do aplicativo Scan & Go e a escolha de startups parceiras da companhia. Para outros projetos, o Grupo aguarda um novo cenário para dar andamento em todas as ações de tecnologia e inovação que já foram desenhados para a companhia”, afirma ele. 

Inovação na indústria

Para Renata Decourt Perina, coordenadora do Comitê Indústria & Startup da ANPEI e Latam Innovation & Digital Lab Services Leader na 3M, a inovação é responsável por perpetuar negócios. Na 3M, empresa considerada uma das mais inovadoras do mundo, o tema faz parte de uma das 6 estratégias corporativas de crescimento.

“A partir da visão e estratégia global, cada área de negócios inclui metas de crescimento através de novos produtos nos seus planos estratégicos e operacionais. O planejamento estratégico destaca qual a porcentagem de crescimento decorrente de cada uma das categorias de inovação que pretendemos alcançar. Todos os planos estão alinhados com o mindset de “customer at our core”, que tem o cliente como foco principal do desenvolvimento de novas soluções e inovações”, destaca.

Desde o surgimento dos primeiros casos de coronavírus pelo mundo, a empresa dobrou a produção de respiradores pelo mundo, tratando como prioridade a proteção dos profissionais da saúde. Para isso, a empresa mantém suas linhas de produção funcionando integralmente, o que demandou a contratação de novos colaboradores, adição de turnos e ativação de mais linhas de produção.  

Centro de Inovação da 3M

Centro de Inovação 3M. Foto: Divulgação

Perina ainda conta que a 3M está desenvolvendo projetos ligados aos editais da ABDI (Indústria 4.0 e Conecta) relacionados à Inteligência de Negócios e Treinamentos em Realidade Virtual e que as entregas e sprints estão sendo feitas de forma remota. “Neste momento precisamos aproveitar as tecnologias existentes”, diz. 

“Será importante rever alguns cenários e criticidade após quarentena. Agilidade também é fator crítico, sempre existem oportunidades para reavaliar as prioridades e requisitos dos projetos. Mas que projetos de inovação permanecem, não há sombra de dúvidas”, conclui Perina. 


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