Diante do atual cenário, os empreendedores de impacto social, com produtos e serviços voltados a amenizar a escalada da pobreza e a escassez econômica, têm papel preponderante durante o combate do coronavírus e no contexto pós pandemia. Para apoiar a sobrevivência desses negócios, que geram renda, empregos e apoiam a economia na qual estão inseridos, a Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP) e o Banco Pérola anunciaram o fundo Volta por Cima para conceder crédito com juros zero e acompanhamento a 50 negócios de impacto social.

O fundo conduzirá aportes em negócios selecionais com apoio de doações feitas pela Potencia Ventures, Fundação ARYMAX, Instituto Humanize, Fundação Tide Setubal, Instituto Vedacit, Votorantim Cimentos, Tigre e Instituto Carlos Roberto Hansen (ICRH), Gerdau, Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Instituto C&A, Fundação Telefônica Vivo e INSEAD Alumni Association Brazil.

Com foco na concessão de empréstimos sem juros para cobrir despesas essenciais de negócios com forte atuação nas periferias, e que foram afetados pela crise decorrente da covid-19, o fundo emergencial Volta por Cima conta com doações de pessoas físicas e jurídicas. Neste primeiro momento, a concessão será restrita a negócios do portfólio de acelerados da ANIP e da Artemisia, que se encaixam no perfil proposto pela iniciativa. O fundo será acolhido pelo Banco Pérola, OSCIP de crédito habilitada pelo Ministério da Justiça para conceder empréstimos. A Artemisia conduzirá a chamada para os potenciais beneficiários que integram os portfólios.

Maure Pessanha, diretora executiva da Artemisia, e uma das articuladoras do fundo Volta por Cima, destaca que não é de hoje que os empreendedores de impacto social enxergam as pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e que têm transformado a forma de fazer negócios no Brasil com soluções que visam, justamente, amenizar os problemas enfrentados pelos mais vulneráveis.

“Embora não possamos estimar o que vamos vivenciar em um futuro próximo, acreditamos que esses empreendedores serão cada vez mais necessários para conter a escalada da pobreza e da escassez econômica em um país durante e pós pandemia. Em um momento no qual a inovação social assume uma importância gigantesca, o papel dos investidores e articuladores do ecossistema de negócios de impacto é decisivo. Por isso, a ANIP se uniu ao Banco Pérola com o objetivo de criar uma solução financeira que permita que esses empreendedores de impacto social continuem as próprias jornadas e possam permanecer como fonte de emprego e renda, gerando impacto e apoiando as economias locais em que atuam”, afirma.

A proposta do fundo Volta por Cima, que usou como base os resultados da pesquisa conduzida pela Artemisia com 78 empreendedores da rede sobre o impacto da pandemia nos negócios em estágio inicial, é apoiar negócios com capacidade de execução e que apresentam risco imediato, de curto e de médio prazos. “Essa avaliação foi fundamental para termos uma fotografia dos efeitos do cenário atual nesse recorte do nosso portfólio, detectando os riscos que acometem os negócios de diferentes setores e modelos”, detalha Maure, acrescentando que os negócios beneficiados pelo fundo na primeira rodada de apoio deverão ser anunciados no mês de maio. Cada negócio receberá R$ 15 mil, que podem ser pagos em até 12 parcelas sem juros, com carência de seis meses. Segundo Maure, à medida que os empréstimos forem pagos, o fundo passa a ter a possibilidade de apoiar, no futuro, novos negócios.

Marcelo Rocha, DJ Bola, fundador do negócio social A Banca e cofundador da Articuladora de Negócio de Impacto da Periferia (ANIP) –, comenta que o fundo é um elo de uma corrente de inovação social e econômica no ecossistema de negócios de impacto. “Esse recurso apoiará diversos negócios de impacto periféricos. Mais que nunca, criar um mecanismo financeiro que entende as reais necessidades desses empreendedores e empreendedoras, dando acesso a empréstimo de forma simples, sem juros e com condições especiais, é necessário e urgente”, afirma, acrescentando que  o fundo, nesse momento, é emergencial por conta da covid-19, mas que futuramente pode ser um exemplo de cooperação a ser seguido para que outras iniciativas sejam fortalecidas e criadas para que os empreendedores atuantes nas periferias tenham autonomia e poder de escolha por meio de sonho de empreender e gerar impacto positivo.

Marcelo Rocha, DJ Bola, fundador do negócio social A Banca e cofundador da ANIP

Ele reforça também que a luta para evidenciar o que tem de mais potente nas periferias é de longa data. “Há mais de 10 anos, buscamos fomentar as inovações sociais e economias criativas para que os irmãos e irmãs das quebradas continuem sendo protagonistas e revolucionárias em seus territórios”.

Edgard Barki, coordenador do FGVcenn, ressalta que o fundo Volta por Cima tem o objetivo de apoiar negócios que sempre tiveram a preocupação com o impacto social. “Esse fundo é de extrema relevância para que empreendedores de periferia, que sempre buscaram resolver problemas sociais e/ou ambientais, possam sobreviver e conseguir continuar impactando mais no futuro”, salienta o professor.

O fundo Volta Por Cima segue captando recursos de pessoas físicas e jurídicas para ampliar o número de empreendedores beneficiados. Interessados podem acessar o site da iniciativa.

Uma nova forma de enxergar os negócios de impacto da periferia

Nas periferias brasileiras emerge um novo pensamento sobre negócios de impacto social, liderado por uma geração de empreendedores que unem potência de inovação, impacto e superação. Para apoiar e potencializar esse empreendedorismo transformador, A Banca, a Artemisia e o FGVcenn se uniram, em 2018, para criar a Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP), iniciativa pioneira no tema. Em 2020, as organizações conduziram um reposicionamento estratégico, passando a atuar como Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP).

A mudança representa uma ampliação do escopo de trabalho para implementar uma estratégia integrada de apoio à jornada empreendedora dentro das periferias em quatro grandes frentes de atuação: mobilização e inspiração; novos modelos financeiros, na qual se insere o fundo emergencial Volta por Cima; geração de conhecimento; e formação de empreendedores. Atuando como articuladora, em 2020, a ANIP tem a intenção de compreender, articular e mobilizar atores estratégicos para a consolidação do ecossistema de negócios de impacto nas periferias. A Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia tem o apoio da Fundação ARYMAX, Fundação Tide Setubal, Fundação Via Varejo, Instituto Humanize e AZ Quest.