* Por Daniel Leipnitz

A Índia é o 7º maior país do mundo em área geográfica (com 3.287.590 km²) e o 3º do ranking mundial quando se trata de população, com mais de 1,3 bilhões de pessoas. Segundo dados do ano passado de relatório de mobilidade divulgado pela Ericsson, o país é líder no ranking mundial de conectividade móvel, com a faixa média mundial de 9,8 GB de consumo por usuário. A população é composta por diversas pessoas altamente qualificadas educacional e profissionalmente, donas de grandes fortunas e inteligência, como os presidentes atuais da Adobe, Google e Microsoft.

Por outro lado, a Índia representa também um dos países com maior índice de pobreza do mundo, com 80% de sua população vivendo na região rural e mais de 800 milhões de pessoas vivendo com menos de US$ 2 por dia, sem qualquer vestígio ou oportunidade de acesso à educação, instrução ou higiene.

Essa dicotomia de desigualdade social entre a inteligência dos bilionários e a miséria de tantos outros é causa de grande espanto para quem tem contato com essa realidade. Foi o que aconteceu comigo enquanto integrante da missão presidencial Brasil-Índia 2020, junto ao atual presidente e demais representantes do Governo Federal, no fim de janeiro deste ano.

A missão nos trouxe uma experiência prática sobre como a tecnologia pode ser uma ferramenta de mudança de realidades, considerando que desde a década de 1990 mais de 170 milhões de pessoas foram removidas da linha da pobreza no país. A Índia possui excelentes matemáticos, físicos e engenheiros da computação, profissões essas que auxiliam no desenvolvimento da tecnologia e de novas condições de educação, saúde e geração de empregos.

As relações econômicas da Índia com os outros países ainda são tímidas, se quando falamos em termos de proporções de tamanho, população ativa e mercado que este país representa. O comércio que temos hoje com a Índia gira em torno de U$ 7 bilhões anuais, que corresponde ao que comercializávamos com a China há aproximadamente 20 anos. Então, se seguirmos na linha do que foi o desenvolvimento das relações comerciais entre Brasil e China, tenho certeza de que veremos um grande crescimento, e muito mais rápido. A relação que o Governo Brasileiro está construindo com a Índia é muito significativa neste sentido, e tende a render bons frutos para o relacionamento comercial entre essas duas economias emergentes, que hoje já se destacam como algumas das maiores do mundo.

A taxa de crescimento da economia indiana tem se apresentado muito alta nos últimos anos, e com esse aumento, vem a criação de novos mercados e oportunidades. Cabe a nós investir nesse relacionamento e, posteriormente, colher todos os frutos que ele pode render para o ecossistema brasileiro de tecnologia e inovação.

* Daniel Leipnitz é presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e vice-presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).