Desde 2012, quando mais de 63 mil pessoas colaboraram com US$ 8,5 milhões no Kickstasrter para financiar o OUYA, um videogame que rodava Android, muita gente abriu novos olhos para o sistema operacional do Google.

A equipe do OUYA conseguiu mostrar os vários potenciais do SO para games: um sistema aberto, baseado em Linux, que qualquer um pode facilmente desenvolver seu jogos (principalmente os indies); conforme o sistema evoluir, poderá existir espaço para jogos casuais e também para mais parrudos; desenvolver um game para Android significa desenvolver para diferentes plataformas, que passam por smartphones, tablets, consoles, set-top box ou qualquer outra coisa rodando Android, que de quebra também é sistema operacional mais popular entre  dispositivos móveis.

A equipe do OUYA fracassou na entrega de seu produto e bastaram poucos meses para a imprensa especializada cravar o projeto como um fracasso. Mas, a ideia se espalhou e muitas trabalharam e trabalham no conceito para emplacá-lo.

Bastou pouco tempo para a Nvidia, por exemplo, aparecer com o Shield – um console portátil, com um hardware louvável, que faz streaming dos jogos do PC e, principalmente, tem capacidade para rodar games pesados do Android. Quando testei o aparelho e conversei com executivos da empresa, ficou claro: eles realmente acreditavam e apostavam no Android como plataforma para games também não-casuais.

Na última semana, tivemos mais uma gigante fazendo esse tipo de apostas: a Amazon. A empresa apresentou a Fire TV – que, além de concorrer no mercado de set-top box, competindo com a Apple TV, também é um videogame… com Android!

A Amazon acredita em jogos grandes para o sistema operacional. Não por acaso, a Fire TV tem processador de quatro núcleos e 2 GB de RAM. O aparelho irá custar US$ 99, e jogos como Minecraft e The Walking Dead deverão chegar por menos de US$ 2. Se o produto pegar, é fácil ver desenvolvedores de games para Android saírem das telas pequenas e invadirem as TVs das salas.

Aparentemente, o Google também gostou da ideia e parece estar criando a Google TV, uma concorrente da Fire TV. Será que também terá espaço para games? Provavelmente.

Não obstante, é valido citar uma pesquisa da Flurry, que publicamos na última semana. O estudo mostra como os norte-americanos gastam seu tempo em aplicativos. Curiosamente, os campeões da atenção dos usuários são os games, responsáveis por 32% do tempo das pessoas.

Mesmo com tudo isso, o Androiod ainda não conquistou as TVs das salas e nem os gamers mais hardcore. Ele apenas promete fazer isso, e tem o apoio de gigantes da indústria de tecnologia. A Fire TV da Amazon e uma próxima versão do Nvidia Shield podem ajudar isso a acontecer. Mas, quem vai dizer se o Android é ou não um sistema para os jogos, são os próprios desenvolvedores e, claro, os jogadores. De qualquer forma, vale ficar de olho nesse mercardo — ainda tem muita coisa para acontecer.