O C.E.S.A.R Labs (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) Labs compõe o time de novas aceleradoras do Startup Brasil. A aceleradora nem se definia como tal, mas já tem uma década de trabalho com novas empresas em tecnologia, portanto a ideia de participar do programa de fomento a startups não foi recebida com surpresa, eles sabiam que tinham tradição na área

Na véspera do início do animado carnaval pernambucano, Eiran Simis, gestor da área de empreendedorismo do C.E.S.A.R, separou um tempo para apresentar a aceleradora e seus projetos para o Startup Brasil ao Startupi. Veja a entrevista abaixo.

Como a aceleradora C.E.S.A.R foi fundada?

Na verdade, há mais de dez anos temos uma incubadora que funciona com participação acionaria, uma característica de aceleradora. Se você for classificar, somos uma “incubaleradora”. Nós nem nos auto-intulamos como aceleradora. Somos o programa C.E.S.A.R Labs e o Startup Brasil considerou que podemos fazer um bom trabalho como aceleradora.

Como é o processo de aceleração de vocês?

Começamos a receber ideias em 1996, com uma pegada mais incubadora e vimos que era difícil fechar a conta, então passamos a ter parte acionária e de um ano e meio para cá passamos a ter um programa mais curto [antes podia chegar a dois anos]. O nosso programa hoje é de seis meses.

Nosso foco é da ideia até a fase do MVP ou do primeiro cliente. Porque, numa primeira fase, para uma startup, é muito mais importante clientes do que investidor. O próprio C.E.S.A.R aprovava as ideias e eles recebiam R$ 40 mil para executar.

Agora no Startup Brasil queremos pegar coisas que não estão só na fase da ideia. Geralmente as aprovadas no programa já tem tração, cliente e foco.

Vocês já aceleram quantas startups?

Desde o início do C.E.S.A.R já apoiamos mais de 13 empreendimentos. Temos empresas das primeiras turmas que tem mais de 100 funcionários e faturam R$ 10 milhões por ano. O processo era mais longo, poderia demorar até dois anos.

Vocês têm alguma preferência de área da startup?

Normalmente trabalhamos com coisas da área de biotech, química fina ou sobre o uso intensivo de tecnologia da informação e comunicação. Fazemos hardware, software e temos como clientes Samsung, Oi. Ou seja, nosso foco inicial vai ser B2B, por ser mais nossa vocação, mas se tiver uma startup B2C interessante, estaremos abertos.

Foi uma surpresa para vocês serem selecionados para o Startup Brasil?

Não. Temos tradição. Já geramos companhia, já perdemos dinheiro, já ganhamos dinheiro. Imaginávamos que tínhamos um track record que podia ser bom para o programa.

Como vocês pretendem levar o trabalho que já fazem atualmente para o Startup Brasil?

A única diferença é que no Startup Brasil vamos receber empresa com CNPJ e mais maduras, em alguns casos com produto e faturamento.

Uma das características dos programas de aceleração são as mentorias. Quem são mentores do C.E.S.A.R?

Os líderes desses empreendedores da primeira geração do C.E.S.A.R que deram certo agora serão mentores dos novos empreendimentos, além de executivos do C.E.S.A.R, para facilitar o link com as startup e empreendedores locais.

Vocês vão focar em startups do Nordeste?

Inicialmente o processo vai ter foco em Recife, na base do C.E.S.A.R. Mas pretendemos divulgar nas outras filiais do C.E.S.A.R em Sorocaba e Curitiba. Também vamos divulgar em Natal (RN), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Alagoas e Petrolina (PE).

O que vocês esperam do Startup Brasil?

Esperamos achar empreendimentos com maior nível de maturidade para comparar com o modelo que a gente tem, que estimula a partir do zero. Pensamos em ver os resultados para tomar decisões futuras: se vamos continuar no modelo atual, a partir do zero, ou se investir num modelo maduro é mais frutífero.