Escutei esta expressão diferentes vezes aqui na Singularity e no Vale do Silício neste verão americano: “Google resources”. O Sebastian Thurn falou nisso no bate-papo que teve com o grupo todo aqui na SU, o Ray Kurweil mencionou isso quando perguntei a ele porque tinha ido trabalhar no Google após ser um dos caras de tecnologia mais reconhecidos dos EUA, o Peter Diamandis e vários dos professores e palestrantes aqui sempre citam essa ‘ideia’.

Eu lembro que em 1999 eu não sabia o que era Google, utilizava o Alta Vista como sistema de buscas. Alguém lembra hoje o que era o Alta Vista? Por curiosidade fiz uma busca no Google por “Alta Vista”. Procure lá você também e veja o que encontra.

O Google virou onipresente no mundo da tecnologia. Com muitas e muitas soluções que todos conhecemos. A agora tem o Google Car, o Google Glass, o Google Loon e muita coisa mais vem por aí.

Mas também tem muita coisa que ficou pelo caminho. Por exemplo, o  Google Desktop. Era um dos meus aplicativos favoritos, favoritos mesmo. Ajudava-me a navegar no emaranhado de arquivos que acumulei ao longo de vários anos. Que fim levou? Terminou!

Como é que uma coisa legal, útil, que teve tração no mercado e que um monte de gente usa termina? Seria um fracasso? Essa pergunta foi feita pelo The Guardian em uma ótima matéria sobre o Google. Achei bastante interessante a resposta: cada ‘projeto’ do Google é um ‘experimento’, o importante é aprender e testar hipóteses.

O resumo desta conversa é que o Google tem uma abordagem única entre as empresas de tecnologia, que em parte é possível pela sua estrutura de capital peculiar (ver a reportagem do Guardian), e um incrível conjunto de recursos que o faz super atrativo para gente super qualificada trabalhar lá.

Quer um exemplo? O projeto do Google Car foi coordenado pelo Sebasthian Thurn (ver post anterior sobre isso), que liderou a equipe de Stanford que ganhou o concurso da Darpa. Mas a coisa não fica por aí… o time que chegou em segundo lugar em 2005 era da Carnegie Mellon University e o pessoal fez parte da equipe do Google Car.  Ou seja, o Google foi lá e contratou as duas melhores equipes e  fez uma equipe imbatível, com gente da CMU e Stanford!

O Ray Kurzweil foi para o Google para fazer realidade do seu sonho de ‘construir uma mente’, tema de seu último livro.

Que outro lugar no mundo seria capaz de mobilizar tamanha quantidade de recursos para projetos super inovadores, arriscados e que requerem muita pesquisa tecnológica?

Será que um dia teremos esse tipo de coisa no Brasil? Quando? Quem? Onde? Como?

Imagem: Sue Waters/The Conversation

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