As oportunidades para quem quer empreender na área de educação no Brasil e gerar o que é chamado de “alto impacto social” estão borbulhando. Falo isso porque ontem tive acesso a um estudo bem interessante feito pela consultoria Prospectiva e pago pelo pessoal da Potencia Ventures e do Instituto Inspirare.

Batizada de “Estudo de oportunidades no setor de educação para negócios focados na população de baixa renda”, a pesquisa detalha as áreas que têm mais oportunidades e menos entraves para quem ainda é pequeno, mas quer ter presença nesse mercado. O responsável pelos dados é Alberto Bueno, que também foi quem me explicou melhor as informações.

Escopo do projeto

A pesquisa levou em conta oportunidades na educação básica, no ensino técnico e no EJA (o Ensino de Jovens e Adultos) –o ensino superior ficou de fora. No caso, população de baixa renda foram consideradas famílias que ganham até 5 salários mínimos e foi dada uma atenção maior aos Estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Metodologia

O pessoal da Prospectiva analisou uma amostra de 191 iniciativas em educação e verificou possíveis entraves de entrada no mercado. Entre os entraves estavam:

– Oferta pública e concorrência privada;

– Regulatórios e políticos;

– Econômicos e financeiros;

– Alcance e impacto das classes CDE;

– Risco de mudança no cenário atual.

Feita essa varredura inicial, a consultoria chegou a conclusão que, do total, 33 iniciativas eram atrativas para investimento e há uma série de oportunidades em áreas pouco exploradas.

Mercado público de educação

Alberto diz que o mercado público de educação no Brasil é uma “caixa preta”, mas eles conseguiram estimar alguns valores:

– Orçamento público para educação, vindo de União, Estados e municípios soma cerca de R$ 200 bilhões;

– O valor gasto pelos Estados e municípios de AL, BA, MG, PE, RJ e SP chega a R$ 100 bilhões;

– O mercado em potencial para negócios nesses seis Estados escolhidos pode ser estimado em R$ 60 bilhões. Segundo o consultor, trata-se de um “universo em potencial” para os investidores, mas é preciso ter em mente que grandes empresas já comem uma boa parte disso.

Principais segmentos de atuação em educação

Lista de segmentos de atuação criada pela consultoria, que inclui produtos tecnológicos e não tecnológicos. Eles também incluem setores B2B, B2C e B2G (de empresa pro governo):

Gestão: Esse setor inclui um impacto social mais indireto. Estão aqui iniciativas ligadas a gestão administrativa das escolas, gestão educacional, serviços de apoio e insumos e materiais;

Formação, Método e Avaliação: Ferramentas de avaliação (não só do aluno!), metodologias de ensino e formação de professores (a formação continuada de quem já passou pela faculdade de pedagogia);

Infra-estrutura: Infra tecnológica e serviços e obras civis;

Cursos e Objetos educacionais: Ferramentas para a criação de objetos (deixar os alunos e professores criarem os games de educação, por exemplo), Produção de objetos (em objetos, leia livros, e-books, apps, games, etc), Certificação de cursos e Cursos e Atividades complementares (incluindo cursos extras para escolas que estão passando a ter os alunos em classe em tempo integral);

Financiamento Educacional: Financiamento do ensino médio e da escola privada que atenda a população de baixa renda. Segundo os organizadores da pesquisa, isso é pouco visto no Brasil, mas popular em outros países;

Acesso à informação: Portais de informação.

A consultoria afirma que dividiu as oportunidades em “caixas”, mas o empreendedor que busca uma oportunidade não precisa se encaixar em apenas uma, pode associar e brincar entre elas. Eles dividiram essas oportunidades em o quão “promissoras” elas são, de acordo com a quantidade de entraves associados à entrada no mercado e ao potencial de impacto social a ser gerado. Veja:

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Áreas mais promissoras já existentes

O estudo também traz as seis áreas existentes que são mais promissoras para quem quer empreender e gerar impacto social:

– O setor de Avaliação no Ensino Fundamental nos municípios pequenos e médios dos seis Estados analisados. Aqui, a preferência é dada para o ensino municipal, porque ele oferece menos entraves para o pequeno empreendedor. Segundo Alberto, a empresa pequena consegue atender melhor às exigências das cidades menores.

– O setor de Formação de professores no Ensino Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio em Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro. Aqui, o consultor diz que há um problema generalizado e de difícil solução, em que as grandes empresas não estão conseguindo se encaixar.

– O setor de Produção de Objetos no Ensino Fundamental 2 em Pernambuco e Alagoas. A pesquisa mostra que já existe muita coisa sendo feita para o Ensino Fundamental 1 e para o Ensino Médio. Aqui, Minas Gerais e Bahia foram tiradas da lista porque os Estados fecharam parcerias com universidades locais para a produção do material, o que colocará um entrave extra para quem quiser explorar esse mercado.

– O setor de Cursos e Atividades complementares no Ensino Técnico em todos os seis Estados analisados.

– O setor de Gestão Educacional no Ensino Fundamental 1 em municípios pequenos dos seis Estados em questão. Aqui, a preferência é dada novamente às cidades menores, que oferecem menos entraves a quem quer participar de uma licitação, por exemplo.

– O setor de Avaliação + Produção de Objetos + Infraestrutura Tecnológica para o Ensino Fundamental e o Ensino Médio em todos os seis Estados. Aqui, a proposta é a criação de negócios que juntem os três setores.

Áreas mais promissoras a serem criadas

Nesses setores, é preciso dar o primeiro passo e criar negócios que ainda não existem. A consultoria listou quatro áreas:

– O setor de Acesso à Informação no Ensino Básico, Ensino Técnico e EJA nos municípios médios e grandes.

– O setor de Cursos e Atividades complementares nas Escolas em tempo integral nos seis Estados analisados.

– O setor de Serviços de apoio (manutenção) no Ensino Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio nos municípios médios e grandes. Segundo Alberto, o governo investe no setor, mas dificilmente faz a manutenção e o empreendedor pode atuar nessa área.

– O setor de Financiamento educacional no Ensino Médio e Ensino Técnico em Alagoas, Bahia e Pernambuco.

Foto: stuartpilbrow