Em fevereiro, a Macmillan Digital Education, braço da gigante Macmillan, chegou ao Brasil causando impacto ao anunciar investimento em duas startups locais —EasyAula e Veduca— e o lançamento da EnglishUp. Meses depois, a companhia analisa novas oportunidades de investimento no país, começa a mapear o nosso mercado de educação e fala de suas expectativas às startups em que investe.

Conversei sobre isso com Matthias Ick, diretor da Macmillan, e transcrevo para vocês os principais trechos da conversa:

Por que investir em educação?

Existe uma ótima oportunidade na educação e na educação ligada à tecnologia, a “edtech”. Diferente de outros setores, a educação é menos dependente do desenvolvimento econômico atual de um país. A oportunidade é levada pela estrutura do mercado e do sistema de educação. Então, vemos muito potencial aqui, especialmente para usar a tecnologia e ajudar as pessoas a aprender de uma maneira mais efetiva e trazer acesso a conteúdo.

Existem algumas características estruturais do mercado de educação que o tornam um investimento interessante da perspectiva digital. Temos o exemplo do e-book e as oportunidades que surgem com a mudança do livro impresso pro e-book. É possível integrar serviços nisso, você pode adicionar serviços como vídeo, professores, cartões de aprendizado. Também dá pra usar a tecnologia para criar curvas individuais de aprendizado. Você pode, por exemplo, ver o conteúdo em uma sequência diferente, se tivermos visões diferentes do processo de aprendizado.

No geral, esse exemplo ilustra que a educação é uma área específica em que a tecnologia pode realmente tornar o aprendizado mais efetivo e até divertido.

MOOCs (Cursos online massivos)

Nós pensamos nisso e dá pra ver no nosso investimento na Veduca [startup brasileira que disponibiliza online cursos de universidades conceituadas, com legendas em português]. Isso ainda está começando a chegar aos interesses do mercado brasileiro e, obviamente, existe a barreira do idioma que precisa ser superada. Adicionar legendas aos vídeos é um primeiro passo muito importante na direção de tornar a Veduca um MOOC.

Isso também é interessante no Brasil pela quantidade de pessoas que vivem em lugares mais remotos. Para eles, é difícil participar de cursos que estão em outras cidades.

O empreendedor brasileiro é diferente?

O que achei impressionante é que, se você olha as companhias que são ativas no “edtech”, você vê fundadores realmente bons. Não são muitos, mas a qualidade média dos empreendedores neste segmento é impressionante. É uma área que atrai o interesse das melhores pessoas.

Quando você fala em diferenças em uma escala internacional, isso fica menos no caráter da startup, e mais sobre o mercado. Aqui temos oportunidades diferentes em relação ao Reino Unido, Alemanha e outros países europeus, nos canais de marketing, por exemplo. Lá, já existe muita concorrência e, aqui, as coisas estão começando agora e tentando alcançar os outros países de maneira muito rápida.

O que você espera das startups em que investe no Brasil?

Para nós, é importante fazer parcerias com empresas e startups que enxergam uma perspectiva para além do brasil. Não investiríamos em algo que é só faz sentido no brasil. O Brasil é um mercado atrativo, e acreditamos muito nele. Nossos empreendedores devem chegar e manter sua liderança no mercado local, mas também pensando em internacionalizar.

No geral, procuramos novas startups que se encaixem no portfólio que já temos e possam complementar. Nós buscamos facilitar a troca de conhecimento entre as pessoas na liderança das startups, para que elas possam se beneficiar dos sucessos e falhas das outras.

Planos para o resto da América Latina?

Começamos pelo Brasil e, obviamente, estamos pensando em ir além. Uma das vantagens que nós oferecemos aos nossos empreendedores é o fato de a Macmillan ter essa presença em todo o mundo.

Foto: JonathanCohen/Flickr (Acesse o original)