A Intel anunciou que a startup Gloriosos, criadora de um sistema de análise de fluídos e gases, foi a grande vencedora da etapa nacional seu desafio de startups. Agora, a empresa passará um mês no Vale do Silício, participando do programa de aceleração YouNoodle Camp. No mês de imersão, eles também frequentarão cursos com professores de Stanford e receberão assessoria de especialistas. Também será a Gloriosos a brasileira a concorrer a uma vaga para representara a América Latina na edição global do desafio.

Mas o que faz e de onde veio a Gloriosos? Quem responde a pergunta é Therry Marcondes, um dos cofundadores da empresa, que agora se chama LuxSensor. Segundo a Intel, o produto deles poderá ser usado para controlar a qualidade de combustíveis em motores de combustão.

Surgimento da ideia

“A ideia começou em maio de 2012, quando resolvemos participar do Desafio Unicamp 2012, montamos uma equipe multidisciplinar e de algumas possibilidades de patentes escolhemos uma que é do Instituto de Física da Unicamp, que da uma alta sensibilidade para quantificar combustível adulterado. Essa competição é para você trabalhar com patentes, softwares e tecnologias da Unicamp e fazer um modelo de negocio e buscar mercado e clientes para isso. Estamos firme e constituídos como equipe e projeto desde agosto de 2012, logo após a gente vencer o Desafio Unicamp 2012.”

O sistema

“Estamos desenvolvendo um sistema óptico-elétrico-mecânico para quantificação de fluidos, atualmente temos um protótipo funcional, com umas leituras interessantes, que precisamos fazer alguns ajustes, calibração, testes para desenvolvermos nosso MVP (Minimum Viable Product), para que possamos coletar feedbacks dos clientes, e poder especificar nosso produto melhor de acordo com a necessidade do cliente.

Nosso primeiro modelo de negócio foi focado para detecção de combustível adulterado, na qual validamos com a Bosch, Delphi e alguns players no mercado, sobre a viabilidade comercial, o interesse, as dores do mercado, validando o interesse de mercado. Porém percebemos que essa era somente para coletar informações ópticas, e não existia nenhum sensor barato que fizesse isso (que fosse acessível para o mercado). Mostrando eles um grande interesse, e validando algumas informações que poderíamos dar certo como empresa.

Quando meu sócio, o Wellington de Souza Filho, que é graduando em engenharia elétrica na Unicamp, teve uma brilhante sacada de modificar um sensor, desenvolvendo umas coisas novas, criando assim um novo sensor, e mostrando que é possível desenvolver essa tecnologia, com uma precisão requerida para esse tipo de indústria (automobilística), assim conseguimos desenvolver um sistema barato, preciso, que ainda tem outras aplicações no mercado, como um medidor direto de combustível, que seria como um medidor para ajudar o computador de bordo e motores regular tempo, taxa de injeção, assim otimizando a desempenho do motor, reduzindo as emissões de Gases Efeito Estufa e proporcionar economia de combustível. Estamos paralelamente enquanto desenvolvemos o sistema óptico-elétrico-mecânico, buscando outros potenciais de mercado.”

Incubadora e nova identidade

“Atualmente estamos pré-incubados no InovaSoft, através do programa Inova Descobre, na qual estamos fazendo alguns testes, melhorias, melhorando nosso modelo de negocio e desenvolvendo nosso planejamento, para podemos atingir as especificações do produto de maneira a atender melhor os requisitos dos clientes. Além de estarmos recebendo apoio jurídico, ter acesso aos professores e contamos com apoio de mentores técnicos e de business. E estamos trabalhando a identidade da empresa, surgimos como Gloriosos para o Desafio Unicamp 2012, estamos definindo nossa cultura de empresa, missão e valores, estamos pensando em chamar LuxSensor (www.luxsensor.com).”

A equipe

“Atualmente somos quatro pessoas trabalhando na equipe, e dividindo o tempo entre graduação e startup, numa equipe multidisciplinar:

– Thierry Cintra Marcondes, graduando em Engenharia Mecânica na Unicamp, responsável pela estratégia de negócios e desenvolvimento da parte mecânica;

– Wellington de Souza Filho, graduando em engenharia elétrica na Unicamp, responsável pelo hardware e software, para construir o óptico-elétrico;

– Welder Ribeiro, físico formado na Unicamp, que é especialista em óptica e fez técnico em eletrônica, e está desenvolvendo a plataforma para comunicação óptica eletrônica;

– William Humberto de Souza, que faz gestão de agronegócio, e tem trabalhando na gestão da empresa, buscando e avaliando o ecossistema, outros players, potencial mercado e clientes.”

O futuro

“Precisamos agora nos constituir como empresa, sabendo qual é nossa identidade, e precisamos de capital para infraestrutura, desenvolvimento, teste e manter equipe full time, já que estamos nos formando e existe a pressão familiar para que arrumamos empregos, além de poder contratar engenheiros, estagiários para fazer parte da equipe, nos ajudando e acelerando o processo.

A startup não possui nenhum investidor no momento, grande parte do investimento feito na empresa foi do próprio premio conseguido no Desafio Unicamp, da boa vontade dos nossos pais e dinheiro acumulado durante o período que estagiamos. O que para esse segmento que estamos que é hardware e mecânica, necessita de um capital de giro, na qual necessitamos comprar componentes eletrônicos, usar de equipamentos eletrônicos (que muitos como somos estudantes universitários, acabamos utilizando do laboratório da universidade, o que nos ajuda bastante), então temos um custo e um capital e investimento ajuda a vencer varias barreiras e agilidade. Temos metas de lançar em breve um produto mínimo viável para testarmos.

A viagem para o Vale do Silício sempre foi um sonho da Equipe, para saber como é o empreendedorismo lá, conhecer de perto essa cultura, apesar de Campinas segundo o Washington Post, será o próximo Vale do Silício. Então, temos a intenção de conhecer a cultura o ecossistema local, como são as startups, e até com objetivo de tentar escalar o produto para esse potencial mercado. É um sonho que virou realidade mais cedo, que vai nos proporcionar uma visão/maturidade pessoal e profissional muito grande.”

Foto: Robert Fornal