Após dois anos de pesquisa e desenvolvimento, a startup recifense ProDeaf lançou hoje, em São Paulo, seu aplicativo de tradução para a língua brasileira de sinais (libras). “Agora, as pessoas vão poder testar, dizer o que não gostam, dar feedback”, conta Amirton Chagas, diretor de tecnologia da empresa. O lançamento foi feito graças à investimentos feitos por Sebrae, CNPQ, Telefónica (a startup é acelerada na Wayra) e a um patrocínio feito pelo Bradesco Seguros.

Inicialmente, o app está disponível para Android, mas a empresa espera lançar versão para iOS e Windows Phone nas próximas semanas. Segundo João Paulo Oliveira, CEO da ProDeaf, os custos operacionais da distribuição do aplicativo estão sendo cobertos pelo Bradesco.

Nesta primeira versão, o aplicativo traz um dicionário de palavras em português e as traduz para libras. Além disso, o programa reconhece a voz do usuário e disponibiliza uma imagem do boneco dizendo a mesma coisa, só que em libras. Como base, esta sendo usado um dicionário de 3.700 palravas, com destaque para expressões locais de São Paulo, Rio, de Floripa e do nordeste brasileiro –onde ficam os surdos que ajudaram a criar a plataforma. 

Evento de lançamento contou com uma intérprete de libras

“Houve uma certa rejeição inicial dos surdos ao aplicativo, principalmente ao fato de ser um boneco virtual e não um vídeo”, conta João, durante a coletiva de imprensa que teve a tradução de uma interprete de libras em tempo real. “Quando eles viram que a gravação de vídeos eram inviável em alguns casos, começaram a ver o valor da ferramenta e acabaram aprovando.” Foram mais de 40 surdos envolvidos nos testes, além da equipe de 12 pessoas da startup.

A ProDeaf também anunciou que esta trabalhando em bibliotecas especificas para certos assuntos, além de ter uma parte mais “corporativa”, que traduz sites de empresas –a Telefónica anunciou que traduzirá seu site por meio do ProDeaf e o Bradesco já fez isso. “Temos duas vertentes: uma de informações especificas e uma de informações de interesse de todos”, diz João.

Entre os desafios tecnológicos à frente está a barreira tecnológica de fazer a tradução reversa, diz João. “E quando o surdo só sabe o sinal e não sabe o português? Essas pessoas têm a libras como língua nativa. Estamos trabalhando para trazer isso ao mercado ainda neste ano.”

A ProDeaf afirma que dados do IBGE dão conta de que existe, no Brasil 10 milhões de surdos, dos quais, 2,7 milhões não conhecem a língua portuguesa.