Rodolfo Ohl não criou a SurveyMonkey, mas vende o peixe como tal. Com uma carreira criada “quase toda” em torno do ambiente de startups, o diretor nacional da startup norte-americana afirma que se inspira quando vê pessoas avançarem em suas vidas com a ajuda dos projetos que desenvolve. “Sucesso, para mim, é ser feliz com aquilo que faz. Eu fico muito feliz em fazer parte de algo que impacta a vida de milhões de pessoas e organizações”, conta.

Na entrevista abaixo, saiba mais sobre a carreira de Rodolfo, seus critérios na seleção do time e dos planos da SurveyMonkey no Brasil. Leia:

O que te inspira na vida e no trabalho?

A minha inspiração é ver que as atividades, projetos e produtos que estou envolvido ajudam as pessoas a avançarem em suas vidas e carreiras. Procuro ter momentos felizes e de aprendizado em tudo que faço. Isso me dá muito prazer.

Você lembra como foi seu primeiro contato com a tecnologia?

Era fascinado por videogame quando criança. O primeiro jogo que lembro de ter jogado foi em um ZX Spectrum – um microcomputador que utilizava o cassete para rodar os programas. No final do ensino fundamental, tive acesso a um 286 e ficava super feliz quando imprimia alguns banners com a impressora matricial.

O que te fez optar por fazer parte de uma startup? Como você se preparou para fazer parte do mundo empreendedor?

Durante quase toda minha carreira trabalhei em ambiente de startups. Fazer as coisas com recursos limitados e ter a chance de testar novas possibilidades, acertar e errar muito e buscar incansavelmente uma atividade que possa se disseminar rapidamente, de sonhar com um projeto e vê-lo acontecendo em um curto-médio prazo é muito gratificante. Eu amo esse ambiente, pois as possibilidades são infinitas e a construção do futuro só depende de nós.

Quando você começou na startup que está, qual era sua visão de sucesso?

Sucesso, para mim, é ser feliz com aquilo que faz. Eu fico muito feliz em fazer parte de algo que impacta a vida de milhões de pessoas e organizações. A nossa proposta de valor aqui na SurveyMonkey é ajudá-las a tomarem melhores decisões. É muito gratificante conversar com responsáveis por importantes startups e perceber que a nossa ferramenta ajudou a definir seu modelo de negócio, a validar alguma hipótese no processo de customer development, ou mesmo ver que um gestor de recursos humanos implementou uma pesquisa de clima organizacional utilizando nosso modelo de questionário online.

Cada feedback que recebemos nos motiva cada vez mais a continuarmos forte em nossa visão de futuro, que é ser a melhor plataforma global de tomada de decisões. Fazer parte de tudo isso e realizar-se pessoalmente e profissionalmente, para mim, é o que define o sucesso.

No Brasil, todo mundo é meio técnico da seleção e quer escalar o time dos sonhos. Como você fez para escalar o seu time?

Na minha opinião, o capital humano é o bem mais importante de uma organização. As pessoas são as responsáveis pelas criações, inovações, desenvolvimento de produtos e processos, pela definição e execução das estratégias e construção e manutenção das vantagens competitivas. Aqui na SurveyMonkey, levamos muito a sério a gestão do nosso capital humano. Procuramos atrair, selecionar, desenvolver e reter os melhores profissionais, pois uma boa contratação nos ajuda a continuarmos crescendo de forma acelerada e sustentável. Mas, além das competências técnicas e comportamentais, outro fator muito analisado é a certificação da compatibilidade dos valores do profissional com os valores da SurveyMonkey.

Você gasta quanto do seu tempo com vendas?

A minha missão como Country Manager da SurveyMonkey no Brasil é acelerar o crescimento da nossa base de clientes no país. Um modelo de negócios freemium como o nosso dispensa a realização da venda direta, pois é possível criar uma grande base de clientes rapidamente. E vem deles a nossa força de vendas e ações de marketing, pois quando alguma pessoa envia uma pesquisa para o público-alvo desejado, eles acabam respondendo o questionário e, no fim deste processo, aprendem mais sobre a SurveyMonkey. Muitos destes respondentes também se tornam usuários depois de conhecer a empresa e o ciclo virtuoso vai se repetindo constantemente.

Para onde o mercado brasileiro vai? E as startups vão junto, vão na frente ou atrás?

O Brasil é uma grande aposta da SurveyMonkey por 3 principais motivos:

  • Primeiro – somos um povo muito sociável no âmbito offline e online (visto que somos o país que fica mais tempo online no Facebook, por exemplo) – isso favorece o nosso negócio, que é extremamente relacionado a ser social (dar e receber feedback através de uma plataforma online);
  • Segundo – os fatores de mercado favoráveis, tais como perspectiva de crescimento econômico de longo prazo, grande penetração de celulares, crescimento da penetração do acesso à Internet, mercado aberto a novas ideias e soluções, entre outros.
  • Terceiro – Há um bom tempo o crescimento da nossa base de clientes no Brasil vem apresentando crescimento superior a dois dígitos altos. A participação de um dos nossos principais investidores, a Tiger Global, no mercado brasileiro, deram mais segurança em escolher o país como principal mercado internacional para investir.

Por essas razões, o Brasil foi o escolhido para ter o primeiro Country Manager da empresa para realizar investimentos diretos aqui. Acreditamos que podemos nos tornar um dos cinco maiores mercados da SurveyMonkey nos próximos dois anos. Atualmente, o país ocupa a 10ª posição em nosso ranking interno.

Este é um excelente momento também para as startups locais. O número de pessoas qualificadas empreendendo, o surgimento das aceleradoras, o aumento das empresas de venture capital e private equity, a nova classe média, a maior penetração da internet e algumas iniciativas governamentais são alguns dos fatores que favorecem positivamente o mercado brasileiro.

Há, no entanto, diversos desafios que ainda devem ser superados, como a escassez da mão de obra qualificada, a efetiva democratização ao acesso da internet de banda larga, a desburocratização para abertura e manutenção de uma entidade jurídica no Brasil, a ampliação dos serviços de apoio à startups a preços justos (tais como serviços jurídicos, contábeis, recrutamento e seleção etc).

Temos excelentes casos de empresas locais bem sucedidas, que aproveitaram as oportunidades e servem de inspiração para a nova geração de empreendedores, como Buscapé, Mercado Livre, Locaweb, Peixe Urbano, NetShoes, Catho, Decolar.com, boo-box, Direct Talk, MinhaVida, entre outros.

Você se sente realizado? já conquistou o sucesso? Sua noção de sucesso alterou conforme a sua trajetória de participação na startup?

Para mim, sucesso é uma jornada e não um destino final. Fico realizado quando recebo feedback dos nossos clientes dizendo que a nossa ferramenta está ajudando a tomarem importantes decisões, quando ouço sugestões de melhorias e vejo o engajamento dos usuários e quando ganho um novo conhecimento e aprendizado sobre o que funciona e o que não funciona.

Quais startups te deixam mais feliz como cliente?

São inúmeras, mas estas são as 5 primeiras que me vem a cabeça: Dropbox, Evernote, Mailchimp, Peixe Urbano Delivery, Airbnb e Decolar.com.

Se você fosse se tornar sócio investidor de uma startup, qual ou quais seriam elas?

Eu sou fã do modelo de negócio freemium, SaaS e produtos que quando utilizado ajuda a viralizar conquistando mais e mais usuários. Um das empresas que atende estes requisitos é a MailChimp. Também outros setores que vejo muitas oportunidades interessantes mas com outros modelos de negócios: e-commerce verticalizados, marketplaces, e-learning, ferramentas online para o mercado B2B etc.

Quais dicas você daria para quem está pensando em empreender uma startup?

  1. Procure algo que lhe possa trazer muito prazer em fazer, pois provavelmente passará uma grande parcela do seu dia trabalhando nisso e por muitos anos (o que se espera). A paixão ajudará a persistir nos momentos de baixa;
  2. Escolha um mercado/nicho que possa entregar algo de valor;
  3. Busque trabalhar com os melhores (fundadores, profissionais, investidores, fornecedores, parceiros etc);
  4. Antes de sair produzindo o melhor produto do mercado da noite para o dia investindo milhões e muito tempo, procure e escute os potenciais clientes, valide suas hipóteses de negócios, teste conceitos e protótipos, colete as percepções e aprenda, aprenda e aprenda. Tenha humildade para aprender com todos; e
  5. Sonhe alto e construa uma visão compartilhada de futuro com sua equipe.

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Aviso: A ideia da coluna do Ping Pong é mudar as perguntas feitas aos empreendedores de tempos em tempos e estamos no momento de reformulação. Você tem alguma pergunta que gostaria de ver aqui? Envie sua sugestão para amanda@startupi.com.br