Está sediada na capital do Pernambuco e chama-se SiliconReef a startup vencedora da competição de planos de negócios Desafio Brasil 2009 (FGV/Intel Capital/Derraik Advogados).

A empresa do Recife prepara-se para produzir e vender chips (circuitos integrados) que melhorem a eficiência de equipamentos abastecidos por fontes renováveis de energia (tecnologia verde, sustentável). O produto EH01 promete uma melhoria de até 70% na eficiência da geração e armazenamento energético de redes sem fio.

Promete também causar sensação no mercado internacional, pois ganhou como prêmio a participação no desafio Intel Berkeley Technology Entrepreneurship Challenge (Ibtec). As etapas presenciais vão acontecer entre 17 e 19 de novembro na Califórnia/Estados Unidos, onde a SiliconReef terá mais publicidade, feedback, contato com o mercado (inclusive investidores) e talvez o prêmio de US$ 25 mil.

Além disso, a empresa também ganhou como prêmio do evento: consultoria jurídica de R$ 30 mil, um curso a distância em gestão de novos negócios oferecido pela FGV-Online e R$10.000 em dinheiro.

Confira mais sobre a SiliconReef e o chip EH01 em uma entrevista feita com o diretor de negócios, Tiago Lins (à esquerda na foto, ao lado do diretor de tecnologia Vítor Schwambach, logo após o anúncio do prêmio na FGV).

O que veio primeiro, a ideia de trabalhar na área de conexão sem fio, na área de chips ou na área de eficiência energética?

A ideia sempre foi trabalhar fazendo projetos de chips! De início, pensamos em trabalhar com wireless (comunicação e processamento), especificamente redes de sensores sem fio. Porém, vimos que muitas empresas já estavam bem avançadas em pesquisas e projetos na solução do problema de comunicação e processamento dentro dessas redes e decidimos não ir por aí­.

Continuando nossos estudos chegamos à tecnologia de energy harvesting, que solucionava o problema de auto-suficiência energética das redes de sensores sem fio, além de ser uma potencial tecnologia para outras áreas como celulares e netbooks.

Há quanto tempo se juntaram nessa empreitada?

Os diretores (Marí­lia Lima – CEO; eu – Negócios e Ví­tor Schwambach – Tecnologia) trabalham juntos desde 2003, o restante da equipe foi se integrando a partir de 2007 atuando em projetos dentro do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar). Somos uma empresa constituída desde 2008.

Qual é o background de vocês?

O nosso time é formado por mestres e especialistas em microeletrônica, acumulando mais de seis anos de experiência em projetos de circuitos integrados na academia e na indústria. Somos nove ao todo, dos quais quatro estão 100% dedicados ao projeto do EH01.

Em que momento resolveram empreender?

Pergunta difícil… :) Eu diria que desde a época da graduação, quando olhávamos para o mercado e não víamos empresas no Brasil atuando na área (semicondutores). Para não dizer nenhuma, existia apenas a Freescale (Campinas). Queríamos aplicar no mercado aquilo que estávamos aprendendo na universidade, mas, por falta de oportunidades, já pensávamos em criar nosso próprio negócio.

Em 2005, o Governo Federal anunciou o programa CI-Brasil, que, em linhas gerais, busca reinserir o Brasil na cadeia de valor desta indústria como fornecedor de tecnologia, saindo da condição de mero importador. Um dos objetivos do programa é promover iniciativas que ofereçam meios facilitadores para o surgimento de IC Design Houses nacionais (centro de projetos de circuitos integrados, CIs).

O Cesar foi escolhido como um desses atores e recebeu apoio financeiro para pagamento de pessoal e ferramentas de desenvolvimento de projeto de CI. A partir daí, a equipe que hoje compõe a Silicon Reef começou a tomar corpo.

A empresa sempre se dedicou exclusivamente a este projeto?

Até a criação da empresa, foram desenvolvidos dois projetos – um já está concluído e o outro está em fase avançada de desenvolvimento. Sempre pensando em como desenvolver um negócio sustentável a longo prazo, surgiu a ideia da SiliconReef. Enquanto desenvolvíamos projetos para terceiros, sempre buscamos estudar o mercado e oportunidades de negócios para um produto inovador.

Deste trabalho, surgiu a identificação da oportunidade (energy harvesting). Faltava organizar a ideia melhor e partir para captação de recursos para desenvolvimento do produto. No segundo semestre de 2008, o CNPq lançou um edital, que através da Lei de Inovação, empresas privadas poderiam concorrer a recursos públicos para desenvolvimento de tecnologia em microeletrônica. Esse foi o “estopim” que faltava para criar a empresa.

Já existe protótipo do Energy-Harvesting IC (EH-01)?

Existe um modelo funcional do chip que foi construído utilizando ferramentas profissionais e apropriadas para este tipo de trabalho. A partir desse modelo, podemos realizar comparações e extrair resultados. Estamos refinando o modelo e o primeiro protótipo do chip estará pronto em junho de 2010. A primeira versão do produto estará pronta em dezembro de 2010.

Quais são as características do EH-01?

Nosso diferencial é que identificamos uma oportunidade de melhoria nas soluções existentes e temos um produto que reúne um conjunto de diferenciais únicos, é capaz de atuar com várias fontes de energia, permite captação simultânea de duas fontes, implementa técnicas de melhoria de ganho e gerencia todo o processo de energy harvesting em um único chip. As soluções semelhantes ao EH01 que estão no mercado são Cymbet CBC3150, ALD EH300, IPS MEC101 e Techtium TEC103.

E qual é a performance do chip no mercado?

Potencial de crescimento do mercado, aplicação para este tipo de tecnologia e capacidade de desenvolvimento da equipe.Por se tratar de uma tecnologia que está sendo muito discutida, é difícil falar de concorrente, porque “qualquer” empresa que atua no setor pode decidir entrar neste nicho.

Vocês receberam algum tipo de ajuda ou aporte?

A empresa possui um recurso aprovado junto ao CNPq para P&D nos próximos dois anos. Especificamente para o EH01, a empresa aprovou recursos do PAPPE-FACEPE e PRIME.

Como foi participar do Desafio Brasil 2009?

O Desafio nos fez pensar de forma mais crítica sobre o projeto, olhar para os números e avaliar se o negócio é sustentável financeiramente ou não. Até então, a parte financeira e estratégias de inserção do produto no mercado eram pouco trabalhadas. O Desafio nos forçou a olhar para isso e pensarmos em como ser rentáveis. Diria que o exercício de escrever o plano visando a um investimento (ou escrevê-lo para um potencial investidor) foi o maior prêmio.

Não teríamos chegado a algo do nível de maturidade que chegamos com o plano se não tivéssemos participado do Desafio. Além de irmos buscar respostas por nós mesmos, os feedbacks dos avaliadores e das pessoas com quem conversamos durante o evento foram de enorme aprendizado para nosso negócio.

E agora, o que vai acontecer? O que está previsto para o projeto?

Vamos trabalhar MUITO neste mês para a competição nos EUA. Paralelamente, vamos continuar o desenvolvimento do produto, realizando testes e melhorias para cumprir com nosso cronograma de desenvolvimento.

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