A Stenon, AgTech alemã que permite o manejo eficiente e sustentável de nutrientes por meio de análise de solo em tempo real, anunciou nesta quarta-feira (1) uma captação de €18 milhões em Série B, equivalente a aproximadamente R$ 106 milhões. Os recursos serão usados para acelerar o desenvolvimento de novos produtos e a expansão em mercados onde a Stenon já opera, com foco claro em manejo de nitrogênio em tempo real e carbono orgânico do solo (SOC, na sigla em inglês).
A rodada foi liderada pela Pymwymic, investidora europeia pioneira em impacto e focada em alimentos e agricultura. O DeepTech & Climate Fonds (DTCF) também entrou como novo investidor, trazendo experiência na escala de empresas europeias de deep tech com alta intensidade de capital. Investidores existentes, incluindo Atlantic, Oyster Bay, Founders Fund, TIME Ventures (veículo de investimento de Marc Benioff) e Bernd Hoffmann (ex-VP da AGCO e Claas KGaA), também participaram.
Nitrogênio em tempo real para um gargalo estratégico do agro brasileiro
O Brasil é um dos mercados prioritários para a Stenon. O agronegócio respondeu por 25,13% do PIB brasileiro em 2025, segundo a CNA e o Cepea. Ao mesmo tempo, o país segue altamente exposto às cadeias globais de fertilizantes: o Plano Nacional de Fertilizantes estimou que cerca de 85% dos fertilizantes usados no Brasil são importados, enquanto análise do Insper aponta que a relação produção-consumo do país era próxima de apenas 8% para fertilizantes nitrogenados em 2023.
Nesse contexto, eficiência no uso de nitrogênio deixou de ser apenas uma questão agronômica e passou a ser uma questão econômica e estratégica para produtores, distribuidores de insumos, revendas, cooperativas e consultorias agrícolas. A Stenon ajuda esses atores a usar fertilizante limitado de forma mais precisa, apoiando produtividade e margens ao mesmo tempo em que reduz aplicações ineficientes.
A Stenon atende essa necessidade ao medir nitrogênio disponível para a planta (Nmin) diretamente no campo e combiná-lo com SOC e outros parâmetros do solo. A abordagem N + SOC conecta decisão agronômica imediata com manejo de solo de longo prazo: o Nmin orienta dose, momento e localização das aplicações de fertilizante, enquanto o SOC fornece uma base para condição do solo, produtividade e programas relacionados a carbono.
“Quando o nitrogênio está caro ou limitado, cada aplicação imprecisa vira custo, risco e perda de eficiência. Produtores e distribuidores brasileiros não controlam câmbio, preço internacional ou disponibilidade global de fertilizantes, mas podem controlar com muito mais precisão como cada quilo é usado. É aí que entra a competência central da Stenon: medir nitrogênio disponível para a planta em tempo real e combinar esse dado com SOC para apoiar decisões melhores de fertilização e uma visão mais robusta da produtividade do solo”, explica Niels Grabbert, fundador e CEO da Stenon.
O FarmLab da Stenon combina tecnologia proprietária de sensores ópticos e elétricos, inteligência artificial, modelos agronômicos e software em nuvem para gerar dados de solo em tempo real diretamente no campo. Em vez de esperar pelo retorno de análises laboratoriais, os usuários podem medir com maior frequência, mapear a variabilidade dentro da lavoura e adaptar estratégias de fertilização às condições atuais.
O que diferencia a Stenon é a capacidade de medir nitrogênio disponível para a planta diretamente no campo — o dado que produtores e agrônomos precisam para tomar decisões imediatas sobre fertilização. Casos de uso de clientes em múltiplos países já mostram retorno econômico claro para o produtor: economia de 20% a 40% em fertilizantes nitrogenados e aumento de produtividade de 2% a 8% em culturas como milho, feijão, algodão, cana-de-açúcar, café, grãos e hortaliças. Segundo a Stenon, nenhuma outra tecnologia comercialmente implantada oferece medição direta de nitrogênio disponível para a planta no campo em escala comparável.
A plataforma atende distribuidores de insumos, revendas, grupos agrícolas, concessionárias de máquinas, consultorias agrícolas e empresas de alimentos, e já foi implantada em áreas comerciais que somam milhões de acres em diferentes mercados.
“A Stenon está em uma posição rara, onde melhorar a saúde do solo e fortalecer a economia da fazenda andam lado a lado. Sua tecnologia dá aos produtores dados melhores, permitindo uso mais eficiente de insumos e criando a base para solos mais produtivos e resilientes”, analisa Rogier Pieterse, managing partnert da Pymwymic.
Expansão no Brasil, desenvolvimento de produto e próxima plataforma tecnológica
A Série B será usada para expandir operações comerciais, agronômicas e de serviço na América do Sul, com o Brasil como mercado central, além de Ásia Central e países europeus selecionados onde a Stenon já possui atividade comercial; fortalecer calibração agronômica regional, localização de produto e suporte ao cliente para solos, culturas e sistemas de produção locais;
avançar as capacidades do FarmLab em manejo de nitrogênio e medição de SOC; e principalmente, evoluir a tecnologia de um sistema comprovado de sensoriamento de campo portátil para um sistema de inteligência de nutrientes em tempo real integrado a máquinas agrícolas.
Como parte desta próxima fase, a Stenon está preparando a evolução de sua plataforma tecnológica. Desenvolvida em sigilo ao longo dos últimos anos, a nova plataforma é construída sobre as bases de sensores, dados e IA estabelecidas pelo FarmLab. A Stenon não está divulgando mais detalhes de produto nesta etapa, mas espera compartilhar novas informações ao longo dos próximos meses.
“O FarmLab comprovou que dados de alta qualidade sobre nitrogênio e SOC podem ser gerados diretamente no campo. O próximo passo é tornar essa inteligência mais contínua, mais integrada e mais acionável para operações agrícolas de grande escala. Estamos construindo um sistema em que decisões de nutrientes sejam apoiadas por dados em tempo real exatamente no ponto em que essas decisões são tomadas”, declara Jens Meichsner, CTO da Stenon.
O Brasil permanece um mercado prioritário para a Stenon. A empresa está ativa em regiões agrícolas-chave, incluindo Goiás, Mato Grosso, Paraná e São Paulo, onde o custo de fertilizantes e a disponibilidade de dados de solo no momento certo têm impacto direto sobre margens de produção. A Stenon também opera na Ásia Central e em mercados europeus selecionados, adaptando seus modelos e recomendações a solos, culturas e práticas agronômicas locais.
Para o mercado brasileiro, a proposta é apoiar uma agricultura mais produtiva e eficiente no uso de nutrientes, criando uma camada de dados que pode ser usada por produtores, revendas, distribuidores, consultorias e empresas da cadeia de alimentos. Com medições mais frequentes e específicas por talhão, a Stenon permite que recomendações de nitrogênio sejam feitas com base em dados atuais de solo, e não apenas em médias históricas ou amostras laboratoriais com atraso.
A entrada da Pymwymic e do DTCF adiciona duas perspectivas europeias complementares à base de acionistas da Stenon: experiência setorial em alimentos e agricultura e capital de longo prazo para escala em deep tech. Junto com o apoio contínuo dos investidores existentes, o financiamento posiciona a Stenon para acelerar o crescimento internacional enquanto investe em tecnologia proprietária de sensores, modelos agronômicos e sua plataforma de dados de solo.
“Dados de solo em tempo real são infraestrutura para a agricultura moderna, e a Stenon construiu a base para entregá-los em escala. Produtores hoje tomam decisões de fertilização de alto valor com base em dados de solo de semanas atrás. A Stenon fecha essa lacuna diretamente no campo, apoiada por um sistema de sensores genuinamente difícil de replicar e um modelo escalável de hardware e SaaS. É exatamente o tipo de empresa deep tech em que o DTCF investe, e estamos entusiasmados em apoiar a equipe em sua próxima fase de crescimento”, finaliza Dr. Achim Plum, managing director do DTCF.



