domingo, 20 de setembro de 2026

Comunidades como geradoras de talentos

* Por Amanda Barbosa

O que as comunidades podem oferecer para os jovens? A resposta para essa pergunta sempre está na ponta da língua de quase todo mundo que está, de  alguma forma, envolvido no ecossistema de inovação: Aprender a empreender. Mas, o que muitos se esquecem é que se estamos construindo hoje, as empresas do futuro, quais são as características que os profissionais que vão atuar nesses cargos precisam ter?

Não é incomum ver em job descriptions para vagas em startups e empresas inovadoras os pré requisitos “resolutividade” ou “espírito empreendedor”. Apesar de equivocado, o sentido de ser um profissional inovador está presente e onde mais seria o lugar ideal  para aprender tudo isso que não a comunidade de inovação? A comunidade também gera talentos profissionais muito diferenciados e não somente empreendedores.  

Segundo a PUC-RS o intraempreendedorismo surgiu exatamente dessa busca incessante das empresas por fazer a diferença em um mercado cada vez mais competitivo. O que antes era um diferencial para contratantes, tornou-se hoje o diferencial para conquistar maior empregabilidade, principalmente em áreas mais concorridas e competitivas. 

Afinal de contas, o conceito do SEBRAE para uma pessoa intraempreendedora é alguém que “busca por novas oportunidades de negócio, conquistar novas fontes de renda para a empresa, se comunica de forma mais ativa com a equipe e reduz desperdícios na linha de produção.” Quem não gostaria de ter assim na sua empresa? 

Tambaqui Valley e seu case de talentos 

Aqui na Tambaqui Valley sempre tivemos as portas abertas para todos que quisessem aprender sobre empreendedorismo e inovação. Nunca foi exigido que você tivesse uma ideia ou estivesse desenvolvendo algo para participar das nossas reuniões e talvez esse tenha sido um grande diferencial para o desenvolvimento da atual segunda geração de talentos para o ecossistema de inovação. Além de mim, que estou atuando na Se Candidate, Mulher!, temos mais pessoas ativas em aceleradoras e incubadoras nacionais. 

A comunidade proporciona isso quando: 

  1. Ensina a resolutividade de problemas com base na validação. Falhar rápido e ter um olho treinado para encontrar problemas e solucionar problemas tornam a pessoa profissional um grande destaque e com diferencial. 
  2. Possibilita conexões e network. Existem poucos lugares onde você pode sentar e conversar com um empreendedor, founder ou ter acesso a grandes lideranças como no ecossistema de inovação. 
  3. Dá oportunidades de crescimento profissional. Quando têm acesso a mentorias, vislubram novas carreiras ou possibilidades que são pouco faladas durante a vida acadêmica. Até mesmo quando podem, de forma voluntária, oferecer serviços para aprimorar ou gerar portfólio. 

Fuga de talentos seria um problema? 

Para comunidades que estão fora do eixo sul-sudeste esse pode ser um grande problema. Para nós é comum e até profetizado em muitos momentos que quando profissionais começam a se destacar vão deixar o seu estado para atuar em outros estados em que “tudo acontece”. 

Com a revolução nas formas de trabalho, as empresas começaram a entender que o remoto pode e funciona muito bem e isso gera oportunidades cada vez maiores para os talentos das comunidades da região norte e nordeste, sem a necessidade de mudança e podendo, agora, contribuir de  maneiras diferentes para suas comunidades ajudando a desenvolver cada vez mais talentos. 

E, para finalizar, gostaria de deixar alguns questionamentos … 

  1. A sua comunidade desenvolve e dá a devida atenção para o intraempreendedorismo? Você está fazendo algo para que talentos sejam desenvolvidos aí para as startups que, muito em breve, vão precisar de mão de obra? 
  2. Você que tem uma startup ou empresa inovadora, está olhando para os talentos de outras regiões? Está gerando oportunidades e entregando maior diversidade para seu time? 

Comunidades como geradoras de talentosCoordenadora de marketing na Se Candidate, Mulher! e sócia na agência Woodstation. Formada em jornalismo e pós graduanda em gestão de projetos e business intelligence. Também atua desde 2019 no ecossistema de inovação em RO, como embaixadora de diversos programas nacionais representando o estado e atualmente integra a liderança da Tambawoman, movimento de empreendedorismo feminino da comunidade.

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