Brasil entrega R$ 62 bilhões para bets em 2025 enquanto economia fraqueja

Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Mais do que um rombo orçamentário, o avanço desenfreado das bets impõe uma grave crise de saúde mental e social ao país.

Um número que salta aos olhos de qualquer pessoa: a sangria de R$ 62,5 bilhões em 2025 que as famílias brasileiras pagaram para as plataformas de apostas online. E esse número alarmante pode não ser considerado apenas um desvio financeiro, mas uma verdadeira crise de saúde pública. 

O triste é ver, com a justificativa de “proteger a livre iniciativa”, alguns setores do Congresso Nacional continuarem tentando proteger esse mercado que mina a renda e destrói o tecido social do país. E reduzir a proliferação de jogos online a uma mera dinâmica de mercado é ignorar a contaminação da ludopatia em massa, para dizer o mínimo.

De acordo com dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), o esgoto das apostas absorve 0,68% da renda disponível das famílias, uma doença que tem cura, segundo especialistas.

Quando é detectada a compulsão por apostas, o algoritmo deveria travar a conta do usuário, mas faz o contrário ao oferecer mais bônus e incentivos para reter o capital“, diz Júlio Leone, advogado especialista em direito do consumidor. É uma estrutura perversa que certamente não age com respeito ao cliente e irá continuar a esgotar o consumo de produtos da economia real, afetando vadias inteiras de negócio.

Outro ponto em destaque é a morosidade regulatória do Poder Legislativo, um reflexo dos poderosos interesses econômicos que atuam para que o setor não receba amarras excessivamente rígidas. Um exemplo é a BetMGM, uma joint venture do Grupo Globo com a MGM Resorts International, que está entre os financiadores da “bancada da livre iniciativa”. Isso pode servir de ilustração sobre o poder institucional que apoia essa agenda, pois a influência de grandes grupos econômicos aparenta sufocar progressos essenciais na proteção dos cidadãos.

Por fim, manter essa conivência em prol da arrecadação é colocar a integridade das famílias abaixo dos lucros do jogo privado. E se o mercado e os criadores de políticas públicas não estabelecerem limites éticos e operacionais claros, a fatura social poderá prejudicar o desenvolvimento do país por várias gerações.

Fica a questão: até quando o Brasil vai continuar arriscando seu futuro na roleta do desconhecimento regulatório?

Compartilhe essa notícia

Entenda o que importa em 10 minutos

Toda notícia de muitos lados e é isso que fazemos na Confluência, trazendo a perspectiva de C-levels, mas também de empreendedores, sobre um mesmo assunto. A assinatura é gratuita, basta se cadastrar abaixo.

Número de assinantes atuais: 40.000