O crescimento desenfreado do “palpiteirismo” financeiro no ecossistema digital vai cada vez mais longe, mas isso está beirando a irresponsabilidade. São “influenciadores” de grande alcance decidindo dar um viés simples para coisas complexas, mostrando que, em nosso momento, eles não podem ser, definitivamente, faróis.
Thiago Nigro, por exemplo, o grande mentor do prestigiado Grupo PRIMO, encontrou a solução para o dilema do Grupo Casas Bahia ao explicar a RJ: “a culpa, pessoal, é da taxa de juros“.
Isso serve para mostrar que o que predomina nas redes é esse padrão de simplificações, onde se ouve e “se entende facilmente”, mas se perde a profundidade em relação a dinâmicas complexas de alavancagem estrutural, gestão de estoque, modelos de negócio e concessão de crédito.
Tudo isso, então, se reduz a discursos superficiais, transformando um debate sério em um espetáculo de ilusionismo analítico.
É uma pena que essa busca por soluções simples seja o padrão, pois ela negligencia a profundidade necessária para entender a reestruturação de setores produtivos e o verdadeiro valuation de grandes empresas.
Mas é exatamente isso que o mercado de conteúdo digital tem realizado, comemorando crenças em contextos desprovidos de substância.
Por isso, o psicanalista Christian Dunker foi convocado para participar dessa conversa (e sem ser consultado previamente). É que outra de suas obras, “Paixão da ignorância”, inspirada em conceitos de Paulo Freire e Lacan, pode nos servir de consolo. Afinal, “há potência na ignorância”, então, pelo menos, podemos seguir confiantes de que o Brasil é o país do futuro.
A paixão pela ignorância e o irremediável besteirol das celebridades
Padrão de redes sociais e veículos de imprensa de simplificação extrema de assuntos complexos gera desinformação e superficialidade em debates que deveriam ser cruciais para a população.



