Se eu tivesse que resumir o Startup Summit 2026 em uma palavra, seria: velocidade.
Velocidade para experimentar, para desenvolver, para testar novas ideias e, principalmente, para descobrir o que realmente gera valor para o cliente. Ao acompanhar a programação do evento e as conversas com empreendedores, investidores e especialistas, ficou evidente que o ecossistema de startups está entrando em uma nova fase em que tecnologia de ponta deixou de ser diferencial isolado e passou a ser, cada vez mais, uma ferramenta para acelerar aprendizado e execução.
O Startup Summit 2026 aconteceu nos dias 26, 27 e 28 de agosto, reuniu mais de 11 mil pessoas, 3 mil startups e 150 fundos, movimentando cerca de R$ 395,5 milhões em intenções de investimento.
Como representante de uma empresa de meios de pagamento, participar desse ambiente é particularmente relevante. Nosso setor está no centro de uma transformação em que tecnologia, dados e experiência do cliente se encontram o tempo todo. E o que vimos no Summit reforça algo que observamos também na prática: as empresas que vão se destacar não serão necessariamente aquelas que adotarem a tecnologia mais nova, mas aquelas capazes de convertê-la rapidamente em soluções que resolvam problemas reais.
Dois temas da programação, em particular, traduzem bem essa mudança.
O primeiro é o avanço das DeepTechs. A presença de uma trilha dedicada ao tema, ao lado de áreas como HealthTech, AgTech, EnergyTech e Hardware, mostra que o ecossistema brasileiro começa a olhar cada vez mais para negócios baseados em ciência, engenharia e propriedade intelectual.
Diferentemente de negócios com modelos digitais facilmente replicáveis, em que é possível testar, iterar e escalar soluções em ciclos muito rápidos, DeepTechs precisam encarar a velocidade de uma forma particular. Afinal, elas lidam com pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, validação experimental, propriedade intelectual e, muitas vezes, processos regulatórios. Isso não significa que velocidade seja menos importante, pelo contrário: a vantagem competitiva está em acelerar tudo aquilo que pode ser acelerado, sem comprometer a profundidade tecnológica.
A capacidade de transformar conhecimento científico em produtos, aproximar universidades e empresas, acessar capital e construir mercados mais rapidamente pode ser decisiva para que uma inovação deixe de ser apenas uma descoberta promissora e se transforme em impacto real.
O segundo ponto de destaque é o uso da inteligência artificial como aceleradora do Product-Market Fit. A IA está mudando a velocidade com que startups conseguem testar hipóteses. Se antes construir um MVP podia consumir semanas ou meses, hoje ferramentas de IA permitem prototipar, analisar dados, personalizar experiências e iterar em uma velocidade muito maior.
Não se trata mais de apenas usar a IA como ferramenta para escrever código, criar conteúdo ou automatizar tarefas. O que gera diferencial agora é a aplicação dessa tecnologia para participar e conduzir processos cada vez mais complexos mudando o ponteiro direcionador das operações.
Ou seja, estamos falando de uma mudança de mentalidade: em vez de perguntar apenas “o que conseguimos construir?”, startups precisam perguntar “o que conseguimos aprender e quão rápido?”. No fim, talvez seja essa a nova equação do crescimento: tecnologia para construir, IA para acelerar e cliente para validar.
Se o Startup Summit 2026 deixou uma mensagem clara, para mim é esta: o futuro não pertence necessariamente a quem constrói a tecnologia mais sofisticada, mas a quem consegue aprender mais rápido o que o mercado realmente valoriza e transformar esse aprendizado em produto.