O avanço do mercado de capitais sobre o financiamento empresarial ganhou novo capítulo com a expansão do Grupo IOX no segmento de crédito privado para pequenas e médias empresas. Após adquirir a carteira de recebíveis da Via Capital, a companhia passou a reforçar sua atuação em praças onde ainda tinha menor presença, como Goiás e Minas Gerais, em um movimento que acompanha a maior procura de PMEs por alternativas ao crédito bancário tradicional.
A operação ocorre em um momento de transformação no financiamento corporativo brasileiro. Pela primeira vez, o estoque de instrumentos do mercado de capitais, como debêntures, CRIs e FIDCs, chegou a R$ 2,7 trilhões, valor equivalente a cerca de 23% do PIB, superando o crédito bancário destinado às empresas. Nesse ambiente, estruturas mais flexíveis e customizadas passaram a ganhar espaço, especialmente entre companhias de médio porte que enfrentam maior seletividade dos bancos.
Segundo Vicente Guimarães, diretor de Relações com Investidores do Grupo IOX, a aquisição da carteira da Via Capital tem peso estratégico não apenas pelo volume, mas pela pulverização. A carteira representa cerca de 15% do portfólio total do grupo, mas reúne forte presença no universo PME, com atuação relevante em Goiás e Belo Horizonte.
A Via Capital tinha 1.400 cedentes para uma carteira de R$ 400 milhões, enquanto o Grupo IOX contava com 700 cedentes em um FIDC de R$ 3,2 bilhões em patrimônio líquido. A estratégia, afirma o executivo, é ampliar a diversificação da carteira e reduzir a concentração de risco.
Depois de crescer atendendo empresas maiores, o grupo decidiu voltar a expandir sua base no middle market, segmento formado por empresas com faturamento anual de até R$ 500 milhões. A expectativa é que o Grupo IOX alcance R$ 4 bilhões em patrimônio líquido ainda no primeiro semestre de 2026.
O movimento também reflete o avanço dos FIDCs como ferramenta de financiamento para empresas. Antes vistos como estruturas de nicho, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios ganharam escala nos últimos anos, impulsionados pela busca de investidores por retorno ajustado ao risco e pela necessidade de companhias por capital de giro mais ágil.
O setor de fundos estruturados já ultrapassou R$ 800 bilhões em patrimônio líquido, com expectativa de superar R$ 1 trilhão até o fim de 2026. Para Guimarães, a expansão do crédito privado está diretamente ligada à lacuna deixada pelos bancos. Com juros elevados, maior cautela na concessão de crédito e seletividade crescente, as instituições tradicionais passaram a restringir o acesso de muitas empresas ao capital. Nesse espaço, os FIDCs oferecem análise mais granular de risco, estruturas sob medida e maior velocidade na liberação de recursos.



