* Por Ana Debiazi

A Abstartups (Associação Brasileira de Startups) estima que nos últimos oito anos houve um aumento de 20 vezes o número de startups no Brasil, e muitas delas se erguem graças a investimentos externos. Somado a isso, de acordo com o relatório divulgado pela Sling Hub, plataforma de dados para startups, as companhias brasileiras arrecadaram US$ 892 milhões, o equivalente a 75% do financiamento total da América Latina. Já pararam para pensar nos motivos de empresas fazerem esse tipo de aporte?

As startups trazem a possibilidade de acelerar processos internos, com mais eficiência e redução de custos, além de facilitar entrada em novos mercados para as empresas consolidadas, gerando novas fontes de receita. A promoção da inovação por meio de startups é uma mudança de mindset, trazendo mais colaboração tanto de quem trabalha da empresa, quanto de clientes e fornecedores, compartilhando conhecimento, gerando valor à companhia e à sociedade, ao passo que as startups se fortalecem quando se unem a grandes corporações.

Quando as empresas querem desenvolver um produto novo, ou entrar em um novo segmento, normalmente se forma um setor de pesquisa e desenvolvimento, o que pode ser caro e levar muito tempo. Com os hábitos de consumo mudando rapidamente, e as mudanças cada vez mais velozes, esse tempo pode ser crucial para a nova estratégia dar certo ou errado. A startup vem para acelerar as mudanças, a entrada em novos mercados, tendo a agilidade de uma PME, com a robustez e conhecimentos necessários para atender às demandas levantadas pela organização.

O caráter experimental e descentralizado contribui para dar mais agilidade ao processo de mudança, sendo um ambiente colaborativo, onde todos os agentes do ecossistema serão inseridos. Além disso, os custos são reduzidos, ou até nulos quando se fala em startups early stage ainda em estágio de MVP. O risco da inovação e os investimentos feitos nela internamente podem ser altos, mas a inovação aberta mitiga essas ameaças, potencializando o negócio, pois uma startup é escalável no mercado, ou seja, a dor que ela sana na sua empresa pode ser a dor de todo um segmento. Sob o ponto de vista das startups, elas terão uma grande empresa como apoiadora, que validará seu produto, e ainda terá o mercado dessa empresa para escalar.

Conforme o estágio de desenvolvimento da startup, ela tem sua ideação, MVP, tração e scale-up. No primeiro, o investimento é de longo prazo, pois ainda será preciso tirar a ideia do papel, transformá-la em produto ou serviço, validar o que foi feito dentro da empresa, e aí levar ao mercado para tração. 

No segundo, o produto tem sua primeira versão e está pronto para ser implantado e testado. Mudanças podem ser feitas, e devem ser feitas, para que atenda não só à empresa investidora, mas ao mercado como um todo. Talvez seja um investimento de longo/médio prazo, pois a validação do produto pode acarretar mudanças estruturais mais profundas, demandando mais tempo de entrada no mercado. Nos dois últimos estágios, é a entrada da startup no mercado de clientes. Aqui o produto inicial já está tracionado, e novas features serão desenvolvidas para maior tracionamento e ganho de novos nichos. Startups nesses estágios costumam trazer um retorno mais a médio e curto prazo.

Para mensurar o retorno, é preciso avaliar a forma com que a empresa irá escolher trabalhar com a startup. Ela pode apenas contratar serviços, e o retorno será em eficiência e redução de custos, ou até mesmo entrar em novos mercados. Ainda, ela pode escolher ter equity da startup, trazendo lucro futuro com uma possível venda da sua participação ou dividendos. Sendo assim, ter equity de uma startup pode ser um bom mecanismo para participar do seu futuro – sabendo primeiro o que está acontecendo, acompanhar de perto e ter uma visão mais profunda de determinado mercado e participar das decisões, criando uma relação bem estreita e de longo prazo. No entanto, a iniciativa pode ter outros objetivos, como, por exemplo, acelerar o go-to-market de determinado produto, oferecer soluções mais inovadoras para seu portfólio de clientes, melhorar a eficiência de processos internos ou da cadeia, desenvolver a startup como futuro cliente, melhorar a entrega de um produto, entre outros.

Seja investidor-anjo, incubadora, aceleradora, venture capital ou rodada de investimentos, injetar valores em startups tem se mostrado cada vez mais vantajoso e recorrente no mercado.


Ana Debiazi é CEO da Leonora Ventures, Corporate Venture Builder com DNA inovador e com proposta de trazer soluções para os setores de educação, logística e varejo e promover a aproximação entre organizações já consolidadas e startups.