Mais uma vez as redes sociais de Mark Zuckerberg saíram do ar este ano. Desta vez, o WhatsApp, Instagram e Facebook ficaram indisponíveis por cerca de 7 horas seguidas e causaram prejuízo financeiro para negócios de todos tamanhos e empreendedores que dependiam desses recursos.  

No Brasil, existem cerca de 5 milhões de contas do WhatsApp Business, divisão da empresa para fazer negócios, segundo comunicado de junho divulgado pelo app. A dependência do mercado por esses meios de comunicação ficaram evidentes com a queda e o problema está na centralização dos processos de venda nesses aplicativos.  

Para entender a importância de criar uma plataforma de comunicação própria do negócio, o portal Startupi conversou com Jair Romano Junior, especialista em tecnologia e CEO e fundador da Evolve

O especialista exemplifica os pontos negativos do descontrole das ferramentas através da sua nova experiência no mercado de varejo de beleza. Há um mês ele começou a trabalhar em uma loja física de cosméticos e está automatizando a gestão, mas com o pouco tempo, os processos não foram todos atualizados e o negócio foi muito afetado com a paralisação. “Nós faturamos apenas 2% do nosso potencial de faturamento diário”, explicou. 

Isso aconteceu porque os vendedores não tinham como fazer o processo de aprovação em crédito para os clientes que não tinham limite suficiente para compras, uma vez que a própria adquirente recebe todas as informações e procedimentos via WhatsApp. Jair também ficou sem contato com os colaboradores, porque muitos não tinham planos de celular que cobrissem chamadas e SMS, ou o shopping não tinha sinal para fazerem ligações. Os pedidos para fornecedores e liberações de desconto também não ocorreram no dia. 

“Agora, se eu crio a minha própria plataforma de comunicação com o meu cliente final e para todos os procedimentos da empresa, isso não acontece, porque se algo cair, a minha equipe tem que resolver. O esforço só depende de mim e não de alguém que está fora do Brasil e que você não controla”, destacou.

O CEO orienta que as empresas abusem da inteligência artificial e criem processos automatizados, mas com personalidade humana, de atendimento ao cliente. “Desenvolver um CRM exclusivo e utilizar Machine Learning nos livram da dependência desses aplicativos e permitem a criação de um novo modelo de atendimento mais seguro, que facilite o controle da empresa e otimize e aprimore o contato com o usuário final”.

Para empresas pequenas e que estão no início da jornada, Jair acredita que não seja necessário abolir por completo o WhatsApp, mas é importante que os empreendedores estejam informados do que os grandes negócios estão fazendo, para buscar alternativas e ficarem longe do risco de ruína. 

“A alternativa é separar parte do lucro para se reinventar. Porque grandes empresas têm um recurso de caixa enorme e podem, às vezes, se dar o luxo de não faturar por queda de redes sociais, o pequeno empresário não. Então é fundamental que o pequeno e médio empresário se transforme digitalmente”, finalizou.