* Por Ana Flávia Carrilo

Acesso à capital é um dos fatores essenciais para qualquer negócio, e se você é uma pessoa empreendedora, esse fator se torna ainda mais essencial para garantir o futuro próspero de sua startup. Mas quando dinheiro não é o problema, qual o próximo passo? Estaríamos no cenário ideal do ecossistema? 

Se levarmos em consideração as últimas notícias sobre startups, essa é a conclusão que mais parece óbvia. O venture capital no Brasil está superaquecido, registrando recordes como o melhor semestre da história do ecossistema. Já foram US $5,2 bilhões recebidos (valor que já ultrapassa 40% do total investido em todo ano de 2020).

Recentemente, a holding 2TM, dona do Mercado Bitcoin, anunciou aporte de US$ 200 milhões do Softbank, investimento que se tornou a maior rodada Série B já realizada em um startup brasileira e o maior investimento no segmento de criptomoedas do Softbank na América Latina. 

Claro que são notícias incríveis! Para as startups e todo ecossistema brasileiro. Cases de sucesso como estes colocam a nós e o Brasil como destaque e vitrine para ecossistemas internacionais, um reconhecimento merecido e necessário. 

A provocação aqui, não são os aportes. Pelo contrário. Mas sim, de como fazemos para que essa realidade de investimento não aconteça só com startups do eixo sul-sudeste. Como podemos construir em nosso ecossistema, uma maior descentralização desse acesso à capital? 

Para trazer uma referência do que estou falando, trago aqui um dado do último mapeamento Brasil que a Abstartups realizou. Entre as startups que receberam investimentos no último ano, 65,8% delas são do sul-sudeste. 


REGIÃO
% de investimentos em 2020
Norte 5,4%
Nordeste 18,6%
Centro-Oeste 10,2%
Sudeste26,2%
Sul39,6%

A partir de dados como este, é que começamos de fato a responder aquela pergunta inicial. E a resposta é: se dinheiro não é o problema, a distribuição dele ainda é.  No Brasil, temos mais de 60 comunidades de startups e 13.500 startups mapeadas. E quando falamos de um ecossistema saudável ou de fomentar nosso empreendedorismo, temos que ter o olhar atento para que essa realidade seja nacional.

Se você que está lendo essa coluna atua como ator em nosso ecossistema, pode contribuir levando acesso à informação, conectando-se a lideranças locais de regiões diferentes da sua e buscando conexões. Se você é uma pessoa empreendedora, busque por iniciativas como o Batch de Investimentos por região e continue acompanhando o nosso trabalho nesta coluna. Juntos, podemos fazer a diferença!


Ana Flávia Carrilo é Coordenadora da área de Informação na Associação Brasileira de Startups (Abstartups), responsável por mapear, gerar os estudos, dados e reports de mercado da instituição com o objetivo de fomentar o ecossistema empreendedor brasileiro.