Sempre gostamos quando encontramos uma startup que traz uma solução inteligente ao mundo. Mas, nem sempre pensamos que, para desenvolvê-la, foi necessária uma equipe incrível. Quando uma startup é fundada, um dos maiores desafios é como criar um time coeso que consiga executar o que a empresa propõe.

Trazemos algumas reflexões que André Barrence, diretor do Google for Entrepreneurs (Google para Empreendedores), trouxe em uma das Conferências Nacionais da Anjos do Brasil, e que podem ajudar os fundadores na construção de cultura e time.

O primeiro ponto está ligado a quantidade de funcionários que são indispensáveis para trabalhar na startup. Reid Hoffman, um dos criadores do LinkedIn e do PayPal, apresenta, no livro Blitzscaling, um método para desenvolver empresas que cresçam para a escala de mercados internacionais. 

O ideal é começar uma empresa de tamanho similar ao de uma família, composta por 2 a 3 pessoas e ir acrescentando indivíduos ao time progressivamente, conforme as demandas aumentam. O ponto é compreender a relação da receita que o negócio gera e a quantidade de pessoas necessárias.

Se uma das razões principais pelas quais startups não dão certo é a falta de estruturação do problema real, demonstrando que o produto criado não possui a demanda esperada. Logo abaixo, a causa mortis mais comum, é a construção de um time desarmônico.

Isso acontece tanto pela composição errada de habilidades e características pessoais, como até mesmo por desavenças com investidores que não pertencem diretamente ao time, mas influenciam no enredo da empresa.  Por isso, André sugere algumas dicas para analisar a capacidade do time de cumprir o que lhes é proposto.

Primeiramente, é fundamental que os fundadores estejam alinhados quanto às expectativas do trabalho que vem a frente e, principalmente, clareza de visão: para onde estão indo com isso tudo? Se a visão não está clara para os fundadores, consequentemente, estará muito menos para os funcionários.

Os valores e cultura da startup também são igualmente importantes. E isso vai muito além de definir se há necessidade de um dress code ou não. Suponha que um funcionário tem uma ideia sobre a resolução de algum problema que a startup enfrenta. É importante que a startup esteja disposta a ouvir todos dentro do ambiente de trabalho, uma vez que, integralmente, os funcionários, independente de seus cargos, exerçam suas respectivas funções em prol da empresa. Portanto, nada mais justo do que os diretores e funcionários de cargos altos da empresa tenham suas portas abertas para opiniões e críticas a respeito da companhia. 

Os valores também implicam nas considerações na hora da contratação. O tipo de inteligência procurado é um dos aspectos que merecem clareza ao buscar por um novo integrante, por isso, alguns pontos são colocados em pauta: a formação acadêmica de alto nível é imprescindível? Ou a experiência prévia do candidato e talvez o ânimo e a disposição da pessoa de aprender e crescer junto à startup também são válidos?

Diversidade é uma outra questão que, se não for relevante nos primeiros 10 funcionários, provavelmente não será enquanto a empresa for crescendo. Sobre isso, André comenta: “Diferentes visões ajudam a construir melhores produtos e melhores mercados”.

Outro ponto relevante é lembrar ao candidato que trabalhar numa startup é construir coisas em meio à incerteza, e é bem diferente de trabalhar numa organização tradicional. Por isso, entender se o candidato está disposto a isso é importantíssimo. 

É válido lembrar também que, principalmente nos estágios iniciais, a startup precisa de doers – pessoas prontas para colocar a mão na massa e fazer coisas que não necessariamente sejam relacionados ao seu trabalho. Isso se deve ao fato de que, uma startup recém fundada, demanda cuidados e esforços que não estão diretamente ligados a uma pessoa em específico, mas sim a equipe como um todo. Por isso, é fundamental, principalmente em organizações como as startups, que os integrantes da rede, se proponham a aprender no momento da realização da tarefa.

Por fim, confiança e transparência entre o time é primordial. Ou seja, a startup não é gerida apenas pela confiança referente a dados sigilosos, mas também, com relação a credibilidade que as pessoas da equipe transparecem.

André finaliza dizendo: “Não existe resposta fácil. Mas existem bons indícios de como os melhores times estão sendo construídos”.