Qual a importância do cruzamento de dados para a segurança no trabalho? O tema foi debatido por Renata Zanuto, co-head do Cubo Itáu, e por Guilherme Werneck, CEO da startup Moki, no Cubo Live Talks, evento promovido em parceria com o Startupi e o hub de inovação do Itaú.

A pandemia trouxe um cuidado maior acerca da segurança do trabalho e nesse momento os dados ganham ainda mais importância para a operação das empresas. Guilherme compreende isso e está à frente da Moki, startup que possui um serviço de software via internet desenvolvido para oferecer mais agilidade e controle nas rotinas de auditoria, supervisão de campo, ordens de serviço e relacionamento, através da coleta dados e análise de informações, possibilitando à empresa uma tomada de decisões mais assertivas em diversas áreas como segurança alimentar, controle de qualidade, visual merchandising, segurança de trabalho, entre outros.

Assim, através de suas experiências, Guilherme contou que, durante esse período em que a legislação implementou algumas mudanças regulatórias a fim de garantir a segurança e a saúde das empresas não somente para seus colaboradores, mas também em relação aos seus clientes e fornecedores, a tecnologia tem um papel importante na implementação e acompanhamento desses processos, que passa desde o fornecimento de equipamentos de proteção até a capacitação e comunicação interna com os funcionários.

Para as empresas que não se adaptam aos novos protocolos, Guilherme contou que as penalidades, do ponto de vista regulatório, variam desde uma multa até o fechamento do espaço físico. Entretanto, ele destacou outras questões que devem ser levadas em conta, além das regulatórias, como a reputação da empresa em vista de como ela está tratando seu clientes neste momento, o cuidado com colaboradores e segurança das pessoas em geral.

Complementando o empreendedor, Renata compartilhou uma pesquisa da Ipsos feita nos Estados Unidos em que o resultado mostra que os consumidores estão realmente preocupados com o fator de segurança e ansiosos para ver como os varejistas, por exemplo, estão se adaptando para atendê-los de acordo com as normas estabelecidas.

Sobre isso, Guilherme destaca que “se o cliente acha que que você está negligenciando a saúde dele ou sua segurança, de alguma maneira ele vai ser reativo, seja comprando menos, seja não indo à sua loja, seja falando mal de você nas redes sociais, ou fazendo algum um outro tipo de coisa. Então a questão transcende muito, ela passa muito, além das normas legais”.

Assim, a rápida reação das empresas ao trazer a tecnologia como aliada conta muito. O CEO citou como exemplo algumas ferramentas de reconhecimento facial e câmeras de sensoriamento de temperatura nos controles de acesso. “Foram várias aplicações que foram implantadas com enorme velocidade, o que demonstrou mais uma vez uma capacidade enorme não apenas das empresas, mas também dos fornecedores que tiveram a oportunidade de trazer essa inovação toda para eles e colocar em prática com muita velocidade pelo país afora”, afirmou.

Em relação ao cruzamento de dados no monitoramento desses processos na segurança do trabalho, Guilherme contou que a área de segurança do trabalho em si não mudou muito, mas cresceu, de acordo com o acréscimo de novos protocolos, gerando uma integração entre ela e outras áreas. Ou seja, se a empresa precisa realizar novos processos internamente, ela precisa treinar as pessoas, comprar novos equipamentos, o que envolve o RH, a área financeira, a comunicação, entre outras. Portanto, o cruzamento de dados ajuda gerar insights mais valiosos e eficientes para a companhia.

“Ao cruzar essas informações você vê o quanto está impactando aquilo na sua operação, como você pode ser mais eficiente, como você pode ter iniciativas que levem a uma performance maior e uma satisfação melhor da tua equipe na frente da operação”, explicou Guilherme.

Cultura da empresa

O bate-papo entre Renata e Guilherme também abordou sobre como a falta de processos impacta na questão cultural da empresa e no desenvolvimento dos colaboradores.

Guilherme explicou que devemos começar pensando que a definição da cultura da empresa está na forma como ela trata temas, do que ela gosta de fazer, do que ela valoriza, etc. Dito isso, ao falar da segurança do trabalho da equipe, está se falando sobre a raiz dessa cultura.

Em tempos de pandemia, por exemplo, a discussão gira acerca de como os colaboradores estão se sentindo valorizados, engajados, treinados e informados sobre a operação e sobre o que está se passando. Ou seja, ao não abordar isso de uma forma presente, a organização corre o risco de ter sua cultura dissipada, principalmente em casos de operações remotas. “Você tem que privilegiar ações que façam com que a pessoa não perca engajamento e continue respirando a cultura daquela operação”, ressaltou.

A discussão torna-se ainda mais importante em um momento em que a cultura de home office está se fortalecendo, pois questões de segurança como ergonomia, dispositivos de trabalho, clima em casa e, principalmente, comunicação devem ser uma preocupação da empresa em relação a esse colaborador. Portanto, como ainda não existe uma legislação no Brasil para esse formato de trabalho, Guilherme explicou que cabe à empresa levar conscientização para o funcionário quando este estiver em casa.

Visando a segurança como um todo, ele ainda falou sobre os três modelos de trabalho que surgiram, seja por questão de segurança, ou operação, neste momento: colaboradores que ficarão integralmente remotos, times que irão ao espaço físico eventualmente e um sistema de rodízio em que as pessoas não se encontrarão sempre, visando a segurança como um todo.

Renata contou que no Cubo, uma pesquisa entre os fundadores das startups residentes do espaço, também revelou que a tendência é um modelo híbrido, 80% deles optaram por esse formato.

Dessa maneira, Guilherme destaca a importância de manter a comunicação com os funcionários e também clientes, já que que ela possui um papel fundamental na maneira em que eles te percebem.

Anteriormente a esse processo de comunicação, as empresas precisam entender como manter a segurança no ambiente de trabalho. Nesse sentido, para ajudar as organizações que começarão a seguir o protocolo a partir de agora, o empreendedor disse que o primeiro passo é entender quais são as regras impostas pela legislação. “Se existem regras no seu negócio, você deve conhecê-las, entendê-las e aplicá-las”, ressaltou. O próximo passo é entender quais riscos podem afetar sua empresa – seja de negócios, operações, imagem ou perdas.

Assim, após o mapeamento da legislação e novos riscos que estão associados a esse nova realidade, a empresa deve planejar quais são as ações que serão tomadas e por último, nessa fase de planejamento, pensar no que pode inserir nesses novos protocolos para garantir uma vantagem competitiva ou gerar oportunidades de negócios.

O papel do cruzamento e análise de dados diante da transformação digital

Sobre a adoção do cruzamento de dados e sua análise por parte das empresas, Guilherme acredita que essa cultura está vindo junto à transformação digital. Assim, pensando em definir de forma simples esse movimento, o empreendedor disse que “a transformação digital é colocar a tecnologia de forma mais intensiva dentro do seu negócio tornando mais fácil ganhos de eficiência”.

Portanto, ao fazer isso de forma estruturada a empresa consegue compilar informações que não tinha acesso de forma acessível e, com o apoio da tecnologia, cruzá-las de modo que elas venham a otimizar seus processos e mostrar novas oportunidades nos negócios.

Entre os cases de sucesso que a Moki já atendeu, Guilherme destaca o GPA que ao longo de sete anos em que é cliente da startup, mudou algumas operações ou processos ao ter acesso às informações compiladas e mais precisas.

Atendendo atualmente a diversos setores, o empreendedor diz que percebe que a empresa entendeu os benefícios do cruzamento de dados quando ela começa com alguns processos definidos e após três meses entende que é preciso mudar algumas coisas para entregar um serviço ou produto de forma mais eficiente e produtiva.

Guilherme também falou que toda a operação que se dispõe a esse novo processo, alcança bons resultados. “Isso dá trabalho: tem esforço, tem homem hora, isso tem uma maneira de pensar diferente, isso tem um pouco de sacrifício para empresa mudar a maneira como ela pensa e vê as coisas, mas o retorno vem”, garante ele.

Guilherme finaliza falando sobre a mudança que a atual pandemia trouxe nos negócios permitindo que as empresas se reinventassem e colocassem em prática projetos que tinham medo de não dar certo ou de demorar muito. Para ele, portanto, o que devem ficar são as coisas: “a gente tem que sair melhor, a gente não pode sair pequeno”, conclui.

O Cubo Live Talks traz semanalmente especialistas do mercado para debater temas relevantes para o ecossistema. Nesta semana, os convidados irão abordar os desafios e as oportunidades do agronegócio brasileiro em meio à pandemia, na quarta-feira (05/08), e sobre os novos hábitos de consumo na China, na quinta-feira (06/08). Todas as lives são transmitidas às 19h nos canais do YouTube do Startupi e do Cubo Itaú.