* Por Victor Canô

Antes de me aprofundar no tema inicial deste artigo, quero que você, caro leitor, faça o seguinte exercício e tente se lembrar quando foi a última vez que pesquisou por uma marca e, instantes depois, banners e propagandas de produtos ou serviços daquela mesma empresa começaram a aparecer por onde você olhava: no portal de notícias, nos Stories das redes sociais e até mesmo no anúncio de alguma plataforma de streaming.

Imagino que não faça muito tempo que algo similar tenha acontecido com você ou com alguém próximo e, apesar de parecer mágica, esta estratégia – conhecida como retargeting – é bastante recorrente. A “remira” (em tradução livre para o português) é uma prática de marketing que visa seguir impactando potenciais consumidores que, em algum momento, tiveram contato com determinada empresa, mas por alguma razão, acabaram não finalizando a aquisição.

Isso acontece porque, por meio de cookies – mecanismo que armazena temporariamente as informações coletadas em um site –, os anunciantes conseguem mapear, entender sua relevância para o público-alvo e seguir em evidência para aquele grupo de pessoas. Apesar de ser um método interessante, é importante se atentar a alguns detalhes antes de adotá-lo.

O uso indiscriminado da ferramenta pode gerar desconfortos e fazer com que as pessoas sintam sua privacidade invadida por conta de tantos anúncios sobre a tal agenda que acabou vendo no site da papelaria, por exemplo. O mau uso também pode gerar um sentimento negativo dos clientes relação à marca, pois em alguns casos, até mesmo após a realização da compra, o anúncio do produto segue aparecendo para o consumidor.

Além disso, por conta da tramitação da Lei Geral de Proteção de Dados aqui no Brasil e a já instaurada GDPR (General Data Protection Regulation) na União Europeia, mais do que ter parcimônia, as empresas agora têm o dever de resguardar os dados pessoais da população.

Todas essas mudanças passam a colocar em evidência que algumas táticas já não são mais tão efetivas na busca por novos clientes, tornando necessária a revisão de estratégias para conquistar e fidelizar clientes. Por isso, muito mais do que investir em publicidade, é importante entender a persona que a sua empresa deseja atrair e qual a melhor maneira de impactá-la. A partir daí vale (quase) tudo: investir em marketing de conteúdo, criar páginas nas redes sociais e se comunicar de forma aberta e empática com o público, além de pensar em anúncios interativos que cativam as pessoas.

Por isso, não tenha medo de começar a traçar novas rotas de impacto para o seu target. Aproveite que estamos em uma era totalmente digital para “surfar na onda” da internet, buscando sempre entender a rotina da sua persona e onde o online, de fato, se encaixa na rotina dela. Isso, sem dúvidas, ajuda a estimular sentimentos de empatia, identificação com a marca e respeito mútuos e convertê-los em vendas!


Victor Canô é CEO da Cazamba, empresa de tecnologia em mídia que permite marcas engajarem com seus consumidores.