* Por Odilon Costa

Mudar de forma ágil e estratégica nunca, em momento algum da humanidade, foi tão urgente para a sobrevivência, física e empresarial, como nestes tempos de pandemia. Porém, a região da América Latina e do Caribe, conhecida por passar por uma das maiores transformações digitais do mundo, continua equilibrando altos níveis de adoção digital e baixos níveis de inclusão financeira.

Uma das formas de acelerar o equilíbrio disso é implementar o composable banking, uma nova abordagem que prevê o desenvolvimento e a prestação de serviços financeiros baseados na montagem rápida e flexível de sistemas independentes. Oferecendo desde score de crédito até inteligência artificial, entre outros serviços. Esse conceito tem ajudado instituições tradicionais a oferecer novas experiências aos clientes, competir com as fintechs e responder à urgente necessidade por mudanças, sem abrir mão de seus ativos construídos ao longo de décadas.

De acordo com a pesquisa Banco Digital na América Latina, encomendada pela Mastercard e conduzida pela Americas Market Intelligence, 55% dos consumidores da região têm uma conta bancária e mais da metade realizam as transações bancárias online. Embora não seja surpreendente, esse resultado marca uma tendência real, pressionando os bancos a avançar para um modelo mais ágil, contínuo e digital.

O estudo indica cinco práticas recomendadas para que as instituições financeiras na América Latina adotem, já a partir deste ano, para garantir seu futuro no mercado:

– Ir além dos serviços financeiros: os bancos não podem mais operar em um silo, devem ser ágeis o bastante para operar na velocidade que a vida dos clientes caminha e não o contrário;

– Usar a inteligência artificial de forma adequada: enquanto cada cliente quer se sentir especial, oferecer atendimento individual em um ambiente de baixo custo nem sempre é uma opção. Especialmente agora, devido à covid-19, usar ferramentas como chatbots e assistentes virtuais para ajudar os clientes a navegar em sua experiência bancária devem fazer parte do novo normal. A inteligência artificial é a tecnologia que orquestrará todas essas ferramentas;

– Ter todas as funcionalidades em um único canal: na América Latina, muitos bancos ainda usam vários aplicativos para funções diferentes: um para a conta corrente, outro para o cartão de crédito e outro para a conta PJ. Hoje, o cliente demanda ter todas as funcionalidades em um único canal, porque a tolerância em usar diferentes aplicativos e plataformas ao realizar transações está mais baixa do que nunca;

– Usar novas formas de monetização: pagar tarifas desnecessárias está ficando fora de moda e, por isso, estão sendo questionadas. Um dos motivos é que as fintechs quebraram esse modelo tradicional. Agora, o fluxo de receita mais importante será a monetização dos dados do cliente. Embora ainda haja muito a ser feito para que isso aconteça com segurança na AL, essa é a tendência em um futuro próximo;

–  Fomentar a confiança do consumidor: enquanto instituições financeiras tradicionais passaram décadas desenvolvendo a confiança do consumidor, os novos atores devem se concentrar em estratégias para acelerar o processo de construção da reputação na região. Confiança e segurança continuarão sendo a base do setor bancário.

Não somos mais apenas os expectadores, mas peças fundamentais na definição do futuro dos bancos na região.

* Odilon Costa é CEO da Tree Solution.