* Por Adelmo Nunes

Para acelerar o crescimento e alavancar o negócio, é comum startups com alto potencial de retorno recorrerem a investidores-anjo para injeção de capital. Bastante assediados, esses investidores acabam impondo alguns parâmetros para escolha de um ou outro projeto para aportes financeiros. O que os donos de startups precisam ter em mente é que essa escolha deve ser uma via de mão dupla e, mais do que financiamento, é preciso buscar o smart money: dinheiro que vem acompanhado de conhecimento.

De forma geral, os investidores-anjo costumam ser executivos ou eles próprios empreendedores com grande experiência e interesse por gerar novos negócios. Essa vocação pode adicionar valor à empresa, seja na hora de analisar um projeto inicial ou para firmar contratos, estabelecer parcerias, gerir equipes e auxiliar na tomada de decisões.

O investidor certo, com conhecimento de mercado, pode se tornar um consultor ou conselheiro e auxiliar para que a startup não incorra em erros, otimizando tempo e capital. Além da expertise na área, outra competência que deve ser observada pelo fundador da startup na hora de buscar um coinvestidor é a rede de contatos dele, o que pode ajudar a captar novos investimentos e atrair outros parceiros para o negócio.

Vale lembrar que o investidor não é um sócio e, por isso, é improvável sua presença no dia a dia da empresa. Ainda assim, é interesse dele que o negócio cresça e, daí sua contribuição pontual ou em situações estratégicas.

Sendo alguém com vivência na área de atuação da startup, o investidor poderá ser o caminho de acesso às oportunidades, acompanhar os empreendedores e contribuir com mentorias. Em termos práticos, significa dizer que alguém que entenda de gestão financeira pode ser útil para colocar em dia os números da empresa. Do mesmo modo, alguém com conhecimento no mercado de varejo pode abrir portas para empresas do setor.

Por isso, ao buscar dinheiro, procure saber mais sobre o investidor e se ele vai, de fato, agregar valor ao negócio. Uma startup pode demorar anos para amadurecer, tempo em que estará mantida a relação entre fundador e coinvestidor. Nesses termos, até a afinidade se torna algo crucial.


Adelmo Nunes, contabilista, é diretor da Planned Soluções Empresariais.