Por Daniel Leipnitz 

Esta semana do nosso último artigo desta série está sendo totalmente atípica para a população brasileira. Estamos vivenciando um momento muito importante de uma grave crise mundial em função da pandemia do novo coronavírus.

A doença causada pelo Covid-19 está gerando pânico e provocando uma série de mudanças em todos os setores da economia global, e na área da tecnologia não é diferente. O setor é um dos que traz maiores possibilidades aos colaboradores das empresas de trabalharem de forma remota, pois a maior parte das atividades podem ser executadas sem perdas desta forma. A recomendação aqui no Brasil é que reuniões e compromissos inadiáveis que precisem ser mantidos sejam realizados em caso de exceção, que pessoas com sintomas não saiam de casa e que a preferência seja pelo trabalho à distância.

Mas e o que isso tem a ver com a Índia? Quando viajei para o país, no fim de janeiro, o vírus ainda estava restrito a algumas regiões da China, onde teve seu epicentro, e ainda não havíamos nos dado conta da dimensão que a doença poderia tomar. Assim, junto à comitiva presidencial, realizamos todos os eventos e visitas dentro da normalidade sem qualquer consequência relacionada ao coronavírus. E o que eu vi por lá foram muitas iniciativas ligadas a tecnologia que, mesmo sem a previsão do que a pandemia iria se tornar, já mostravam grande capacidade e potencial de adaptabilidade.

A China, país onde a pandemia se originou, apresentou um grande número de contaminações e até de mortes, mas por outro lado, demonstrou práticas muito avançadas quando se tratou das políticas de contenção. Desde a realização de exames rápidos sem sair do carro, passando por grandes mobilizações para evitar a circulação de pessoas e a consequente aglomeração, até a suspensão total de todos os serviços que não sejam básicos à sobrevivência humana, como hospitais, farmácias e supermercados.

Como já mencionei outras vezes nesta série de artigos, eu acredito muito que a Índia é a China de 20 anos atrás. No entanto, no que se trata da prevenção e combate a epidemias, podemos dizer que eles já estão muitos anos à frente. Apesar de sua grande dimensão geográfica e populacional, a Índia registrou somente 114 casos confirmados de coronavírus até a data da publicação deste artigo, o que mostra que muitas das ações levadas a cabo pela China no atual surto já vem sendo refletidas na Índia. Alguns exemplos de práticas que estão sendo implementadas pela China são a suspensão dos vistos de turismo até a criação de um fundo de emergência para combate à pandemia.

No Brasil, o assunto chegou com um pouco mais de força no início do mês de março, quando tivemos um significativo aumento no número de casos no país e começamos a entender quanto isso poderia trazer de impacto para o nosso sistema de saúde caso a situação se igualasse ao que aconteceu na Itália, por exemplo. Assim, uma série de medidas inspiradas no que vimos na Índia começaram a ser tomadas, como a oficialização do trabalho remoto nas empresas, a suspensão das aulas em todos os níveis de ensino, assim como de eventos e solenidades que reúnam muitas pessoas.

Por parte da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), tomamos a decisão de reagendar todos os eventos que seriam promovidos em março, além das visitas técnicas que seriam realizadas em nossos Centros de Inovação, e também estamos recomendando fortemente que os colaboradores da ACATE fiquem em casa se tiverem apresentando alguns dos sintomas do coronavírus ou caso tenham tido contato com pessoas com suspeita da doença. O importante é estarmos atentos às recomendações do Ministério da Saúde e seguirmos as melhores práticas de prevenção contra a doença, e iremos todos nos recuperar dessa grande crise gerada.

* Daniel Leipnitz é presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e vice-presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).