Ser transportador autônomo no Brasil não é uma profissão exatamente fácil, segundo me explicou Ricardo Victorio, um dos cofundadores do Leva Lá, empresa selecionada pelo programa Startup Brasil com bolsa de R$ 200 mil.

Essa startup, cuja aceleração será feita pela Acelera MGTI, funciona como um marketplace para embarcadores e transportadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, e do pequeno ao grande porte (por exemplo, de motos a caminhões). Não se trata de uma ideia nova, em termos de serviço oferecido: existem algumas players no mercado que oferecem o mesmo conceito.

O grande diferencial da Leva lá, contudo, é dar foco aos embarcadores e transportadores autônomos, a fim de aumentar o número de transportadores disponíveis e de democratizar o acesso de pedidos a esses transportadores autônomos.

Aliás, se tem uma palavra que combina com a startup é a questão da democratização do acesso às informações desse mercado.

Como me relata Victorio, hoje existe uma centralização da informação sobre transportes de encomendas nas mãos da transportadora regional que, na maioria das vezes, não tem frota suficiente para a demanda, e terceiriza esse serviço a autônomos – a preços muito baixos, contudo. Com cachê reduzido a eventualmente 10% a 20% do valor pago pelo transporte, resta ao autônomo arcar com custos de gasolina, pedágios e com o risco de se aventurar pelas estradas brasileiras.

A ideia da Leva Lá vem a partir da criação de um social commerce por meio do qual todos terão acesso à mesma informação proposta pelo embarcador que essas transportadoras atualmente centralizam. O contratante desses serviços avaliam o contratado por diversos critérios, como comportamento, cumprimento de prazos e postura – essas avaliações, feitas por empresas e embarcadores variados, estão disponíveis na plataforma on-line para fins de decisão.

Isso não inclui a diminuição do custo de transporte da carga – os preços continuarão os mesmos – mas a distribuição de uma renda dentro desse mercado, de forma que pessoas estejam recebendo mais e que também estejam mais satisfeitas, o que, por sua vez, daria mais qualidade, rapidez e eficiência aos serviços.

O maior desafio da startup tem sido integrar os transportadores autônomos nessa plataforma, já que nem todos têm smartphones. A solução é usar a boa e velha mensagem SMS, que serve, também, para dar check-in dos pontos nos quais a carga se encontra – e dar ao contratante o status sobre o serviço contratado.

A startup, cuja sede fica em Lavras (MG) e que tem uma “sucursal” em Belo Horizonte (no QG da Acelera MGTI), mantém sete sócios, além de Victorio (diretor de operações): André Saúde (inovação) e Eduardo Gonçalves (marketing; os dois atuam parcialmente na empresa); Gabriel Coutinho (diretor executivo no desenvolvimento); Tiago Castro Freire (tecnologia); Daniel Zanzini (desenvolvimento e tecnologia); e Adriano Reginaldo (que tem 20 anos de experiência no mercado de transporte e logística, lidando diretamente com autônomos).