Bel Pesce, Yuri Gitahy, StartupFarm, Startup Weekend, Start-Up Brasil, Lean Startup Machine, Sebrae… As iniciativas estão vindo de todos os lados e quem quer se preparar para empreender no Brasil tem uma ótima oportunidade, segundo Guga Gorenstein, cofundador da Poup e um dos expoentes do empreendedorismo de Brasília. Ele teve que procurar conhecimento fora do país –passou por organizações como Y Combinator e Stanford–, mas afirma que agora o país vive um bom momento de preparo de suas startups.

No Ping Pong desta quinta-feira, falamos com Guga sobre os desafios, o aprendizado, a escolha do time e o mercado brasileiro de startups. Veja a entrevista na íntegra (está cansado de ler sempre as mesmas perguntas aqui? Veja nosso aviso no fim do post!):

O que te inspira na vida e no trabalho?

Acho que sou muito inspirado por exemplos de pessoas que ajudam as demais. Sempre acho que se todos fizerem algo de bom hoje, amanhã a gente vai estar em um lugar ainda melhor. Me sinto inspirado quando vou dormir tendo feito algo legal para alguém. E não custa muito. Pode ser uma boa conversa, um sorriso, uma mentoria ou até ajudá-la a comprar o que ela deseja de uma forma melhor.

Você lembra como foi seu primeiro contato com a tecnologia?

Acho que foi um computador 386 que meu pai comprou e pediu para eu fazer uma apresentação de powerpoint para um congresso de oftalmologia que ele ia apresentar. Era super divertido montar as histórias com ele e depois criar os slides.

O que te fez começar a empreender? Como você se preparou para ser um empreendedor?

Acho que foi a vontade de fazer algo melhor do que existe hoje. A vontade de criar valor. Tirar algo do papel.

A preparação acho que vem de um conjunto de experiências. Experiências empreendedoras na faculdade, experiência profissional em uma multinacional. Mestrado em Empreendedorismo em tecnologia no exterior. Criei uma startup em Londres que ganhou um prêmio legal e foi bater no YCombinator. Poup foi escolhida para um Programa em Stanford no ano passado que me ajudou a ter uma dimensão do que é o Vale do Silício e esse mundo de startups. Ajudar outras startups e aprender com erros e acertos. Encontrar bons mentores e amigos que me ajudaram neste caminho. Ter o apoio da família.

Acho que quem quiser se preparar aqui no Brasil e precisar de conteúdo ou contatos, tem uma ótima oportunidade agora. Tem os cursos do Farm, as palestras do Yuri Gitahy, os workshops do Bizstart, os Startup Weekends pelo Brasil, tem o Startup Weekend Next, o Lean Startup Machine. Tem o apoio do Bizpark da Microsoft. As aulas da Bel Pesce. As aceleradoras estão fazendo seus eventos com foco em educação e networking. O Sebrae tem feito cada vez mais para aprender, participar e apoiar. Tem sempre meetups legais com cases de sucesso como Geeks on Beer. Enfim, pensando aqui rápido, já achei várias formas de novos empreendedores, que tiverem afim de criar uma Startup, de começarem a entrar neste mundo. Tem um monte de oportunidades para preparação.

Quando você começou esta startup, qual foi sua visão de sucesso?

Compras mais baratas pela internet ou até acesso a produtos e serviços a quem não poderia. As coisas no Brasil são caras demais e se existe um jeito de deixá-las um pouco mais acessíveis, acho isso fantástico.

Além do mais, no modelo de negócio do Poup, vejo um ciclo em que todos os envolvidos ganham e isso, para mim, é uma visão linda. Por exemplo, os usuários compram nas lojas favoritas, a qualquer hora, qualquer produto, e ainda ganham parte do valor de volta para gastarem como quiserem. As lojas online tem um acordo de afiliado super legal conosco que deixa claro que só nos pagarão algo se as ajudarmos a vender, ou seja, não tem risco para elas. Poup fica com uma pequena parte desta comissão e devolve o resto aos compradores.

No Brasil, todo mundo é meio técnico da seleção e quer escalar o time dos sonhos. Como você fez para escalar o seu time?

Acho que um bom time tem que se complementar em skills, ser convergente em conceitos e visões e, principalmente, feliz no convívio. Não funciona um jogador excelente tecnicamente, que não compactue com a estratégia. Nem aquele atacante goleador, mas que não se dá bem com os demais. Sem alegria o dia-a-dia perde o sentido. Se o time não joga junto demora mais para chegar ao gol. Hoje a Poup tem parte da equipe fora de Brasília, mas acho que estamos tão alinhados nos princípios acima que temos ganhado algumas partidas.

Ah, não dá para deixar de falar que sempre estamos em busca de novos talentos ou seja: Jogadores que adoram promoções, ofertas e descontos, mandem seus agentes nos ligarem.

Você gasta quanto do seu tempo com vendas?

Depende do que é vendas para você. Se lidar com parceiros e usuários é vendas, gasto 70% do meu tempo, feliz, com isso.

Prefere bootstrap ou empreender com o dinheiro de sócios?

Os dois podem ser importantes, em fases diferentes do negócio, ou até mesmo dependendo do modelo de negócio ou estágio do mercado.

A vantagem primordial do boostrapping é que o empreendedor consegue ficar com uma fatia maior da sua startup. Isso pode fazer diferença, tanto no prêmio lá na frente, no caso de um exit, ou mesmo antes disso, por ter controle total da sua empresa.

Funding também é importante, em alguns casos. Por exemplo, se a startup precisa testar algo que necessita de aportes (biotech, por exemplo) ou se precisa de mais um tempo no mercado para testar hipóteses, ou se quer contratar uma equipe de primeira linha, ou até se precisa ganhar mercado mais rápido que o concorrente. Para esses casos (e vários outros) investimentos de FFF, anjos ou VCs podem fazer sentido. Vale lembrar que os investidores também podem trazer outros benefícios às startups além da grana: conhecimento, networking, serviços, mentoring, etc.

Acho que no caso de funding, cada caso é um caso.

Você venderia sua empresa e se desligaria dela? Como isso aconteceria?

Acho que agora não é hora de pensar nisso. Estamos 100% focados em construir um serviço super legal que ajude pessoas a poupar em compras online e deixar o Porquinho do Poup disponível para o maior número de pessoas possíveis.

Para onde o mercado brasileiro vai? E as startups vão junto, vão na frente ou atrás?

Acho que já estamos vendo o mercado indo para online/mobile. É uma realidade lá fora e que está cada vez mais forte aqui. Sem dúvida, vamos liderar este processo. Cada dia ouço falar de mais núcleos regionais de startups, essas comunidades se falam e se ajudam. Além disso, o governo entrou agora também para dar o seu empurrãozinho, com o Felipe Matos a frente do Startup Brasil. Vamos todos juntos liderar esse movimento.

Você se sente realizado? já conquistou o sucesso? Sua noção de sucesso alterou conforme a trajetória da startup?

Ainda falta muito para o sucesso. Eu sou daqueles que acredita que a realização está no caminho, na jornada e não no objetivo. Ou seja, fico super feliz quando estou planejando e executando algo, mas já começo a procurar outro objetivo quando finalizo alguma coisa.
O sucesso sempre está na próxima grande coisa.

Quais startups te deixam mais feliz como cliente?

Acho que aquelas que resolvem bem aquela única coisa que me prometeram e que me tratam como pessoa e não como um número.

Se você fosse se tornar sócio investidor de uma startup, qual ou quais seriam elas?

Gosto de olhar idéias, produtos, mercado, mas o segredo está, de verdade, no time. Dalí saem a alma, posicionamento, execução e idéias de uma startup vencedora. Pessoas boas fazem acontecer. Pensando assim, tem um monte de fundador legal pelo Brasil afora. Tem o pessoal de BSB, como QualCanal.tv ou os meninos do Denare. Tem no Rio a Sync ou a HE:Labs. Em Recife, tem o pessoal do Eventick. Em Campinas tem a LedFace. Em São Paulo tem a Ingresse. Posso continuar falando de fundadores legais em Porto Alegre, Floripa, Bahia, Manaus, São Luiz… São times super legais que tem tudo para criar soluções fantásticas para o mercado.

Quais dicas você daria para quem está pensando em empreender uma startup?

A primeira coisa é: entenda a proposição de valor que você quer entregar. E proposição de valor não é a solução. A solução é o meio pelo qual você entrega a sua proposição de valor.

A segunda é: faça CustDev. Vá ouvir, aprender, entender, conhecer os seus segmento de clientes. É para eles que você vai vender e, conhecendo eles a fundo é bem mais fácil de agradá-los mais para frente.

Terceira e última: valide antes de construir. Deixando claro que mãe, amigo e mentor não vale como validação. Construir para depois validar tem riscos enormes de dispêndio desnecessário de dinheiro, foco e tempo.

Empreenda no meio que te dá prazer. Já é tão difícil o dia-a-dia que se você não gostar do mercado em que está entrando, a coisa vai ficando difícil no longo prazo. Eu sou maluco por descontos e programas de fidelidade. Num dia difícil eu olho para quantas pessoas a gente ajudou a poupar e isso já me deixa super realizado.

LEIA AS EDIÇÕES ANTERIORES DO PING PONG

Aviso: A ideia da coluna do Ping Pong é mudar as perguntas feitas aos empreendedores de tempos em tempos e estamos no momento de reformulação. Você tem alguma pergunta que gostaria de ver aqui? Envie sua sugestão para amanda@startupi.com.br