Frederico Lacerda é líderes em uma das aceleradoras brasileiras de destaque e teve que ralar bastante para chegar lá. No Ping Pong de hoje, ele conta pra gente que teve sua experiência com empreendedorismo ainda na faculdade, na empresa júnior. Passou por consultoria, acumulou vivências em outras indústrias e países e se preparou por quase um ano antes de decidir largar tudo e empreender novamente com a criação da 21 212.

Na entrevista, o sócio-fundador e investidor fala de inspirações, a escolha do time e do fato de se sentir realizado desde o primeiro dia do programa de aceleração da 21 212.

Veja a entrevista na íntegra (está cansado de ler sempre as mesmas perguntas aqui? Veja nosso aviso no fim do post!):

O que te inspira na vida e no trabalho?

O que me inspira tanto na vida quanto no trabalho é “criar significado”. Em tudo o que faço na vida, tento entender de que forma agregarei valor para. Quando entendo que o impacto das minhas ações está gerando bem estar ou melhorando a vida das pessoas fico completamente animado e inspirado.

Você lembra como foi seu primeiro contato com a tecnologia?

Comecei a brincar com computadores bastante jovem, antes dos 10 anos de idade. Sempre gostei muito de jogos, mas a tecnologia em si me interessou mesmo aos 13 anos, quando comecei a desenvolver roteiros e programar (de forma bem iniciante) jogos multiplayer online. Entretanto, não me tornei um desenvolvedor e também não segui uma formação acadêmica focada em tecnologia, mas tomei gosto – e jeito – a partir de então.

O que te fez começar a empreender? Como você se preparou para ser um empreendedor?

Tive a minha primeira experiência com empreendedorismo ainda na faculdade, em uma empresa júnior. Nestas experiências extremamente intensas, a minha principal motivação era a realização pessoal e sensação de dever cumprido, de impacto, nas pequenas vitórias do dia a dia. Com o objetivo de me desenvolver, acabei escolhendo iniciar uma carreira corporativa em consultoria de gestão estratégica, um caminho que me permitia aprender sobre muita coisa de forma rápida.

Consegui acumular uma vivência incrível em diversas indústrias e países, além de uma capacidade de adaptação para entender e buscar soluções para qualquer tipo de problema, mas em pouco tempo caiu a ficha de que nada daquilo me deixava realizado, de que a dimensão do impacto do meu trabalho não era a mesma de antes. Passei quase um ano me preparando para empreender novamente e decidi largar tudo e pular de cabeça.

Quando você começou a aceleradora, qual foi sua visão de sucesso?

A 21212 foi fundada no início de 2011, quando eu e meus sócios resolvemos largar os nossos empregos ou empresas para criar algo novo. A nossa visão vinha amadurecendo ao longo de 2010 e era simples: combinar experiências empreendedoras e profissionais complementares para criar negócios de forma escalável e aproveitar a oportunidade gigante que começava a se formatar no mercado digital brasileiro.

Queríamos juntar todas as experiências adquiridas pelos nossos fundadores ao longo de anos criando, gerindo e vendendo startups no Brasil e nos EUA, além dos contatos adquiridos em todo este processo, para mudar a situação que a maior parte das startups brasileiras se encontrava naquele momento. Encontramos nas aceleradoras dos EUA o melhor modelo para executar a nossa visão e começamos a estruturar a nossa operação.

No Brasil, todo mundo é meio técnico da seleção e quer escalar o time dos sonhos. Como você fez para escalar o seu time?

Escalo o meu time buscando pessoas que me complementem e que sejam melhores do que eu. Esta é a nossa filosofia na 21212 e na vida. O nosso time dos sonhos é feito por integrantes que agregam um valor específico, mas que também compram os desafios dos demais. E uma coisa que muitos defendem e nós já validamos: pessoas “A” atraem outras pessoas “A”.

Você gasta quanto do seu tempo com vendas?

Não tenho um papel específico em vendas dentro da 21212, mas tenho um comportamento de vendas que está presente o tempo inteiro. Todos os dias tento vender a oportunidade de empreender no mercado digital brasileiro a talentos do mercado corporativo, a relevância de se preparar e adotar práticas mais inteligentes, empreendedores e, principalmente, os produtos criados pelas nossas startups aos seus potenciais clientes.

Prefere bootstrap ou empreender com o dinheiro de sócios?

Acredito que as duas formas são adequadas para diferentes momentos do empreendimento e para o perfil do empreendedor. O bootstrap é adequado no início, quando ainda se está validando hipóteses, enquanto o investimento é fundamental quando está na hora de ganhar tração e escala. Particularmente, prefiro empreender com o dinheiro de sócios, desde que ele também venha com experiências, conhecimentos e networking.

Você venderia sua empresa e se desligaria dela? Como isso aconteceria?

O meu estilo de fazer as coisas sempre envolveu extrema intensidade e comportamento de entrega. Estou em um momento em que a 21212 é a minha vida. Acredito que a empresa deve fazer sentido para o empreendedor e o empreendedor deve fazer sentido para a empresa. Enquanto a 21212 for o meio que atende as minhas expectativas, não espero sair. Mas quando achar que já dei tudo o que podia e que a empresa também já me ofereceu tudo o que poderia vou buscar outro projeto para fazer acontecer.

Para onde o mercado brasileiro vai? E as startups vão junto, vão na frente ou atrás?

Já provamos com números que possuímos um mercado que consome produtos e serviços digitais. O próximo passo é provar que conseguimos ter startups que podem aproveitar este potencial. Com todas as dificuldades para se criar e gerir uma empresa no Brasil, eu colocaria as startups atrás do mercado neste momento. Mas a tendência é que estejam cada vez mais juntos.

Você se sente realizado? já conquistou o sucesso? Sua noção de sucesso alterou conforme a trajetória da startup?

Eu me sinto extremamente realizado desde o primeiro dia de aceleração na 21212. Para mim, conquistamos sucesso a cada nova vitória das nossas startups, a cada novo cliente que elas conquistam. Ainda não estou satisfeito em relação à nossa visão maior, de ajudar a construir as maiores empresas digitais da América Latina e, porque não dizer, do mundo. Este é um objetivo constante, é a direção para a qual olhamos todos os dias. A minha noção de sucesso muda o tempo inteiro. Acho que somos cada vez mais ambiciosos e agressivos em relação ao objetivo de onde nossas startups conseguem chegar.

Quais startups te deixam mais feliz como cliente?

Na vida profissional, exemplos de startups que me deixam muito satisfeito como usuário são o Mailbox, Podio e o Mailchimp. Na vida pessoal, sou cliente e super fã do Airbnb, do Dropbox e do Selo Reserva.

Se você fosse se tornar sócio investidor de uma startup, qual ou quais seriam elas?

Já sou sócio de quase 30 startups que foram ou estão sendo aceleradas pela 21212. Neste portfólio está uma boa amostra do tipo de startups nas quais acredito. Fora do Brasil, eu investiria no Airbnb, que apesar de já possuir tração e valor excepcionais, ainda me impressiona quanto às possibilidades de expansão.

Quais dicas você daria para quem está pensando em empreender uma startup?

Empreender é um estado de espírito. Não conheço um empreendedor de sucesso que não tenha vivido a sua startup de corpo e alma. Por isso, a dica mais importante na minha opinião é estar 100% focado e dedicado. Quanto mais energia for direcionada à sua empresa – seja aprendendo, pesquisando, executando… -, mais chance você tem de não estar perdendo o seu tempo!

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Aviso: A ideia da coluna do Ping Pong é mudar as perguntas feitas aos empreendedores de tempos em tempos e estamos no momento de reformulação. Você tem alguma pergunta que gostaria de ver aqui? Envie sua sugestão para amanda@startupi.com.br