Não é sempre que falamos de aceleradoras norte-americanas por aqui, já que geralmente optamos por colocar foco nelas somente quando têm brasileiros participantes. No caso da Defy Ventures, decidi abrir uma exceção pelo caráter único da iniciativa. A Defy oferece um programa de treinamento na área de negócios e empreendedorismo para quem tem ficha criminal suja, incluindo ex-presos por crimes como tráfico de drogas e homicídio.

Entrei em contato com Annalisa Ortiz, uma das responsáveis pelo programa, e ela divulgou algumas informações atualizadas sobre o balando 2012 da Defy. Segundo ela, no total, foram 75 estudantes/empreendedores divididos em duas classes ao longo do ano. Cada um deles completou 125 horas de treinamento em áreas como empreendedorismo, desenvolvimento de caráter e liderança. Ela conta que ainda é cedo para comemorar, mas diz com orgulho que, por enquanto, nenhum deles voltou a cometer crimes.

No total, 21 negócios novos foram lançados na primeira turma do programa e Annalisa conta que a previsão é que 41 novos negócios sejam lançados ainda em fevereiro de 2013.

A Defy também criou uma incubadora de empreendedores, que dá acesso a escritórios para as startups criadas e serviços jurídicos, de marketing e contabilidade. Foram incubados cinco negócios, que, em alguns meses, geraram US$ 74 mil em receita e US$ 25 mil em lucro. Segundo a Defy, as empresas incubadas também geraram empregos para outros estudantes que fizeram o programa.

A aceleradora foi criada em 2010 e funciona, também, como uma startup. Criada por Catherine Rohr, a iniciativa afirma ter levantado US$ 2,5 milhões para tocar o negócio, vindos de mais doadores, fundações dos EUA e empresas como Google, Bloomberg e Bridgeway Capital.

A Defy me chamou atenção no ano passado, quando li um artigo do “New York Times” sobre os ex-presos que estavam recebendo o curso. O jornal conta a história de Jose Vasquez, preso por traficar heroína em 2009, que encontrou novas funções para as “habilidades” que desenvolveu cometendo crimes. Jose criou a Happy Vida, um serviço que resolve pendências para profissionais da cidade de Nova York.

Já Fabian Ruiz, que passou 21 anos na prisão por matar um homem, criou a Infor-Nation, uma companhia que faz pesquisas na internet para presos e envia os resultados a eles por e-mail.

“Se a pessoa for presa por roubo, por exemplo, nós não queremos que ela comece um negócio de limpar casas, mas eles podem fazer o que quiserem”, disse Catherine, ao “New York Times”.