Quando saiu a lista das empresas mais inovadoras do mundo, feita todo ano pela revista norte-americana “Fast Company”, apenas uma companhia da América Latina estava representada e era a brasileira Enalta. Com um negócio que envolve pesquisa e criação de hardware e software para a automação agrícola, a Enalta foi criada em 1999, mas tem um jeitão de startup, segundo Giandri Machado, diretor-executivo de negócios.

“A gente se encaixa no termo startup porque foram dez anos de pesquisa e desenvolvimento e só nos tornamos uma empresa de negócios nos últimos anos”, conta Giandri, que separou um tempo no seu dia corrido de reuniões para falar comigo por telefone, direto de São Carlos, onde fica a sede da companhia. “Somos uma empresa de negócios e fomento de conhecimento e tecnologia, assim alcançamos esse reconhecimento de fora”, disse.

Na prática, as tecnologias da Enalta ajudam o agricultor que planta a cana de açúcar a monitorar as condições do cultivo e aumentar a produção de etanol. Entre os produtos criados pela companhia brasileira estão sensores, softwares de GPS e um produto comandado por voz que monitora as plantas em tempo real.

“O nosso caráter inovador está em desenvolver esses equipamentos, o software, e transformar isso em produto”, completa o diretor. Segundo ele, o braço de negócios da companhia tem que convencer o agricultor a comprar um produto que vai dar retorno “daqui a duas safras” . “Precisamos convencer o cliente a investir nisso para combater um fator gigantesco, que é o clima”, afirma.

Giandri explica que, na rotina diária, a Enalta funciona com dois braços –o de pesquisa e desenvolvimento e o de negócios—interagindo e se unindo para entregar a solução inovadora e a visão de negócios.

O valor econômico do etanol, dado pelo mercado, mostrou a importância de acompanhar a produtividade desse mercado para a Enalta. “O detalhamento que levamos para a usina de cana só foi possível com pesquisa e desenvolvimento, implementação de campo e resultados. Algumas usinas economizaram até 16% no combustível. Nossos clientes fizeram economias de milhões”, diz o diretor.

Localizada em São Carlos, a Enalta tem escritórios espalhados pelo Brasil. A companhia foi fundada em Catanduva e chegou a ficar incubada em um parque tecnológico após se mudar para São Carlos. “O nosso fundador encontrou numa cidade de médio porte uma boa estrutura para receber a Enalta em sua segunda fase. Aqui temos a Ufscar (universidade federal) e a Embrapa”, conta Giandri. Segundo ele, por “trabalhar com o conceito de uma startup” pode ser que a Enalta tenha um novo momento bom como o atual em alguns anos, talvez com uma nova tecnologia criada.

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