A ideia de gerar experiências offline para os consumidores impulsionou a criação de uma startup online em Brasília. A BestPresent, que vende caixinhas que “valem” uma experiência em áreas como gastronomia ou lazer, foi ao ar na metade de 2012, depois de um ano de desenvolvimento. Na criação da companhia, Cláudia se junta a outros três sócios.

Fazer a intersecção entre o online e offline também exige que a empresa tenha uma estrutura extra, conta Cláudia. “Além da operação na internet, temos um trabalho de desenvolvimento de experiências com os nossos parceiros e a operação de logística e entregas”, explica.

Veja a íntegra da entrevista com a empreendedora.

O que a motivou a abrir o negócio?
A ideia de criar oportunidades para que as pessoas vivam novas experiências. Temos muitas opções de lazer, gastronomia, diversão em Brasília… Mas elas são muitas vezes desconhecidas e as pessoas não usufruem. A mesma coisa acontece em outras cidades. O Brasil cresce e as pessoas querem ter acesso a novos produtos e serviços. Isso é ótimo! As pessoas querem comprar coisas novas e, acima de tudo, viver coisas novas, ter experiências novas.

A Best Present surgiu da ideia de criar oportunidades para que as pessoas tenham novas experiências, possam usufruir de serviços legais, muitas vezes inovadores, que elas talvez nem soubessem da existência. Queremos criar vínculos entre as pessoas. Queremos criar oportunidades para que pessoas possam apresentar um mundo aos seus amigos, deem de presente uma experiência, proporcionem um momento de prazer e conforto, talvez abram uma porta para um mundo novo.

A Best Present está aí para criar oportunidades! Essas oportunidades serão lembradas por quem receber os nossos presentes… É por isso que dizemos que a Best Present está aí para fazer lembranças!

Quais são suas experiências prévias?
Os sócios tem experiências diferentes e complementares. Todos já tiveram outros negócios. Uma das minhas primeiras atividades profissionais foi montar um negócio: um café, em Brasília. Depois disso, montei uma loja de roupas. Fui gestora de empresas familiares, trabalhei em uma empresa de TI e no setor de telecomunicações, com passagens por cargos de gerência na TIM e na GVT.

Rafael e Vitor [outros dois sócios] são ‘startupeiros’ por excelência. Formados em Ciência da Computação pela UnB, estão na segunda empresa/projeto. O Roberto, que completa o time de sócios, tem experiência em consultoria e em negócios de tecnologia. Foi sócio de empresas de sistemas, automação e consultoria. Além disso, tem uma forte experiência de pesquisa.

O nosso gerente de operações da Best Present, Alan, foi executivo comercial de uma multinacional de alimentos e montou dois negócios próprios, um deles uma franquia de fast food.

Vocês já tem investidores?
O investimento inicial está sendo bancado com capital próprio dos sócios. Ainda não temos investidores.

Quanto tempo levou para o negócio estar pronto funcionando?
Foram 12 meses desde o surgimento da ideia até o “go live do sistema de vendas. Estamos melhorando a cada dia, com os “inputs” de parceiros, clientes e outros empreendedores. A cada dia temos um parceiro novo, novas experiências no ar. Assim, posso dizer que o negócio não está e na verdade nunca “pronto”, estaremos sempre evoluindo, revisando o modelo de negócios, aprimorando o processo de compras, desenvolvendo novos produtos, melhorando o mix de experiências.

O que foi mais desafiador (e de maior aprendizagem) neste processo?
São dois os pontos mais desafiadores: planejamento e venda do conceito.

O planejamento é chave para um negócio como o nosso. Além da operação na internet, temos todo um trabalho de desenvolvimento das experiências em conjunto com os nossos parceiros, temos a operação física da empresa, incluindo a logística de entregas. Nesse sentido, a Best Present é diferente de uma startup 100% internet. Para que se teste o conceito, precisamos ter a operação logística funcionando e a rede de parceiros montada.

Como o conceito do negócio é novo, é preciso vender a ideia para parceiros e clientes. O nosso modelo é de geração de valor para parceiros, compradores e presenteados; não é redução de custos e margens, como no caso das compras coletivas. Como o mercado foi muito ‘contaminado’ pelos sites de compras coletivas, sempre temos que explicar que a Best não é compra coletiva.

Qual é a situação do negócio?
Iniciamos a operação na metade de 2012, quando lançamos a versão “private beta”.  Aprendemos com os usuários, reestruturamos equipe, mudamos tecnologia e visual e lançamos a versão beta aberta em dezembro. Fizemos isso após uma ampla pesquisa com clientes –escutamos mais de 200 pessoas– e tivemos vários inputs e mudamos o produto e o site.

Continuamos a ampliar a rede de parceiros e o mix de experiências. Já temos mais de 135 experiências cadastradas e cerca de 40 parceiros. Estamos trabalhando no desenvolvimento de novas experiências com os parceiros e procurando parceiros estratégicos – se alguém tiver interesse e só entrar em contato através do [email protected].

Ao mesmo tempo, na medida em que acumulamos mais dados de vendas e acessos, estamos trabalhando para estabelecer o domínio das métricas do negócio. Estamos monitorando e discutindo acessos, cliques, conversões a cada dia!

Como você posiciona o negócio no mercado? Já que vocês já têm competidores…
Para que o nosso modelo de negócios seja sustentável, é preciso que geremos valor para os clientes (quem compra), os presenteados e os parceiros. Nos diferenciamos dos concorrentes por essa abordagem. Nenhuma empresa tem a oferta de experiências que a Best Present montou nos mercados onde atua.

O que mais você imagina para o futuro?
Aprimorar os processos, ampliar o mix e expandir as operações. Isso incluirá novas cidades, que ainda estamos definindo. A ideia é que nos tornemos uma referência em presentes marcantes, por meio de uma rede de parceiros qualificada e ampla em cada uma das cidades nas quais estaremos presentes.