Várias vezes já comentei sobre negócios sociais aqui no blog, por identificar características em diversos projetos tecnológicos e por acreditar que pode haver uma boa combinação entre o tipo de empresas e produtos que são esperados de startups tecnológicas e de negócios sociais.

Há um estudo feito por ANDE Polo BrasilPotencia VenturesAvina e Plano CDE que identificou 140 negócios sociais/inclusivos no Brasil e foi conhecer 50 deles mais a fundo. As principais revelações foram transformadas em um infográfico pela Meridiano Digital e pela Luz Loja de Consultoria. Confira os números e como você pode se inserir nesse contexto.

Principais pontos do estudo, conforme apontados pelo consultor Rafal Ávila, da Luz:

  • a base da pirâmide não faz parte desse cenário empreendedor (78% dos entrevistados possuem ensino superior ou pós e sabemos que essa não é a realidade de nossas comunidades);
  • ainda são oferecidos muito poucos serviços para a base da pirâmide relacionados a arte e cultura, educação, tecnologia e saúde;
  • 96% dos entrevistados começaram seus negócios com o objetivo de gerar impacto social, mas apenas metade dos entrevistados mensura seu impacto social;
  • empreendimentos analisados se propõe a atingir (pelo menos seus beneficiários se enquadram) a base da pirâmide;
  • foco é vender produtos para pessoas físicas ou para empresas (bem legal ver que elas não estão dependendo de doações ou do governo).

 

Mapeamento de Negócios Sociais no Brasil
Blog LUZ – Loja de Consultoria

 
Linhas de ação sugeridas pelo Rafael:

  • desenvolvimento de iniciativas que promovam o empreendedorismo dentro de comunidades. Gosto muito da pegada da Aliança Empreendedora. Já a Dharma Comunicação e da Agência de Redes são iniciativas maravilhosas, mas que ainda possuem  grandes desafios para se consolidarem cada vez mais como negócios sociais;
  • se estamos entrando em um mundo cada vez mais digital, nada mais justo que proporcionar inclusão digital para a base da pirâmide (sei que já temos o CDI e CDI Lan e algumas outras, mas o cenário ainda é muito incipiente). Isso porque nem comentei da falta de oportunidades culturais e artísticas, bem como negócios voltados para a saúde;
  • cada vez mais é importante a adoção de indicadores e, para quem está na dúvida, eu indico osindicadores IRIS. Para quem tem visão, existe uma oportunidade legal na área de mensuração de resultados de iniciativas que geram impacto social (afinal de contas, o que não falta são investidores interessados em colocar grana em oportunidades maneiras e que estejam dando resultado comprovadamente);
  • é muito maneiro ver essa explosão de negócios e empreendedores com um propósito e querendo fazer a diferença no mundo. Sou apaixonado pelo movimento e fico muito feliz de ver que essa mudança de paradigma está acontecendo;
  • não podemos esquecer que na falta de um governo que consiga atender nossas necessidades, presenciamos a expansão massiva de ONGs e, pelo menos na minha humilde opinião, é importantíssimo criar empreendimentos que não sejam dependentes de uma grande empresa ou de editais do governo (estamos cansados de ver o apoio acabando no minuto em que a grande empresa ou o governo enfrentam problemas).