Comentei com alguns investidores brasileiros sobre um artigo que li em um site de Boston, no qual investidores comentavam quais coisas denunciavam um empreendedor imaturo.

Update/disclaimer: os investidores no artigo original (que motivou este) vivem em outro contexto, com um mercado muito mais intenso, calejado e alvo de abuso, com muita gente tentando entrar de qualquer jeito. Aqui, não estamos zombando de empreendedores ou sendo contra, apenas verificando opiniões de investidores locais – que, como vocês podem ver, são muito mais amigáveis do que aqueles no artigo de Boston e tem uma abordagem muito mais construtiva.

Vejamos o que alguns investidores brasileiros disseram.Â

Eu pessoalmente não creio que, em contextos de extrema incerteza, se possa culpar alguém por ser exclusivamente imaturo, mas também não dá mais para achar que o mercado de investimentos é uma brincadeira. Investidor não sabe tudo, mas empreendedor não pode descansar no rasinho da teoria lean de ir aprendendo – tem coisa que tem que saber, saber fazer. Especialmente se o produto-negócio que vai ser investido já tem modelo comprovado e basta executar: aí é tudo uma questão de executar, ser um executivo sagaz.

Edson Rigonatti (Astella Investimentos): É difícil ter um padrão. Já vimos um pouco de tudo que relataram nesse artigo. Nós acreditamos que não dá para formar uma opinião em apenas um encontro. As pessoas ficam nervosas e isso não representa o dia-a-dia delas. Por isso gostamos de “namorar”. Quando queremos uma oportunidade, procuramos criar “lições de casa” para nós e para os empreendedores. Assim analisamos a dinâmica, e aprendemos mais profundamente como as pessoas funcionam. Se não rola química, ou o empreendedor não acha que tem muito a aprender, a oportunidade não é para a gente.

Cassio Spina (Anjos do Brasil): Não espero que o empreendedor seja um “super-pitcher” e tenha respostas para tudo; pelo contrário, à s vezes é até ruim quando questionamos algum ponto e ele imediatamente contra-argumenta sem ouvir e aí vai o primeiro recado: o empreendedor precisa também ouvir o que o investidor tem a dizer e também. Fazer perguntas para ele, como: qual é o foco do investidor (para ver se bate com o negócio dele), se tem disponibilidade/interesse de olhar o projeto dele, etc.

Na minha opinião, apenas alguns “pecados” que o empreendedor não pode cometer: não ser transparente, pois o que mais importa no contato inicial é estabelecer uma relação de confiança e qualquer ponto que cause dúvida sobre isto, é certeza de ser descartado; outro ponto é não fazer o que chamo de “lição de casa”, isto é, estudar e pesquisar na Internet sobre como deve se apresentar e não cometer erros básicos, como os citados na matéria indicada. Nós damos algumas destas dicas e alguns links em nosso site.

Com relação ao empreendedor brasileiro, um dos pontos que vemos com alguma frequência (cada vez menor, ainda bem ;-) é ele achar que sua idéia é tão genial que não pode contar para ninguém. Obviamente que neste caso não temos como avaliar o negócio; na realidade, o que acontece é que o empreendedor acha que não pode contar detalhes que pode ser copiado até pelo próprio investidor e aí vão dois recados: se você não falar, vai parecer que está escondendo algo, o que já é ruim; e pior: não vai conseguir demonstrar o valor do seu negócio. Assim, novamente, o empreendedor deve fazer a sua lição de casa em pesquisar sobre o investidor antes de procurá-lo, para ter a tranquilidade e confiança de que pode contar seu “segredo”, lembrando que na realidade uma idéia em si não vale muita coisa, pois o que interessa é a diferenciação na sua execução. Se ela for facilmente copiada e não for patenteável, nem vale a pena para o próprio empreendedor gastar tempo nela, pois nenhum investidor irá se interessar.

Enfim, eu não espero que o empreendedor saiba tudo e, pelo contrário, acho normal ele estar aprendendo e me disponho sempre a buscar orientá-lo no que me é possível, mas é claro que para receber investimento, dependerá da dedicação dele.

Pierre Schurmann (Bossa Nova Investimentos): meu contraponto é este vídeo E a pergunta que faria aos investidores brasileiros é: você investiria neste menino?