Acabei de conversar com Jeff Gomez , (CEO da Startlight Runner Entertainment), um dos palestrantes aqui no I Congresso Internacional do Livro Digital. Como consultor de criatividade Jeff atende clientes da Fortune 500, como Disney (Piratas do Caribe), 20th Century Fox (Avatar), Microsoft (Halo), e Coca-cola.

Jeff veio falar de narrativa transmídia, de como atualmente é necessário estar onde o cliente está, e de como é possível faturar com produtos em múltiplos formatos e linguagens . Esta é uma lição não apenas para a indústria editorial, mas que pode e deve ser encarada inclusive por startups já nascem em um contexto de competitividade e inovação.

Para entender como funciona narrativa transmídia, confira esse post do consultor e professor universitário brasileiro Vince Vader. Confira abaixo as respostas de Jeff Gomez com exemplos de como narrativas transmídia podem ajudar nos negócios:

  • na cultura popular, as narrativas transmídia vem sendo abraçadas e proporcionando força para marcas, produtos e empresas;
  • vemos a emergência disso na medicina, na propaganda, em Hollywood, na indústria de videogames. A indústria editorial está apenas descobrindo o potencial da transmídia, há uma série de desafios na execução
  • tornar-se digital é muito difícil para editoras. Aprendi que, primariamente, o mercado editorial trata de vender livros tangí­veis, e acho que alguns nesse mercado se esqueceram que o realmente importante é a história, o conteúdo do livro. O conteúdo está sendo transmitido para dispositivos móveis, e as editoras não estão bem preparadas. Mas, aos poucos, parecem dispostos;
  • o preço de produtos digitais é significativamente mais baixo, e isso é difícil porque as editoras ainda sofrem com os custos de produção, estoque, distribuição, etc;
  • penso que as editoras estão se mexendo mais rápido do que a indústria fonográfica;
  • fui chamado aqui para oferecer ideias sobre o que fazer com conteúdo digital, não apenas em termos de distribuição – pois sempre há um novo dispositivo, como Kindle, iPad, iPhone. Eu digo que precisamos entender que o conteúdo é um bem maior, precisamos mudar os modelos de negócios, investirmos mais no desenvolvimento de conteúdo para torná-lo mais fácil de ser adaptado para cinema, música, jogos. Por isso, é necessário mudar a relação com o autor, o leitor e o restante da cadeia;
  • os produtos digitais não terminam com os negócios! Lembrem da TV: no início, ninguém pagava por ela;
  • sempre vai haver grande literatura e o desejo de ler um bom livro;
  • o rádio não acabou;
  • o que me deixa animado sobre o Brasil é a vontade de ouvir e aprender. Vejo um movimento aqui muito mais rápido que nos Estados Unidos.