segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Healthtech Skedia capta R$ 63 milhões sob gestão em novos negócios focados na automação financeira de clínicas e hospitais

Tiago Ribeiro, CEO da Skedia: “Existe uma espécie de buraco negro entre o atendimento e o recebimento".
Empresa utiliza IA e especialistas para otimizar o fluxo de faturamento e combater a perda de receitas médicas.

A healthtech Skedia alcançou a marca de R$ 63 milhões em produção clínica sob gestão em seus primeiros meses de operação. A marca é distribuída por cerca de 20 unidades de saúde e conecta quase mil profissionais a um sistema operacional financeiro projetado para automatizar processos entre o atendimento ao paciente e o efetivo recebimento de valores por clínicas e hospitais.

Idealizada por Tiago Ribeiro — ex-cofundador da fintech Trampay — em conjunto com seu irmão, Rodrigo Ribeiro Freire, a startup foca na resolução do gargalo de “Integridade de Receita”. A proposta envolve identificar atendimentos, emitir faturamentos corretos, gerenciar autorizações de convênios, contestar recusas de pagamento (glosas) e auditar o fluxo de caixa.

“Existe uma espécie de buraco negro entre o atendimento e o recebimento. O prestador sabe que atendeu, a operadora sabe o que vai pagar e o banco sabe quando o dinheiro entrou. Mas, muitas vezes, ninguém tem uma visão completa do que aconteceu no meio do caminho”, afirma Ribeiro, que hoje atua como CEO da Skedia.

O executivo fundamentou a tese da empresa em pesquisas e entrevistas com médicos e gestores, motivado pela vivência de sua mãe, que atuou por 18 anos na gestão de clínicas médicas. “A Skedia nasce para conectar informações que costumam ficar espalhadas, acompanhando atendimentos, guias, produção dos profissionais, faturamento, riscos de glosa e repasses”, aponta Ribeiro.

Operação e integração com Inteligência Artificial

A plataforma da Skedia funciona por meio de um modelo de faturamento gerenciado que combina software, agentes de inteligência artificial e especialistas humanos. Ao digitalizar uma guia médica, a IA realiza a leitura dos dados e preenche automaticamente as etapas necessárias para o faturamento. O sistema cruza as informações com os contratos de operadoras de saúde para prever e corrigir inconsistências antes da submissão das cobranças.

“Queremos conseguir olhar para uma receita e voltar até a origem dela. E fazer o caminho inverso também, coletando tudo o que foi produzido pelo prestador e respondendo quanto disso virou receita, quanto está parado, quanto foi glosado e onde está cada pendência”, explica Rodrigo, que além de cofundador é responsável pela estratégia comercial da healthtech.

Segundo os fundadores, o trabalho manual dos especialistas atua no tratamento de exceções e serve como insumo direto para o treinamento do algoritmo. “A operação precisa ensinar o software. Cada tarefa manual que conseguimos transformar em regra reduz a necessidade de intervenção humana na próxima vez”, complementa Freire.

Aplicação prática e planos de expansão

A proposta da startup busca reduzir a fragmentação de sistemas em estabelecimentos de saúde. Em um dos casos atendidos, uma clínica multidisciplinar localizada no Rio de Janeiro, com aproximadamente 137 profissionais, substituiu a utilização de três plataformas distintas (comunicação, agenda e faturamento) pela centralização dos dados no ambiente da Skedia.

Além da gestão de clínicas, a empresa oferece um aplicativo para que os médicos acompanhem a sua produção, agendas e projeção de repasses em diferentes locais de trabalho.

Para o futuro, a healthtech projeta incluir no fluxo a oferta de serviços financeiros integrados por meio de parceiros, abrangendo contas PJ, conciliação e antecipação de recebíveis com base no histórico de faturamento.

“Queremos integrar todo o caminho entre o atendimento e o recebimento: começando pela autorização do procedimento, passando pela realização do atendimento, registro da produção clínica, faturamento, submissão das contas às operadoras e à conciliação. Contudo, hoje, nosso foco está principalmente nas etapas de autorização, faturamento, submissão e conciliação. O recebimento dos valores e sua posterior distribuição aos profissionais e demais envolvidos aparecem como próximos passos na evolução da plataforma, para que, no futuro, todo esse processo esteja conectado”, detalha Tiago Ribeiro.

O CEO ressalta que o objetivo final é fornecer infraestrutura operacional completa. “Não queremos ser conhecidos apenas como um software de faturamento. Queremos usar tecnologia e IA para assumir progressivamente o trabalho administrativo que existe entre o atendimento e o recebimento. Começamos pela autorização e pelo faturamento, criando um registro financeiro de cada atendimento, e avançamos para a conciliação e, futuramente, para o recebimento e a distribuição dos valores”, conclui.

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