terça-feira, 22 de setembro de 2026

Por que eu espero que "sim, vai ter Copa"

Às vésperas da Copa do Mundo mais escrota dos últimos tempos (ou tão escrota quanto as outras), cada vez mais as pessoas falam: imagina na copa.

˜ Imagina isso na copa, imagina aquilo na copa, a copa é um absurdo, o que vão fazer com aquele estádio no estado X? Será que vai acontecer que nem na Africa do Sul, que abriram os portões? É o fim do mundo! Meus Deus! E as manifestações? ….˜

Não há motivos para celebrar, mesmo. A montanha de dinheiro que está sendo gasta sem retorno algum na base carente do país (saúde, educação, transporte público e tudo que todo mundo já sabe) é revoltante. Sempre odiei futebol, há anos que não vejo nenhum jogo. Não torço mais para nenhum time. Acho que, em termos de comparação, é a mesma política do pão e circo que, em pleno século 21, ainda persiste. Fanatismo em todos os aspectos não é saudável, inclusive no futebol – mas isso é assunto para outro artigo.

Apesar de tudo isso, eu nunca esperei tanto um jogo de futebol, quanto o da abertura da copa. Por que? Se resume a um brasileiro, e sua equipe extraordinária. E não, ele não é jogador de futebol, mas sim um neurocientista, Miguel Nicolelis.

Por que eu espero que "sim, vai ter Copa"

Sou fã demais do cara. Brasileiro, palmeirense, posso dizer que Nicolelis é um verdadeiro jedi. Foi uma das grandes inspirações por trás de um dos meus primeiros projetos.

Miguel Nicolelis é um cara absurdamente apaixonado pelo que faz. Tive uma oportunidade, na UFABC, de assistir a uma palestra dele. Foram incríveis 2 horas em que eu nem pisquei.

Durante todo o tempo, entre conceitos de ondas cerebrais e interfaces humano máquina, vinha uma piada ou outra sobre o palmeiras. No final, ao apresentar o Projeto Andar de Novo, ele se emocionou, junto com as outras tantas pessoas lá presentes. Nunca vi alguém tão intenso, com um propósito tão grande no que faz.

O exoesqueleto, que fará um(a) jovem brasileiro(a), que sofre de lesão medular, usando a atividade elétrica cerebral, caminhar ate o centro do gramado e realizar o chute inaugural da copa do mundo é apenas um dos motivos.

Seu projeto é o expoente máximo do uso criativo da tecnologia. Que não precisamos nos contentar com o ordinário do dia a dia. Que podemos ousar e ser mais, que podemos alinhar desenvolvimento econômico e tecnológico com impacto social.

O meu maior orgulho de ser brasileiro, no país da copa, não é pelos jogadores de futebol, que ganham mais dinheiro do que podem gastar para manter todos alienados na frente de uma caixa preta, que não vai trazer beneficio nenhum ao país, a não ser o entretenimento barato. (Ok, acabei de falar contra o fanatismo e mandei essa. Simplesmente esqueçam, ok?)

O meu orgulho é desse brasileiro, que está a frente de um dos maiores projetos sociais com uso da tecnologia do mundo.

Hoje em dia, tudo é “disruptivo” e as pessoas nem sabem ao certo do que estão falando. O projeto Andar de Novo é verdadeiramente disruptivo. De acordo com a Scientific American: “é um projeto que vai além do limite da ciência atual, e com grande potencial de impacto.”

Da palestra que eu assisti, consegui gravar o audio do finalzinho, onde você pode ler a seguir ou ouvir:

Miguel Nicolelis: “No dia 12 de junho de 2014 na cerimônia de abertura da copa do mundo, onde mais ou menos 2 bilhões de pessoas esperam ver mais do que elas pensam ser o Brasil, mais do estereótipo que foi construído há 100 anos mundo afora do que é o Brasil, país do futebol, da música e da alegria. Mas o que nós queremos é, de certa maneira , surpreender o mundo, na abertura da copa, no momento crucial, no primeiro chute da copa do mundo, realizar no chute da copa do mundo, no país do futebol, o Brasil, um gol da ciência brasileira para toda a humanidade. Um jovem, uma jovem brasileira, que sofrem de uma lesão medular, usando a atividade elétrica cerebral para usar o exoesqueleto, ter postura ereta novamente, caminhar até o centro do gramado e realizar o chute inaugural da Copa do Mundo. Mostrar para todo o planeta que aqui existe mais do que futebol, alegria, música. Que aqui também existe ciência, ciência capaz de verdadeiramente transformar a humanidade, saindo daqui, do mesmo lugar do pessoal que vai ganhar a copa.”

Logo depois, ele mostrou, sob aplausos incessantes e lágrimas no seu rosto, o primeiro clipe do projeto Walk Again: “Um pequeno chute para o homem, um gol gigantesco para a humanidade”. Para saber mais sobre o projeto, leia aqui.

Falei besteira? Não gostou? Gostou? Comenta aí!

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