O papel da alta liderança corporativa e a pressão por tomadas de decisão sob cenários incertos serão o foco da edição 2026 do HSM+. O evento, agendado para os dias 4 e 5 de novembro no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunirá executivos, especialistas e pensadores em torno das trilhas temáticas Heart, Soul e Mind. A proposta central da convenção é debater a transformação das competências do CEO em um ambiente marcado por instabilidades geopolíticas, mudanças setoriais e avanços na inteligência artificial.
A fundamentação do debate apoia-se em indicadores da 29ª CEO Survey, conduzida pela PwC com lideranças no Brasil. O estudo aponta um descompasso temporal na agenda do alto escalão: os CEOs no país destinam, em média, 57% do seu tempo de gestão a temas com prazo de resolução inferior a um ano. Em contrapartida, apenas 11% da jornada executiva é dedicada a estratégias voltadas para horizontes superiores a cinco anos.
O levantamento revela ainda os principais fatores de exposição declarados pelos executivos brasileiros. A instabilidade macroeconômica afeta 38% dos entrevistados de forma intensa ou extrema, seguida pela disrupção tecnológica (31%) e pela inflação (29%). Além disso, a fluidez das fronteiras mercadológicas intensificou-se: 51% dos líderes afirmaram que suas companhias passaram a atuar em novos segmentos nos últimos cinco anos.
O CEO da B2B Match, Bruno Padredi, analisa que a imprevisibilidade contínua exige uma redefinição na forma de gerir equipes e negócios: “O CEO não pode mais ser apenas aquele que tem todas as respostas. Em um ambiente em que as variáveis mudam constantemente, o papel do líder passa a ser criar as condições para que a organização faça boas perguntas, tome decisões e consiga mudar de rota quando necessário”, afirma Padredi.
O impacto da inteligência artificial e os dilemas de investimento
A consolidação de ferramentas de inteligência artificial também redefine os modelos operacionais e de recursos humanos. Na pesquisa da PwC, 37% dos CEOs no Brasil relataram crescimento de receita nos últimos 12 meses atrelado à adoção de IA. No entanto, a automação traz desdobramentos estruturais: 60% dos executivos preveem redução nas contratações de profissionais em início de carreira nos próximos três anos.
Os dados são corroborados pelo estudo CEO Outlook 2026, da EY-Parthenon. O levantamento com 50 executivos brasileiros mostrou que 94% consideram que a inteligência artificial cumpre ou supera as expectativas de geração de valor, enquanto 98% informaram estar em processo ou planejando transformações empresariais em um ciclo de 12 meses.
Para o CEO da Ânima Empresas, Reynaldo Gama, o avanço tecnológico aumenta a demanda por clareza estratégica no topo da organização: “A tecnologia pode acelerar uma decisão, mas não substitui a responsabilidade de decidir. Quanto mais ferramentas chegam à mesa do CEO, mais importante se torna ter clareza sobre propósito, prioridades e consequências”, afirma Gama.
No âmbito dos investimentos, a incerteza geopolítica levou 28% dos líderes entrevistados pela PwC a desacelerar aportes financeiros. Contudo, o relatório identifica que empresas mantenedoras de investimentos estratégicos e aquisições durante períodos instáveis obtiveram taxas de crescimento mais céleres e margens operacionais superiores.
Gama reforça que o contexto atual exige flexibilidade metodológica na condução dos negócios.
“Em ambientes previsíveis, estratégia pode ser muito baseada em planejamento. Já em ambientes imprevisíveis, ela precisa incorporar capacidade de adaptação. O CEO precisa saber onde manter convicções e onde criar flexibilidade”, conclui Gama.
As inscrições e maiores informações podem ser acessadas diretamente no site do evento em: https://hsmmais.com.br/
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