O Grupo Caldeira OTC, mesa de operações voltada ao público institucional, e a Urban, desenvolvedora de infraestrutura tecnológica para ativos virtuais e pagamentos globais, anunciaram a fusão de suas operações. Sob a marca Urban, a nova companhia consolida uma das principais plataformas do segmento no Brasil, amparada por um volume conjunto transacionado superior a R$ 21 bilhões em 2026. A estrutura unificada combina tecnologia proprietária, liquidez e mecanismos de compliance.
Sediada em São Paulo e com presença operacional no Rio de Janeiro, a nova Urban atende uma base corporativa composta por fintechs, instituições financeiras e tesourarias de empresas, além de realizar pagamentos internacionais conectando o mercado nacional aos Estados Unidos, Europa e Ásia. A transação contou com a assessoria estratégica da UP TO Capital e assessoria jurídica do Demarest Advogados.
A união busca integrar valências complementares: de um lado, a gestão comercial, de atendimento e de liquidez em criptoativos desenvolvida pelo Grupo Caldeira OTC; de outro, as soluções de automação, integração via APIs e rastreabilidade construídas pela Urban.
“Cada uma das empresas desenvolveu uma competência essencial para o mercado institucional. O Grupo Caldeira OTC desenvolveu excelência operacional, comercial e de atendimento; e a Urban construiu tecnologia proprietária e escalável. A nova Urban nasce da integração dessas competências, com escala para atender empresas que demandam segurança, eficiência, liquidez e previsibilidade operacional”, diz Yago Carvalho, CEO da nova Urban.
A convergência das operações visa eliminar dependências externas de infraestrutura e viabilizar a criação de produtos integrados para o mercado B2B e B2B2C. “O mercado brasileiro de ativos digitais entrou em uma nova etapa de maturidade. Para continuar evoluindo, é necessário combinar escala, tecnologia sólida, liquidez, especialização operacional e uma estrutura de governança compatível com a complexidade do setor. A união foi construída para reunir essas competências em uma plataforma institucional mais completa para os clientes”, afirma Cristian Tolosa, CFO da nova Urban.
A atuação da companhia estará estruturada em três frentes principais: provimento de liquidez (liquidity provider), pagamentos e transferências internacionais (cross-border) com ativos virtuais e Crypto as a Service, modelo que disponibiliza a infraestrutura tecnológica para que parceiros desenvolvam seus próprios produtos.
“Em um mercado institucional, não basta ter acesso à liquidez. É preciso ter capacidade de execução, eficiência operacional e estrutura para atender grandes volumes com agilidade e segurança. A combinação das operações amplia essa capacidade e nos prepara para atender uma demanda cada vez mais sofisticada”, afirma Israel Lujan, Diretor de Tesouraria Operacional da nova Urban.
A estratégia da nova marca reforça também o foco na manutenção da proximidade comercial durante a fase de integração.
“O cliente permanece no centro da estratégia da nova Urban. A integração amplia nossa capacidade de entender necessidades específicas, responder com agilidade e executar operações com segurança e eficiência. Nosso objetivo é preservar a proximidade construída pelas três empresas e, ao mesmo tempo, oferecer uma estrutura mais completa e escalável”, afirma Caroline Caldeira, COO da nova Urban.
O anúncio da fusão coincide com o avanço do enquadramento regulatório do setor no Brasil, marcado pelas Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, que definem as regras para a autorização e prestação de serviços de ativos virtuais. Com o prazo do regime de transição fixado para 30 de outubro de 2026 junto ao Banco Central, a Urban prepara seu pedido oficial de autorização como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV).
“A regulamentação representa uma etapa importante de amadurecimento do mercado brasileiro de ativos virtuais. Não se trata apenas de atender a novas exigências formais, mas de construir governança, controles, capital e processos capazes de sustentar operações cada vez mais complexas. A combinação reforça nossa capacidade de crescer de maneira responsável e dentro de uma estrutura jurídica e regulatória sólida”, afirma Rafael Steinfeld, Chief Legal Officer da nova Urban.