O avanço da atividade empreendedora no Brasil tem levado cada vez mais casais a unirem forças para gerir negócios próprios. Contudo, a sobreposição das rotinas corporativa e doméstica impõe desafios de gestão e governança para garantir a sustentabilidade das operações e a preservação das relações pessoais.
Para os fundadores da Eureka Coworking, rede de escritórios compartilhados, a superação de crises operacionais e o crescimento da marca no país estiveram atrelados à criação de processos claros de convivência e gestão. Daniel e Fanny Moral, que ocupam respectivamente os cargos de CEO e COO da empresa, apontam que o alinhamento de expectativas e a definição de limites operacionais são premissas indispensáveis para sociedades conjugais.
“Não tivemos uma trajetória fácil: conciliar a criação dos nossos filhos com a expansão da empresa, lidar com pressões e superar problemas como a pandemia exigiu jogo de cintura e muito diálogo”, afirma Daniel.
Entre os principais fatores de mitigação de riscos apontados pelos executivos está a delimitação de competências dentro da organização. A separação clara de responsabilidades evita a duplicidade de comandos e minimiza atritos em processos decisórios diários.
“As áreas de atuação precisam ser delimitadas, sem perder a conexão e a visão estratégica conjunta”, destaca Fanny. “Cada parte deve exercer a sua liderança com fluidez, para que tenha autonomia no dia a dia e potencialize as próprias habilidades”, completa a executiva.
A definição de um propósito de longo prazo — que contemple metas financeiras da empresa e objetivos familiares — atua como elemento estabilizador em momentos de volatilidade do mercado. No caso da dupla, a busca por flexibilidade de horário e tempo com a família norteou o modelo de negócios adotado.
“A nossa meta voltada para a qualidade de vida se manteve presente em todas as nossas decisões, sendo um propósito comum que funciona como guia tanto nos desafios quanto nas conquistas”, ressalta o CEO.
Para além do alinhamento estratégico, a gestão da rotina exige comunicação transparente e organização rigorosa de agenda, impedindo a sobrecarga de tarefas e garantindo a desaceleração fora do expediente.
“Trabalhar com um (a) parceiro (a) pode ser uma jornada incrível se ambos estabelecerem regras claras, garantindo uma comunicação transparente e lidando bem com os conflitos que (com certeza) irão aparecer”, pontua a COO.
No que tange à disciplina operacional e delegabilidade, Daniel reforça a relevância do planejamento: “A dupla não pode ter medo de priorizar o que é essencial na rotina e saber delegar tarefas com inteligência”.
Por fim, a separação entre aspectos emocionais e decisões racionais em momentos de crise é apontada como crucial para a manutenção da saúde financeira da empresa e do bem-estar pessoal do casal.
“Em situações tensas, o melhor a fazer é dar um passo atrás, respirar e retomar a conversa no momento certo, para que o emocional não supere o racional”, conclui o executivo.