sexta-feira, 25 de setembro de 2026

“O que não pode ser medido, não pode ser melhorado”. Em quais métricas uma startup precisa ficar de olho?

Por conta disso, os fundos têm mantido um escrutínio maior em cada investimento, analisando, especialmente, a capacidade da startup de retornar os valores investidos. Por isso, calcular e acompanhar as métricas de um negócio é ainda mais importante nesse momento, principalmente para startups que buscam levantar capital e manter a sua situação financeira saudável.

* Por Carol Strobel

Peter Drucker, o autor atribuído à frase que inspira este artigo – assim como várias conversas que fazem parte do meu dia a dia – é um grande mestre da administração, embora ele seja, na verdade, economista. 

Com o seu pensamento visionário, Drucker ampliou a perspectiva sobre o papel fundamental das pessoas para o sucesso de qualquer empresa e posicionou o cliente como a real prioridade de uma organização… e não o produto. 

Esse olhar diferenciado, especialmente para o ano de 1950, tem como consequência uma combinação de respeito: métricas são importantes, principalmente se o seu acompanhamento trouxer valor para os clientes e não apenas eficiência, ou volumetria aos negócios.

Por conta disso, os fundos têm mantido um escrutínio maior em cada investimento, analisando, especialmente, a capacidade da startup de retornar os valores investidos. Por isso, calcular e acompanhar as métricas de um negócio é ainda mais importante nesse momento, principalmente para startups que buscam levantar capital e manter a sua situação financeira saudável.

Acompanhar métricas é essencial

Dependendo do modelo de negócios, ou da vertical que a sua startup está engajada, existem diferentes métricas a serem observadas.No entanto, uma coisa que todas as startups, em qualquer estágio, têm em comum, é a necessidade de entender a viabilidade do negócio, ou sinalizar quando uma correção de rumo é necessária!

Não se pode falhar no básico! Dinheiro é rei e , por isso, o quanto a sua empresa “queima” de dinheiro mensalmente, ou seja, o burn rate, assim como  o quanto ela ainda tem de dinheiro para queimar na “pista”, ou seja, o runway, são prioridades essenciais, indiferentemente do tamanho da sua startup.

Calcular o burn rate não tem muito segredo: faça a checagem de caixa no início do mês e diminua o valor do caixa no final do mês. Quanto ao runway, é só fazer uma previsão de quanto tempo o dinheiro que a empresa tem vai durar, de acordo com o burn rate calculado anteriormente. Até aí parece simples, né? Ótimo. Então essas duas métricas precisam estar na ponta da língua e, mais do que isso, fazer sentido para o time fundador, seus planos e seus investidores.

Para saber se o seu modelo de negócios faz sentido, é preciso olhar para o que se chama de “economia da unidade”, ou unit economics, que é o conhecimento que se adquire após a análise de todas as métricas e indicadores capazes de verificar a eficiência do uso do capital e medir os custos, despesas e direcionamento estratégico de uma empresa: é a receita que é obtida por meio de uma unidade do seu produto ou serviço, antes de se debitar os custos fixos. 

Esse é o número que um investidor vai olhar para entender se a sua startup tem uma margem positiva, ou negativa. Também é por meio da unit economics que se pode calcular o momento do break even, ou seja, quando um investimento chega ao ponto em que não há lucro, nem prejuízo, ou seja: “empata”. Uma pergunta que certamente o time fundador terá que responder para possíveis investidores.

Vamos, então, falar sobre métricas importantes que compõem o unit economics e que a sua startup precisa calcular, mesmo sendo early stage: o Custo de Aquisição do Cliente, ou seja, o Customer Acquisition Cost (CAC) e a receita média gerada pelo cliente ao longo de sua interação com a empresa, ou seja, o Lifetime Value (LTV).

O CAC é basicamente a soma de todos os gastos que se tem com a aquisição de clientes (anúncios, salários da equipe de vendas, canais, etc.) dividido pelo número de clientes adquiridos em um período de tempo específico.

O LTV é uma previsão do lucro líquido total atribuído a um cliente ao longo da sua vida com o produto, ou serviço. Veja que aqui não se está falando em receita vitalícia… cuidado com esse conceito. O LTV é uma inferência, ou seja, uma previsão. Por isso precisa ser adaptada de forma cuidadosa a cada modelo. 

Veja, por exemplo, que para as empresas SaaS (software as a service) precisam multiplicar a receita média mensal do cliente pelo tempo médio de vida do cliente, enquanto no e-commerce é preciso incluir nessa multiplicação mais uma variável: o valor médio do produto.

A análise do CAC e do LTV ajuda a startup a analisar o seu fluxo de caixa operacional a médio e longo prazo e viabiliza um olhar estratégico, quanto a ineficiências e oportunidades. Se o seu CAC está mais alto do que o LTV, por exemplo, é preciso voltar para o planejamento e buscar compreender melhor o comportamento e preferências dos seus clientes. 

Existe uma regra de marketing que indica que a proporção saudável entre LTV e CAC deveria ser de, pelo menos 3:1, assim a cada R$10 gastos para adquirir um cliente, o ideal seria que esse mesmo cliente gerasse R$30 em lucro líquido ao longo da sua jornada com a startup. Você pode até se espelhar nesses valores, mas cada startup deve buscar a sua fórmula para atingir uma equação favorável financeiramente e considerar o seu estágio para atingir metas mais ambiciosas.

Dá tempo para mais uma? Então lá vai: outra métrica importante é o número de clientes que cancelam o serviço, taxa de rotatividade, ou churn. Essa métrica é especialmente importante para as startups com modelo SaaS. 

Que outras métricas a startup precisa olhar? Bom, existem delicadezas de planos de negócio, de necessidade de crescimento, expansão de indústria, produtos e clientes, além de estágios de maturidade de cada startup que precisam ser considerados. 

Por isso, além das métricas financeiras básicas, cada empresa acaba criando a sua “seleção” única de métricas a serem observadas, que vão desde número de clientes, engajamento, profissionais registrados, até a mensuração e acompanhamento da satisfação dos clientes, ou Net Promoter Score, por exemplo.

“Os resultados são obtidos através da exploração de oportunidades, não pela solução de problemas”. É o que Drucker, mais uma vez, nos mostra sobre a análise de dados referentes a sua startup, fato que  pode ser chave quando você estiver buscando oportunidades. 

Nunca abra mão de discutir as métricas e a sua evolução com o time mais sênior da sua startup. Analisar, de forma holística, as informações disponíveis pode trazer insights e tendências muito valiosas, que vocês precisam saber em primeira mão para perceber a mudança chegando.

O empreendedorismo baseado em dados pode mudar o destino da sua startup!


"O que não pode ser medido, não pode ser melhorado". Em quais métricas uma startup precisa ficar de olho?

Carol Strobel é Sócia fundadora da Antler no Brasil e sócia operacional da Redpoint eventures, com mais de 20 anos de experiência em investimentos em tecnologia, construção de negócios e projetos de transformação digital. Foi diretora da Intel Capital para a América Latina por mais de uma década e diretora de inovação de empresa de capital aberto. Consultora digital reconhecida e conselheira de empresas de capital aberto.

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