terça-feira, 13 de outubro de 2026

Testes no campo real: PUCPR direciona R$ 4 milhões para aproximar startups e multinacionais do agronegócio

Integrado a uma fazenda de 200 hectares na Região Metropolitana de Curitiba, novo hub de inovação prevê inauguração em 2027 e já atrai interesse de marcas como CNH e Embrapa.

A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), por meio da HOTMILK, o ecossistema de inovação da instituição, anunciou o investimento de R$ 4 milhões para a criação de um hub agrotech em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. A estrutura ficará integrada à Fazenda Experimental Gralha Azul (FEGA), vinculada à Escola de Medicina e Ciências da Vida da universidade. Com foco na pesquisa, experimentação e validação de tecnologias para o agronegócio em uma área de 200 hectares, a inauguração do espaço está prevista para março de 2027, com conclusão total do projeto projetada para 2028.

A iniciativa surge amparada por indicadores recentes do setor no estado e no país. De acordo com os dados apresentados pela instituição, o agronegócio brasileiro movimentou R$ 3,2 trilhões em 2025, o que representou 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. No Paraná, o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária atingiu R$ 212,6 bilhões no mesmo período, registrando alta nominal de 13% em relação ao ano anterior. Conforme os números divulgados, a agropecuária paranaense avançou 13,1% em 2025, superando a média de expansão do setor no Brasil (11,7%), enquanto o agronegócio respondeu por cerca de 36% do PIB do estado.

O projeto foi desenhado para atender empresas que desenvolvem soluções tecnológicas para o setor primário, permitindo a validação de ferramentas diretamente em ambiente produtivo real. 

“Este projeto traduz uma forma de pensar a universidade: ao mesmo tempo que produz conhecimento, transforma esse conhecimento em soluções concretas para a sociedade. O Paraná tem no agronegócio uma de suas grandes forças, e acreditamos que uma universidade como a PUCPR deve contribuir formando excelentes profissionais e ajudando a construir o futuro desse setor. O Hub Agrotech nasce exatamente com essa vocação: conectar conhecimento científico, tecnologia e experiência de campo para gerar inovação com impacto”, afirma o decano da Escola de Medicina e Ciências da Vida da PUCPR, professor José Knopfholz.

A infraestrutura física e operacional do hub será dividida em três frentes: um edifício principal para escritórios e conexão; uma área de contêineres equipada com laboratórios modulares para empresas parceiras; e o chamado “laboratório vivo”, composto pelas áreas de plantio e manejo da própria fazenda experimental. Segundo a organização, a proposta é permitir que startups, pesquisadores e corporações acompanhem o ciclo das tecnologias em condições de operação diária.

“O grande diferencial desse projeto é criar uma ponte efetiva entre o desenvolvimento de tecnologia e a realidade do campo. Ter um hub integrado a uma fazenda experimental permite que as empresas não apenas desenvolvam suas soluções, mas testem, validem e aprimorem essas tecnologias em um ambiente real. Queremos transformar a FEGA em um ponto de conexão entre academia, empresas e produtores, atraindo soluções de diferentes regiões do país e contribuindo para acelerar a inovação no agronegócio”, pontua Anderson Szejka, diretor de tecnologia e inovação da HOTMILK PUCPR.

Segundo a universidade, mesmo antes da abertura oficial, o projeto conta com nove empresas que assinaram carta de intenção e outras 13 em fase de negociação comercial. Entre as organizações que já manifestaram interesse formal em integrar a estrutura estão a fabricante de equipamentos CNH, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a agtech de biotecnologia GoGenetic.

Com aporte gradativo até 2028, a PUCPR prevê consolidar o hub como um polo nacional de atrações de investimentos e parcerias técnicas no Sul do Brasil, conectando produtores rurais, investidores e a cadeia de suprimentos da tecnologia agrícola.

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