Depois de liderar a criação da fintech Trampay, o empreendedor Tiago Ribeiro assumiu um novo desafio no setor de tecnologia ao fundar a Skedia, uma healthtech voltada para o desenvolvimento de um sistema operacional financeiro para prestadores de saúde. A empresa combina software, agentes de inteligência artificial e analistas especializados para automatizar etapas críticas entre o atendimento médico e o efetivo recebimento dos valores, operando inicialmente com cerca de R$ 63 milhões em produção clínica sob gestão, distribuídos por aproximadamente 20 unidades e quase mil profissionais vinculados.
A tese da companhia baseia-se no conceito de Integridade de Receita, buscando assegurar que todo serviço prestado seja identificado, faturado corretamente e acompanhado ao longo do ciclo financeiro. Segundo Tiago, o problema decorre da fragmentação de etapas como guias, autorizações, regras de diferentes convênios, controle de glosas e conciliação de caixa. “Existe uma espécie de buraco negro entre o atendimento e o recebimento. O prestador sabe que atendeu, a operadora sabe o que vai pagar e o banco sabe quando o dinheiro entrou. Mas, muitas vezes, ninguém tem uma visão completa do que aconteceu no meio do caminho”, afirmou o executivo, conforme o comunicado da empresa.
O cenário ganha complexidade diante do crescimento do setor de saúde suplementar, que registrava 53,1 milhões de beneficiários em junho de 2026 segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além da projeção de mais de 1,2 milhão de médicos no Brasil até 2030. Para endereçar essa demanda, a plataforma da Skedia utiliza inteligência artificial para realizar a leitura automatizada de guias digitalizadas, preencher dados de faturamento, gerar arquivos de cobrança e cruzar informações com contratos de operadoras para sinalizar riscos de glosa.
Além da tecnologia, a empresa adota um modelo de faturamento gerenciado, no qual analistas humanos resolvem exceções, alimentando as regras do software para mitigar a necessidade de intervenções manuais em ciclos futuros. “Nosso objetivo é transferir gradualmente para softwares e agentes de inteligência artificial tarefas administrativas que ainda dependem de execução manual, reduzindo atividades repetitivas e liberando as equipes para funções que exigem análise e tomada de decisão”, destacou Rodrigo Ribeiro Freire, irmão do CEO e cofundador responsável pela estratégia comercial e de crescimento.
Para as próximas etapas de evolução, a Skedia planeja aprimorar a integração de todo o fluxo financeiro, desde a autorização do procedimento até a submissão de contas e a conciliação. A empresa também estuda incorporar serviços financeiros por meio de parceiros, estruturando contas PJ integradas para automatizar repasses a profissionais de saúde e viabilizar o acesso a modalidades de crédito com base no histórico consolidado de produção, conforme detalhou a gestão da healthtech.
