terça-feira, 29 de setembro de 2026
Auditório do Cubo Itaú em um dos lançamentos do estudo da Inventta. Evento tem se tornado tradição na casa.
Terceira edição de estudo da Inventta mostra que 82% das companhias percebem ganhos de eficiência, mas apenas 44% possuem métricas numéricas para demonstrar o impacto do setor.

As áreas de inovação nas empresas brasileiras ganharam espaço estratégico e proximidade com as decisões de negócio em 2026, mas enfrentam dificuldades para mensurar o retorno financeiro das suas atividades. É o que revela a terceira edição do estudo “O Futuro da Gestão da Inovação”, realizado pela consultoria Inventta em correalização com Cubo Itaú, Fundação Dom Cabral, CNI, Ecossistema Inova, Amcham Brasil e ANPEI. O levantamento, que ouviu 300 profissionais, aponta que a busca por crescimento é o principal objetivo da área para 56% das organizações, enquanto 46% citam a pressão por resultados de curto prazo como a maior barreira enfrentada.

Os dados evidenciam um descompasso entre a percepção do valor gerado pela inovação e a capacidade técnica de comprová-lo numericamente. Embora 82% das companhias relatem impactos positivos em eficiência operacional, apenas 44% possuem indicadores numéricos que sustentam os resultados obtidos. O cenário se repete no quesito receita: 77% observam avanços com a inovação, mas somente 42% conseguem quantificar os ganhos. No consolidado dos cinco tipos de retornos analisados pela pesquisa — eficiência, receita, qualidade, experiência do cliente e novos negócios —, as companhias conseguem mensurar, em média, apenas 1,9 deles, enquanto 32% dos respondentes não utilizam nenhuma métrica numérica.

A ausência de acompanhamento também afeta a visão de longo prazo dos investimentos. Segundo o levantamento, 46% das empresas não monitoram a parcela da receita atual oriunda de produtos e serviços lançados nos últimos três anos, e 45% não mensuram os ganhos obtidos com a redução de custos. De acordo com o diretor de Estratégia e Inovação da Inventta e responsável pela pesquisa, Henrique Monteiro, a prioridade das lideranças deve ser a conversão da percepção informal em indicadores estruturados. Para o executivo, a mudança é fundamental para orientar tomadas de decisão e aprimorar a gestão dos projetos.

A capacidade de mensurar resultados impacta diretamente a longevidade das áreas dedicadas ao setor. Das companhias consultadas, 55% mantêm uma estrutura exclusiva de inovação. Entre as empresas onde a área cresceu nos últimos dois anos, 80% afirmaram medir os impactos do setor e 56% comprovam ao menos um resultado numericamente. Em contrapartida, nas companhias onde o departamento foi reduzido, extinto ou absorvido (19% do total), os percentuais de acompanhamento caem para 61% e 22%, respectivamente. O estudo indicou ainda que 47% das organizações acompanham o impacto no negócio, e que apenas 13% monitoram simultaneamente as camadas de esforço, entrega e resultado.

O lançamento oficial da pesquisa ocorreu no Cubo Itaú, em São Paulo, reunindo executivos de empresas como BASF, Thermo Fisher Scientific, Indorama Ventures, Nexa Resources e EDP para debater a integração entre tecnologia, estratégia e governança. Durante o encontro, a adoção de inteligência artificial aplicada foi destacada por 39% dos entrevistados como recurso prioritário na gestão da inovação, ficando atrás apenas da alocação de orçamento dedicado (budget), citada por 41%. Conforme o levantamento da Inventta, o avanço da maturidade corporativa depende da seleção de poucas práticas diretamente conectadas às metas de negócio, superando iniciativas isoladas sem acompanhamento contínuo.

O estudo completo O Futuro da Gestão da Inovação 2026 está disponível para download: https://materiais.inventta.net/estudo-o-futuro-da-gestao-da-inovacao-2026

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